Crítica | A Origem da Patrulha do Destino (My Greatest Adventure #80 a 85)

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Para falar de Patrulha do Destino é preciso, antes, falar sobre a clássica revista My Greatest Adventure, nas páginas da qual essa estranha equipe surgiu. A MGA foi uma revista com antologias de Ficção Científica e Ação publicada pela DC Comics de 1955 a 1964. Inicialmente, as séries ali chegavam às bancas bimestralmente, mas passou para distribuição mensal a partir do número #23. Na edição #80 (junho de 1963), todo o foco da revista foi modificado para destacar uma equipe novinha em folha, a Patrulha do Destino (Doom Patrol), que fazia ali a sua primeira aparição. Até a edição #85 as aventuras da Patrulha foram publicadas na My Greatest Adventure, mas devido ao sucesso da série, o próprio nome da revista foi alterado para The Doom Patrol, mantendo, claro, o cumulativo de numeração. Ou seja, a edição que seria My Greatest Adventure #86 chegou às bancas como The Doom Patrol #86.

Os volumes mensais continuaram sendo publicados até 1968, edição #121, quando a revista foi cancelada. Em 1973, houve uma breve tentativa de reviver a série, mas esta durou apenas 3 edições (#122 a 124, seguindo a numeração original). O volume dois — ou segunda geração — da revista chegaria às bancas somente em 1987.
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A Origem da Patrulha do Destino

My Greatest Adventure #80 a 85

estrelas 3

Considerando a estrutura das histórias em quadrinhos dos anos 1960, o início da Patrulha do Destino nas páginas da revista My Greatest Adventure foi realmente muito bom. Na edição #80, quando a equipe — que então era apenas “monstros que não se conheciam” — é reunida por um misterioso homem numa cadeira de rodas, o Chefe (Dr. Niles Caulder), temos uma sólida e divertida apresentação de cada um, com suas histórias passadas e informações como se tornaram párias para a sociedade.

Aprendemos sobre a Mulher-Elástica (Rita Farr) e sua antiga profissão de atriz; o Homem-Negativo (Lawrence “Larry” Trainor), ex-piloto de aeronaves; e o Homem-Robô II (Clifford “Cliff” Steele), ex piloto de corrida que sofreu um acidente e acabou tendo o seu cérebro passado para um corpo metálico por um hábil cirurgião, que tempos depois voltaria a encontrá-lo. O roteiro de Arnold Drake e Bob Haney se assemelha muito a outras apresentações clássicas de grupos “B” nos quadrinhos daquela época, a exemplo de Esquadrão Suicida (1959) e Sexteto Secreto (1968).

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O Chefe reúne pela primeira vez o trio que formaria a versão inicial da Patrulha do Destino.

A diferença aqui é o tamanho menor do grupo e seu caráter totalmente aleatório em relação a missões, seu comportamento e relações sociais e o estabelecimento de um grande inimigo já na primeira edição, o misterioso General Immortus. Claro que o leitor não possui dificuldade alguma para acompanhar, porque o texto é bastante simples, porém, com o passar das edições, a gente fica se perguntando a origem e o por quê de determinadas coisas, como o fato de Immortus ver, por vídeo, o QG da Patrulha em uma edição e depois não ter mais acesso a isso, sem explicação alguma. Fora esses buracos no texto, as duas primeiras edições com o grupo são divertidas, embora nada supere a revista de estreia.

As coisas começam a ficar menos interessantes a partir da edição #83. Embora a arte mantenha o mesmo padrão — com alguns quadros bem desenhados, embora não haja nada de grande destaque no trabalho de Bruno Premiani –, o leitor enjoa fácil das tramas de cartas marcadas, dos conflitos que até começam bem, mas depois desandam completamente, terminando muitas vezes com uma piada sem graça ou um sentido escuso sobre as ações do Chefe, o idealizador da Patrulha, como se vê na edição #85.

Claro que existem bons momentos nessas edições de origem da Patrulha do Destino, mas a história pena bastante para conseguir ficar na linha do “ok”. É válida como leitura de conhecimento sobre “como tudo começou”, mas depois dos dois primeiros números, não há muita coisa que chame a atenção.

A Origem da Patrulha do Destino (My Greatest Adventure: Doom Patrol) – EUA, junho de 1963 a fevereiro de 1964
Roteiro: Arnold Drake, Bob Haney
Arte: Bruno Premiani
Arte-final: Bruno Premiani
Capas: Bruno Premiani / Bob Brown (edição #85)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.