Crítica | A Recompensa

estrelas 2

Richard Shepard é um diretor com um bom número de trabalhos na televisão e algumas realizações de relativa repercussão no cinema, com destaque para O Matador e A Caçada. Dono de uma visão esteticamente dinâmica e narrativamente ágil e corajosa, suas produções geralmente contam com boas surpresas, a maioria delas vindas da boa direção do elenco e do bom ritmo que os roteiros possuem. Infelizmente, ao menos no caso do texto, esta não é a realidade de A Recompensa.

A película traz a história de Dom Hemingway um bandido irascível e de “dedos ágeis”, sempre pronto para fazer um longo e cínico discurso sobre qualquer coisa e gabar-se poeticamente sobre as mil maravilhas que seu pênis é capaz de fazer — situação posta já na primeira e um tanto constrangedora cena do filme. O roteiro não dá a Dom Hemingway uma verdadeira ou justa profundidade, mesmo ele sendo a pessoa mais importante da fita, fazendo-o passar por situações que não podem ser confundidas com bom desenvolvimento de sua personalidade e sim como elementos-de-em-empurra do enredo, que por sua vez é tão frágil que nem os intertítulos à guisa de crônica diária conseguiram salvá-lo da superficialidade.

Para falar a verdade, o que salva em partes o filme são as interpretações de Jude Law, como Dom Hemingway e Richard E. Grant, como Dickie. Por serem opostos em ações e temperamento, os personagens ganharam excelentes contornos na pele dos atores, desde o lado cômico de suas ações em conjunto até alguns pequenos momentos de encontro pessoal que têm consigo mesmo.

Esse tipo de exploração para personagens que são melhores amigos geralmente funciona bem no cinema, mas, no caso de um roteiro que foi concebido aos pedaços e que faz questão de que os blocos individuais sigam o mesmo caminho, a dualidade se descaracteriza e perde o apelo junto ao público.

Só conseguimos manter alto o nível de avaliação para Dom e Dickie porque os atores simplesmente dominam a atmosfera dramática quando estão em cena. Jude Law encarna um falador estúpido de maneira plural, com força vocal, expressões e ritmo de atuação diferentes para cada segmento. Se compararmos o seu discurso inicial, ainda na prisão, com a sequência na casa de Ivan ou o bloco em que ele vai abrir o cofre no pub de Lestor, perceberemos o meio como ator facilmente se tornou a melhor coisa do filme. Se o roteiro desse justificativas fixas em um linha coerente de eventos para tais mudanças, o resultado final seria bem diferente.

Embora a trilha sonora não seja usada corretamente o tempo inteiro — ela é interrompida cedo demais ou aparece cedo demais em algumas cenas — as escolhas dos tema melódicos ou música incidental são muito bons. Ao lado da fotografia estilosa de Giles Nuttgens, que brinca com uma composição plástica para as cenas noturas e com modulada saturação de cores para as diurnas, além de subverter de forma inteligente o sentido dos planos médios e próximos, a trilha consegue deixar a obra agradável, mesmo que não a salve de seu abismo de sentido; abismo que recebe uma grande contribuição da montagem, especialmente na abertura e finalização do filme.

A Recompensa é uma obra nos deixa extremamente curiosos pelo que promete, mas pouco entrega do que foi prometido. Trata-se de uma trama com dois grandes atores nos papeis principais e constituição visual bem elaborada, mas cujo diretor falha grandiosamente em fazer valer seu argumento e conseguir do público qualquer avaliação compensadora no final.

A Recompensa (Dom Hemingway) – Reino Unido, 2013
Direção: Richard Shepard
Roteiro: Richard Shepard
Elenco: Jude Law, Luca Franzoni, Richard Graham, George Sweeney, Mark Wingett, David Baukham, Nick Raggett, Simeon Moore, Richard E. Grant, Glenn Hirst, Kaitana Taylor
Duração: 93 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.