Crítica | A Origem Secreta da Liga da Justiça (1988)

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A primeira história de origem da Liga da Justiça apareceu na LJA #9, de 1962, onde os heróis se encontraram por acaso, no meio de uma investigação sobre estranhos meteoros que caíram na Terra, cada um contendo um tipo diferente de criatura que queria dominar o planeta pela transformação da vida animal em seus semelhantes. Após a Crise nas Infinitas Terras, com a recriação de diversas histórias de origem de heróis e equipes, foi a vez da Liga ganhar a sua, na edição #32 da série Origens Secretas Vol.2, publicada em novembro de 1988.

Baseado na história original de Gardner Fox e com ideia geral de Keith Giffen, o roteiro dessa aventura foi escrito por Peter David, que seguiu exatamente os passos do “problema apellaxiano”, iniciando a narrativa com uma excelente visão do que poderia ter acontecido em Apellax para que fossem enviados sete campeões a fim de disputarem a liderança do planeta, conseguindo assim o cargo de chefe em Apellax. E a trama funciona bem com esse ponto de vista, criando um verdadeiro assassino e outros seis mentirosos, que por quererem a mesma coisa, aceitam um “julgamento por combate”, onde suas mentes são transferidas para corpos sintéticos, aptos a dominar a Terra sob as formas de rocha, mercúrio, pássaro de ouro, vidro, árvore, fogo e diamante.

Diferente da versão dos anos 60, esta nova história não conta com a Mulher-Maravilha (substituída pela Canário Negro) nem com o Batman. Na Era de Prata, o Cruzado de Capa e Kal fazem um pequeno cameo, mas aqui, o Azulão aparece sozinho, já tendo enfrentado a criatura de diamante na Antártida e a transformado em carvão, partido sem nem falar com os heróis recém libertos da criatura-árvore. Assim como o Flash, o leitor classifica a atitude como esnobe, mas considerando os aspectos mitológicos em torno do personagem e o charme que normalmente se faz em suas introduções, dá para compreender esse tipo de atitude. Nesta versão da Era Moderna, a Liga tem como membros originais:

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Um quinteto meio sem jeito, mas… simpático.

Quem conhece a história original da invasão apellaxiana não irá se surpreender com o desenvolvimento do enredo. A sequência de eventos é apenas adaptada à nova realidade e as coisas acontecem de maneira mais rápida e fluída, com uma boa composição artística de Eric Shanower e sempre viva coloração de Gene D’Angelo. Aliás, esta é a sensação que nós temos o tempo todo. De um ambiente alegre, claramente marcado por problemas sociais e cósmicos, mas que está apto a receber os heróis em seu cotidiano, um otimismo que aos poucos se dissiparia na própria cronologia da DC.

Há momentos de bom humor dentro de cada bloco, com destaque para as reflexões do Aquaman, que claramente foram um toque do autor para as pessoas que dizem que o herói é inútil; e do Flash, sempre alegre e disposto a fazer amigos. Aliás, é dele a ideia de formar o grupo, que encontra certa resistência de J’onn, mas rapidamente se fortalece, pois todos os cinco se sentem meio solitários e claramente estão à procura de amigos que também sejam heróis. Sem contar que todos parecem se divertir bastante ao batalhar contra os meteoros-criatura.

Objetiva e com boa ligação com o público, tal qual a maioria das histórias da série Origens Secretas, esta saga não exagera na quantidade de sugestões para o futuro e nem se poupa de explorar o momento presente do quinteto. Trata-se de um bom primeiro retrato que, mesmo não tendo grandes reviravoltas e a despeito dos tropeços narrativos no final, acaba divertindo. A ausência da Mulher-Maravilha é bastante sentida, mas isso não torna a história ruim. Uma década depois, esta mesma base textual seria utilizada  por Mark Waid e Brian Augustyn em uma espécie de livro de memórias na ótima minissérie LJA: Ano Um.

The Secret Origin of the JLA: Secret Origins Vol.2 #32 (EUA, novembro de 1988)
DC Comics

Roteiro: Peter David (baseado em um plot de Keith Giffen e no roteiro de Gardner Fox)
Arte: Eric Shanower
Cores: Gene D’Angelo
Letras: Gaspar Saladino
Capa: Eric Shanower
Editoria: Mark Waid
43 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.