Crítica | A Noiva de Frankenstein (1935)

estrelas 4

Uma pergunta, à priori, esclarecedora: por qual motivo o filme se chama A Noiva de Frankenstein? A Universal recusou outras propostas e preferiu lançar a obra com este título cheio de possibilidades, tornando-se responsável pela confusão acerca do nome do cientista criador e do seu monstro. Lembre-se: Frankenstein é o criador, não a criatura, apesar de toda a construção errônea por parte de muitos leitores e espectadores.

Apesar da noiva ser uma criação do cientista, juntamente com outro “doutor estranho”, a tal figura feminina foi criada para ser a companheira do monstro solitário. Eis as devidas explicações: Dr. Henry Frankenstein (Colin Clive) e o seu monstro (Boris Karloff) voltam a se encontrar, pois diferente do que todos imaginavam a criatura não morreu diante dos conflitos de Frankenstein, filme anterior, de 1931.

O filme começa com a escritora Mary Shelley (Elsa Lanchester) e o seu marido Percy (Douglas Walton) numa conversa literária com ninguém menos que Lord Byron (Gavin Gordon). Os diálogos gravitam em torno do final do romance Frankenstein, clássico da autora. Próximos ao calor da lareira, eles discutem acerca do destino do personagem e de quão insólita é a situação.

Persuadida pelo poeta, a escritora é levada a continuar a história, dando novos rumos aos acontecimentos literários. Assim, somos informados que o cientista deseja parar com as suas pesquisas, mas os seus interesses reacendem após receber a visita de Dr. Pretorius (Ernest Thesiger), um homem que cria vidas em seu laboratório, como se estas fossem sementes. O tal doutor insiste que Frankenstein deve criar uma companheira para o monstro.

Após uma tempestade e uma ocorrência envolvendo descargas elétricas, a mulher é concebida. O monstro, mais uma vez, é alvo de conflitos de relacionamentos, tamanha a sua característica estranha, monstruosa, pouco aceitável. Ciente da sua condição, ele sofre, entregando ao público cenas emocionantes e densas, apesar da aparente “estranheza” da sua história e do seu título.

Ao longo dos seus breves 71 minutos, o filme possui cenas antológicas, mas nenhuma delas é mais impactante que a convicção do personagem monstruoso acerca da sua condição desumana: “nós pertencemos aos mortos”, afirma, deixando cair uma lágrima antes de “dizimar” a vida de todos os presentes em cena, num desempenho dramático forte e emocionante.

No que tange aos aspectos da sua composição visual, A Noiva de Frankenstein não fica devendo aos filmes contemporâneos e os seus excessos, tendo nos efeitos especiais de miniaturização um ponto bastante positivo, bem como a trilha sonora de Franz Waxman, estrondoso sucesso de crítica no momento de seu lançamento, tamanha a sua pompa no bojo da narratividade fílmica.

Dirigido por James Whale, com roteiro assinado por William Hurlbut, A Noiva de Frankenstein é um clássico absoluto do cinema de horror e uma das pérolas da Era de Ouro da Universal. Quase 100 anos depois do seu lançamento, ainda funciona, tamanha a atualidade de algumas discussões, além do apelo popular e da criatividade de seus realizadores. Ganhou uma sequência, O Filho de Frankenstein, bem como uma refilmagem intitulada A Prometida, lançada em 1985.

A Noiva de Frankenstein (The Bride of Frankenstein) – EUA /1935
Direção: James Whale
Roteiro: John L. Balderston, William Hurlbut
Elenco: Boris Karloff, Colin Clive, Valerie Hobson, Ernest Thesiger, Una O’Connor, Elsa Lanchester, E. E. Clive, Dwight Frye, P. Heggie, Anne Darling, Douglas Walton, Gavin Gordon, Neil Fitzgerald, Reginald Barlow, Mary Gordon, Ted Billings, Lucien Prival, John Carradine, Maurice Black, Billy Barty, Norman Ainsley, Joan Woodbury, Arthur S. Byron, Josephine McKim, Kansas DeForrest, Peter Shaw, Walter Brennan, Helen Parrish
Duração: 79 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.