Crítica | A Mosca 2 (1989)

A Mosca 2

                                                      estrelas 2

Depois do sucesso de A Mosca, dirigido por David Cronenberg, não demorou muito para os produtores investirem em uma sequência para o filme. Sem o elenco principal do anterior, a narrativa investe no “devir” do primeiro: o filho de Seth Rogers (Jeff Goldblum). Ágil, divertido e com uma dinâmica que até funciona bem dentro do gênero aventura, o filme funciona se for pensado longe das prováveis comparações com o seu antecessor.

Engraçado observar que o roteiro foi escrito por quatro pessoas, baseadas no argumento e nos personagens de outras duas. Menos, às vezes, pode se tornar mais. Tanta gente envolvida só podia dar em bagunça. O foco do filme é Martin (Eric Stoltz), filho de Seth. O rapaz possui características físicas e intelectuais acima do normal e percebe que está sendo explorado pelo grupo de cientistas que o cerca. O que inicialmente aparenta ser uma relação cheia de respeito, hierarquia e troca de interesses, acaba se tornando uma guerra onde a “fera” dentro do pequeno-grande Martin será liberada, com direito a uma imensa trilha de corpos ensanguentados, esmagados e triturados.

Somos informados, ao longo dos atos, que a sua mãe morreu no parto e o garoto ficou confinado neste laboratório, cercado por uma equipe formada por profissionais das mais variadas áreas, todos interessados em compreender o menino “devir”. Cada avanço é uma surpresa e os estudos para compreendê-lo tornam-se cada vez mais ineficientes, haja vista que o garoto modifica-se a cada instante e o que era previsível acaba por se apresentar insólito e inesperado.

Sob a orientação de Dr. Bartock (Lee Richardson), Martin possui o metabolismo de um inseto e com cinco anos de vida ele já se torna um adulto. Quando as mutações começam a reagir e Martin percebe que não há nenhuma preocupação “amigável” por parte de Bartock, o lado rebelde-revoltado-vingativo do rapaz aflora-se e os problemas tornam-se ainda maiores.

Preocupado em repetir a fórmula de sucesso do primeiro filme, A Mosca 2 não é uma produção ruim. É apenas regular e menos interessante que o seu antecessor, uma obra que tinha como guia a direção sofisticada de David Cronenberg, uma montagem mais eficiente, atores mais interessantes em performances mais convincentes e discussões mais ligadas aos interesses da sociedade da época.

Com 105 minutos de duração, A Mosca 2 pretende-se um filme que reforça poder dos efeitos especiais como representação do avanço tecnológico da indústria do cinema, entretanto, oferta ao espectador um roteiro fraco e perdido, além de uma direção robótica por parte de Chris Wallas, provavelmente guiado pelos interesses dos produtores. Resultado: um filme que podia ser bem mais interessante, mas acaba tornando-se lugar comum. Ainda bem que decidiram parar por aí e não tivemos um desnecessário A Mosca 3.

A Mosca 2 (The Fly 2) – Estados Unidos. 1989.
Direção: Chris Wallas.
Roteiro: Mick Garris, Jim Wheat, Ken Wheat e Frank Darabont, baseados no argumento de Mick Garris.
Elenco: Eric Stoltz, Daphne Zuniga, Lee Richardson, John Getz, Ann Marie Lee, Frank C. Turner, Andrew Rhodes, Rob Roy, William S. Taylor.
Duração: 105 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.