Crítica | A Morte do Wolverine: Deadpool & Capitão América

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estrelas 4

Wolverine está morto. Segundo Deadpool, coreografar Flashdance perto de adamantium derretido não foi uma boa ideia, e como resultado, o Carcaju acabou morrendo. Ou foi isso ou foi algo mais ou menos parecido. Agora, Deadpool e o Capitão América (envelhecido) estão na missão caseira de queimar todos os pertences de Logan e tirar todos os traços de DNA de seu quarto na Mansão dos Vingadores. Essa missão se transforma em algo além das fronteiras quando a Viúva Negra reporta que a I.M.A. conseguiu colocar as mãos em uma faca que havia cortado Wolverine. O sangue ali contido torna possível recriar o mutante, caso os interessados tenham a tecnologia certa. E o que não faltam são interessados com a tecnologia certa para isso.

Talvez a primeira pergunta dos desavisados das mudanças malucas da Marvel (isso é, se esses desavisados ainda não sabem da morte do Wolverine, mas se esse for o caso, só ler esta crítica) seja a seguinte: por quê o Capitão América está velho nessa minissérie (leia esta crítica para uma visão mais ampla). E antes de prosseguirmos, vai aí a explicação simplificada de Ritter Fan:

Porque ele enfrentou um vilão chinês comunista safado chamado Prego de Ferro (sim, isso mesmo) que vira um dragão (ridículo) e o cara espetou Rogers com seus penduricalhos e, inexplicavelmente, tirou a “validade” do soro do supersoldado, fazendo o bandeiroso reverter à idade que ele teria se não tivesse feito a experiência na década de 40. Isso em tese, pois ele deveria ter 95 anos e não parece ter mais do que 60…

E, com isso, o Falcão se tornou o novo Capitão, com um uniforme RIDÍCULO, que mantém as asas [do Falcão], mas usa as cores e estilo do Capitão. E o escudo.

Pois é. Esse Capitão América de 95 anos (com carinha 60) se junta ao Mercenário Tagarela para uma ida até Moscou, em uma das instalações da I.M.A., recuperar a faca com o sangue do Wolverine. À primeira vista, o argumento parece pouco interessante, mas está longe disso. Por serem amigos de Logan, Deadpool e o Capitão — em roupas civis e a maior pose de Clint Eastwood — assumem a responsabilidade de cuidar do falecido, uma tarefa que mais adiante voltará à tona com um problema moral para Wade Wilson, finalizando, em reticências, este one-shot.

Gerry Duggan nos traz uma história divertida e ao mesmo tempo fraterna, nostálgica e cheia de ação. A sombra de um funeral parece estar sobre os dois personagens durante todo o tempo, e isso é muito bem representado pela arte de Duggan e cores de Veronica Gandini, inicialmente mais escuras e em espaços tendenciosamente claustrofóbicos, até que ganham liberdade e a memória de Logan vem à tona com carinho e respeito. É uma forma bela de mostrar um legado e cuidar de uma memória, tanto no sentido figurado quanto no sentido prático.

Death of Wolverine Deadpool e Captain AmericaO que me incomoda um pouco em tudo isso é que diante da vida agitada de Wolverine e todas as forças envolvidas na ocasião de sua morte haja apenas a colocação desta missão em Moscou e nada mais. Não digo que necessariamente o Capitão e Deadpool deveriam protagonizar essa busca — embora não seria nada ruim, porque esses dois são incríveis juntos — e nem que elas deveriam figurar em andamento aqui, mas ao menos a citação ou deixa de que algo mais estava acontecendo daria um tom de realidade completamente necessário nesse caso.

Mesmo com uma ação em “escala menor”, A Morte do Wolverine: Deadpool & Capitão América é uma incrível edição de parceria que dá certo e faz o leitor rir e pensar um pouco. O roteiro equilibra emoções e joga bem com as piadas que o público certamente irá conhecer (Steve Rogers dizendo se entende ou não as referências de Star Wars — que compara com Flash GordonStar Trek e Harry Potter), além de apresentar um componente estético bem diagramado e agradável, sem exageros de movimento, explosões a cada quadro ou insanidades visuais que normalmente tomam quanta de alguns artistas sempre que desenham algo do Deadpool. Eu realmente não esperava nada dessa história. E terminei a última página surpreendido.

A Morte do Wolverine: Deadpool & Capitão América (Death of Wolverine: Deadpool & Captain America) — EUA, 2014
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Scott Kolins
Cores: Veronica Gandini
Letras: Joe Sabino
Capas: Ed McGuiness, Morry Hollowell
35 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.