Crítica | O Espetacular Homem-Aranha #121: A Morte de Gwen Stacy

estrelas 5

Há um bocado de coisas que poderíamos dizer sobre esta edição… mas não vamos fazer isso. Quanto ao título, é algo que gostaríamos de esconder por enquanto. Mas podemos lhe garantir, peregrino… você não vai esquecê-lo tão cedo.

Gerry Conway

Na Amazing Spider-Man #119 e #120, o Homem-Aranha estava no Canadá enfrentando o Hulk em uma das brigas mais interessantes da história da revista. Enquanto suava o uniforme em Montreal, o Homem-Aranha mal sabia que em Nova York, seu amigo Harry Osborn voltava a se drogar, mas dessa vez de uma forma intensa e quase fatal. As edições de junho e julho de 1973 da ASM são revistas históricas e de importância fundamental e decisiva para o Homem-Aranha. Seu conteúdo e acontecimentos são o encadeamento de eventos do passado vindos à tona por fatos perturbadores do presente, apresentados principalmente nessa edição: A Noite em que Gwen Stacy Morreu.

A história da ASM #121começa com Gwen e Mary Jane no quarto de recuperação de Harry Osborn. Elas conversam com o médico do jovem, Dr. Ray, que lhes explica a gravidade do problema. O resultado dessa nova viagem lisérgica de Harry o deixou em “um estado de psicose completa. Muito parecida com a esquizofrenia”. Do lado de fora do quarto, observando através da janela, está Peter Parker vestido com seu uniforme e nada contente com a nova recaída do amigo, embora seja tomado por um sentimento de responsabilidade para com ele, principalmente tentando entendê-lo.

Há um visível tom de urgência no roteiro. Gerry Conway planta algumas pistas desde os primeiros quadros, trazendo um flashback e aplicando um ritmo acelerado de pequenas sequências em lugares diferentes como o quarto de Harry, a redação do Clarim Diário, a casa dos Osborn, etc. A sensação de que alguma coisa não está bem chega antes da décima página, e tal sensação enverniza com um pequeno suspense narrativo a história que se constrói.

Quando Norman Osborn se vê praticamente falido (suas ações caem 13% naquele dia) e seu filho em lamentável estado por decorrência das drogas, fortes alucinações o atormentam e quebram a parede de amnésia que encobria o seu passado. Ele se lembra que é o Duende Verde e que o Homem-Aranha é o seu maior inimigo. Mas a pior de todas as coisas é que ele também se lembra da identidade secreta do Homem-Aranha. E é em decorrência disso que Gwen Stacy é sequestrada, e no final da história, morta.

Quando eu li pela primeira vez A Noite em que Gwen Stacy Morreu eu tinha uns 16 anos e já sabia como terminava o conto, mas isso não impediu que eu me emocionasse e até chorasse pelo acontecimento. Os ângulos escolhidos por Gil Kane para mostrar a opressão e a dor de Peter Parker, a força emotiva dos diálogos, tudo convergiu para que eu me sentisse como uma criança lendo uma história triste. Gerry Conwey aproxima o Homem-Aranha de suas origens, trazendo problemas de ordem pessoal de Peter Parker para a história, fundindo-a com a identidade do lançador de teias, explorando a máxima fraqueza de um homem apaixonado: a morte da mulher que ele ama.

Essa história não interfere apenas na Amazing Spider Man, mas também em toda a estrutura das histórias e quadrinhos dos Estados Unidos, pisando com gosto nas normas ridículas do Comics Code. Imagine o leitor uma história em que um grande herói fracassa, e em decorrência disso, o grande amor da sua vida morre. Para completar, o vilão assassino consegue se safar tranquilamente. Hoje, ainda é “pesado” imaginar algo do tipo, agora imagine essa mesma história sendo publicada em 1973! Sem sombra de dúvidas é um grande divisor de águas. E tal como a introdução já previra: você não vai esquecê-lo tão cedo.

Amazing Spider-Man Vol. 1 – #121 (EUA, junho de 1973)
Roteiro: Gerry Conway
Arte: Gil Kane
Arte-final: John Romita, Tony Mortellaro
Marvel Comics

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.