Crítica | A Profecia 2

estrelas 1,5

No primeiro filme, a batalha travada entre o bem e o mal ganhou proporções gigantescas. Nesta continuação, a batalha da vez está entre o original (o bem) e a continuação (o mal): ao pongar em aspectos do primeiro filme de forma inferior, além de adentrar na mania slasher de focar na contagem de corpos, A Profecia 2 é um fracasso narrativo. Custou o dobro do orçamento da produção de 1976, mas não chega aos pés do clima, da técnica e dos resultados de seu predecessor.

O filme começa com um prólogo que esmiúça cada detalhe que poderia ser descoberto em camadas ao longo da narrativa. Dois homens investigam os acontecimentos do final de A Profecia, assunto que ganhou os jornais em todo o mundo: o diplomata que durante um estado de loucura, tentou dizimar a vida de seu filho pequenino. Após uma visita arqueológica para investigar uma suposta pintura antiga que apresenta uma prostituta da Babilônia com rosto semelhante ao de Damien, os pesquisadores são soterrados, graças às forças do mal que insistem em atuar para que as coisas não saiam do projetado: o Anticristo precisa voltar e reinar o mundo.

Sete anos depois, Damien (Jonathan Scott-Taylor) passa a ser criado por seu tio, um empresário que comanda uma empresa de produtos alimentícios. Assim como o pai de garoto, o tio é comunicado diversas vezes sobre a malignidade da criança, mas recusa-se a acreditar. Um a um, todos os que tentam avisar ou cruzam o caminho de Damien, são mortos em circunstâncias aparentemente acidentais. Com o tempo e a soma de coincidências, o tio desperta para a realidade, mas os antagonistas parecem ter mais força para guiar a questão à favor do “mal”.

Apesar dos problemas, Damien está bem no processo transitório envolvendo a puberdade e todas as dúvidas que acometem os jovens nessa fase. No auge dos seus 13 anos de idade, estudando num ambiente de regime militar, inicialmente ele se assusta, mas logo aceita a sua realidade, haja vista a dificuldade em declinar da função, bem como o poder que ganharia a partir daquele momento. Por falar em poder, cabe ressaltar que a narrativa está envolta em uma conspiração satânica que mescla indústria, exército e política, o que permite ao filme ganhar contornos contextuais interessantes à guisa de análise sociológica.

Se o personagem protagonista não é um problema, não podemos dizer o mesmo do roteiro da produção. As mortes parecem oriundas de um slasher. Faltou apenas a presença de um psicopata mascarado. A sequência de cadáveres oriundos de mortes violentas demonstra a falta de criatividade do roteirista, bem como a associação com o período, haja vista que no mercado de horror, o que chamava a atenção do publico eram filmes como Halloween – A Noite do Terror, os giallos italianos e, alguns anos depois, os filmes da saga Sexta-Feira 13.

As lendas e maldições em torno dos bastidores, desta vez, não foram tão amplas como anteriormente. Há apenas um caso curioso: não havia epidemia de gripe na região de filmagens, Chicago, entretanto, quase todos os membros da equipe caíram doentes por alguns dias. Coincidência ou ação das forças do mal?

Ao longo dos seus 107 minutos, a narrativa montada por Robert Brown e dirigida por Don Taylor mostra-se ineficaz, pouco expressiva e carente de um bom roteiro que conduza os conflitos numa linha narrativa “temperada”. As esperanças dos espectadores desanimados foram depositadas em um possível desfecho mais digno, algo que poderia ser oferecido por A Profecia 3 – O Confronto Final, lançado em 1980, tendo Sam Neill como intérprete de Damien aos 32 anos de idade.

A Profecia 2 (Damien: The Omen II ) – EUA, 1978.
Direção:  Don Taylor.
Roteiro: Stanley Mann e Mike Hodges, baseado no argumento de Harey Bernhard.
Elenco: William Holden, Jonathan Scott-Taylor, Sylvia Sidney, Lance Henriksen, Lee Grant, Lew Ayres, Nicholas Pryor, Alan Arbus.
Duração: 107 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.