Crítica | A Profecia 3 – O Conflito Final

estrelas 2,5

Os anos 1970 demarcaram para sempre o campo da produção cinematográfica no que tange aos aspectos do gênero terror, em especial, o subgênero “filmes sobre presenças demoníacas”. Ao lado do excepcional O Exorcista, a franquia de Damien, o menino destinado a ser o Anticristo, foi em copiada numerosas vezes nas décadas seguintes, no geral, através de péssimas releituras dos melhores momentos de ambos os filmes. Qualquer filme sobre uma criança possuída nos remeterá ao horror psicológico com Linda Blair, assim como toda criança maligna nos leva a pensar no aterrorizante clima de A Profecia.

É como filmar uma cena de assassinato no chuveiro. A ilação com Hitchcock será sempre imediata e comparativa. E no final das contas, o predecessor sempre sairá com uma leve vantagem, haja vista a sua “originalidade” e “aura” que lhe encobre diante de cinéfilos e críticos geralmente bem atentos. Com as continuações o esquema é muito parecido. Em A Profecia 3 – O Conflito Final, as comparações com o primeiro filme são parte desta cobrança, mas diante do panorama que nos revelou um péssimo segundo volume, pouco era de se esperar do seu terceiro exemplar.

Para a surpresa dos espectadores, o terceiro filme consegue ser um pouco melhor que o antecessor. Desta vez, Damien Thorn (Sam Neill), o Anticristo, está com 32 anos de idade. Levemente charmoso e atraente, ele ocupa um lugar de prestígio numa poderosa multinacional. Com planos de alcançar mais poder e ser presidente dos Estados Unidos, Damien agora tem uma nova missão: destruir o legado de Cristo na Terra.

Ao ser informado da segunda vinda de Cristo, o filho do demônio encomenda a morte de todas as crianças que estão prestes a nascer em uma determinada data, tal como o relato do “malvado” Herodes, um dos trechos de maior violência nas sagradas escrituras.

Assim como aponta as profecias bíblicas, Damien é a representação fiel do falso profeta. Posa de filantropo e se envolve com uma repórter, Kate Reynolds (Lisa Harrow), estabelecendo, por sua vez, uma relação estranha, entretanto, curiosa, com o filho da moça, o jovem Peter (Barnaby Holm). E adianto-lhe, caro leitor, não é uma relação pedófila ou algo do tipo, mas uma espécie de doutrinação para o mal.

As coisas se complicam para a horda de Damien quando um de seus seguidores, Harvey Dean (Don Gordon), homem que o ajuda a executar a maioria de seus planos diabólicos, inclusive diminuir a lista de recém-nascidos, está com a esposa grávida e prestes a dar à luz ao primeiro filho. Em conflito, Harvey bate de frente com o Anticristo, encontrando um final nada feliz para a sua trajetória.

Para atrapalhar os planos apocalípticos, eis que surge um grupo de monges liderado por De Carlo (Rossano Brazil), homem responsável por tomar posse de uma das adagas de Meggido, uma região de Israel, única arma capaz de derrotar Damien. Antes de sua derrocada, no entanto, entre “travessuras” e “desventuras”, o vilão vai ceifar a vida de muitos personagens.

No que diz respeito aos aspectos visuais, o filme cai na mesmice, com apenas uma cena memorável, o diálogo entre Damien e uma imagem de Cristo que sangra. O ator, ao conseguir unir uma imagem cruel com um toque sedutor, tornou-se o ponto alto desta continuação preguiçosa e sem inspiração.

Dentro de uma dinâmica de 108 minutos, A Profecia 3 – O Conflito Final é um filme que demonstra sinais de cansaço. As coisas parecem acontecer no automático e os diálogos nos mostram personagens que parecem não acreditar nas sentenças que pronunciam. Lançado em 1981, pareceu o desfecho da franquia. De fato, a história de Damien termina neste filme, com direito ao final feliz que Hollywood ama: o bem venceu o mal, mesmo depois de tantos cadáveres e três filmes. A quarta parte, lançada direto para televisão, não se relaciona com os três primeiros, nem com a refilmagem de 2006, tampouco com a série televisiva que estreou em 2016.

A Profecia 3 –  O Conflito Final (The Final Conflict ) – EUA, 1981.
Direção:  Graham Baker.
Roteiro: Andrew Birkin, baseado no argumento de David Seltzer.
Elenco: Sam Neill, Rossano Brazi, Don Gordon, Lisa Harrow, Barnaby Holm, Mason Adams, Robert Arden, Milos Kirek.
Duração: 108 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.