Crítica | A Origem Secreta dos Jovens Titãs: Peças do Quebra-Cabeça

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Existem versões dessas origens secretas que se saem no mínimo bem em retratarem o passado através de um outro ângulo, preenchendo certos buracos narrativos e dando maior sentido às tramas tão conhecidas dos personagens e grupos em início de carreira. Assim foi em O Mito da Criação, e também com a Liga da Justiça, em 1988 e outra vez, com o mesmo, grupo em 2003. Outras versões, no entanto, parecem mergulhadas demais em sua visão de “fazer referências” — inclusive de coisas dramaticamente inúteis –, abrindo as portas para roteiros que simplesmente não conseguem um bom resultado quando voltam o olhar para um ponto diferente das origens clássicas, como observamos em A Origem Secreta do Superman da Era de Ouro e, igualmente, no presente caso, A Origem Secreta dos Jovens Titãs.

Um ponto muito importante que deve ser levado em consideração aqui é a ambição. O roteiro de George Pérez mergulha de maneira quase irresponsável em uma jornada que não só põe em cena momentos icônicos e de REAL origem dos Jovens e depois dos Novos Titãs, mas faz uma visita ambiciosa aos bastidores e momentos não vistos antes em arcos ou eventos marcantes da carreira do grupo, tendo, claro, a sua maior falha na representação da versão clássica da equipe, fazendo referências a Os Mil e um Perigos do Senhor Ciclone e flertando indiretamente (através de sugestões narrativas e pequenos símbolos ou outros componentes da arte que permeiam o sonho maluco de Dick Grayson, na linha presente da história) com O Homem Fragmentado, e as reais primeiras aventuras da equipe, O Retorno dos Jovens Titãs (O Desafio)O Ídolo de Xocatã.

Como o roteiro opta por lançar um mistério inicial e deixar o leitor esperando uma resolução ligada a um elemento narrativo de “origem de personagens”, fica difícil não tirar algumas conclusões precipitadas, todas muito bem alimentadas pelo texto (com um mal resultado final), que segue viajando numa balsa onírica com DG em um pesadelo que o coloca no centro das atenções. Como se o moço já não tivesse o ego inflado o bastante… Pelo menos aqui, o pesadelo atribui a Grayson não apenas o papel de mandão, mas também de alguém que tem um legado e uma pressão enorme para segurar e cumprir, algo que não necessariamente atribuíram a ele, mas que acabaram por assumir como um papel social para ele.

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Assim, parece-nos que todo esse anual da Secret Origins Vol.2 funciona mais como uma retrospectiva de ação do Robin como parte dos Jovens Titãs e suas ações nos Novos Titãs do que uma investigação pormenorizada do passado do time.  Tom Grummett assume o lápis da história principal, com finalização de Pérez e cores de Adrienne Roy, mas existe um grande número de “colagens” artísticas no decorrer das páginas, com colocação de cenas inteiras desenhadas por outros artistas em revistas dos anos anteriores, especialmente no início e quando o texto passa a reviver — na parte mais arrastada de toda a saga — A Origem dos Jovens Titãs da Costa Oeste. Para nossa alegria, os desenhos e o enredo vão pouco a pouco ganhando um pouquinho mais de suportabilidade e à medida que o tempo avança e chegamos à fase Pérez/Wolfman, a coisa muda de figura. O enredo, a este ponto, não tem mais muita coisa para oferecer, visto o tempo que passou rememorando histórias com detalhes cuja importância para a origem (secreta) dos Jovens Titãs é próxima do zero, mas ainda assim, consegue apresentar coisas o suficiente para ficar na corda bamba e não cai por completo.

O capricho do roteiro neste volume é ressaltar o sofrimento a “grande luta” que esses jovens passaram para então se reunirem, a despeito de todos os tropeços, desavenças e dificuldades, e vencerem seus inimigos internos e externos. Mais americano impossível, hein? O que conforta, nisso tudo, é que a gente sabe que os Jovens Titãs, têm tramas — secretas ou não — que fazem jus à popularidade e amor da equipe no coração de muitos leitores. A presente história, porém, não é uma dessas tramas. Não é necessariamente ruim, mas é algo sem o qual o leitor pode passar tranquilamente.

Secret Origins Annual Vol.2 — Annual #3: Pieces of the Puzzle (EUA, 1989)
No Brasil: Super Powers #19 (Editora Abril, 1990)
Roteiro: George Pérez
Arte: Tom Grummett
Arte-final: George Pérez
Cores: Adrienne Roy
Letras: John Costanza
Capa: George Pérez
Editoria: Mark Waid
84 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.