Crítica | A Sombra da Múmia

estrelas 1

Remakes, reboots, continuações e afins basicamente se tornaram as marcas da Hollywood atual, cujas produções originais ficam às sombras dos gigantes blockbusters os quais sugam determinadas fontes até a exaustão (filmes de super-herói, estou olhando para vocês). Apesar disso, as desnecessárias sequências sempre estiveram presentes no cinema americano, ainda que em menor quantidade, um desses caso é a série de filmes A Múmia, que utilizara o sucesso do longa-metragem de 1932 para criar uma franquia, separada em termos de trama, mas com a exata mesma premissa. A Sombra da Múmia é o terceiro desses filmes, continuando de A Tumba da MúmiaA Mão da Múmia.

A trama tem início com o sumo sacerdote do culto de Arkam, Andoheb (George Zucco), convocando Yousef Bey (John Carradine) para entregá-lo uma missão: a de recuperar o cadáver de Ananka, utilizando a múmia Kharis (Lon Chaney Jr.) para se livrar de qualquer impedimento. Enquanto isso, nos EUA, Amina Mansori (Ramsay Ames), uma garota egípcia é abalada por pesadelos e posteriormente descobre que é a reencarnação de Ananka. Junto de seu namorado, Tom Hervey (Robert Lowery) eles precisam acabar com a ameaça dessa múmia que, novamente, retorna para infernizar a vida de todos.

O grande problema de A Sombra da Múmia é que seu antecessor já soava como uma grande repetição daquilo que viera antes, claramente um longa-metragem produzido apenas para ganhar mais dinheiro, sem a menor preocupação em nos entregar uma trama diferenciada. O mesmo ocorre aqui, visto que a obra se apoia nas mesmas fórmulas, a tal ponto que algumas sequências soam como meras releituras, repetindo velhos clichês que mais cansam o espectador do que realmente o engajam na narrativa. O próprio trecho inicial parece ter sido copiado dos filmes anteriores, a tal ponto que se torna risível a perseverança desse culto à Ananka.

O mesmo vale para a múmia, Kharis, em si, que demosntra ser mais imbatível que Jason da franquia Sexta-Feira 13. Assim como nos slashers que viriam anos depois, a criatura se movimenta da forma mais lenta possível e ainda assim consegue assassinar inúmeras pessoas, que se contentam em correr até a parede mais próxima e permanecerem estáticas, como se aquele fosse, verdadeiramente, o fim da linha. O aspecto que mais exige de nossa suspensão de descrença, contudo, é a a forma como todos encaram a múmia ambulante, com direito a jornais noticiando que isso, novamente, está acontecendo, como se fosse algo que víssemos todos os dias.

Esse ponto praticamente funciona como elemento metalinguístico, já que o espectador, que chegou até aqui, já presenciou a exata mesma coisa mais de uma vez, com filmes que seguem uma idêntica estrutura narrativa: algum culto se encarrega de reviver ou usar a múmia, ela passa a matar pessoas, os mocinhos continuam despreocupados até serem atacados e, a partir daí, seguem para tentar impedir esse ser que retornara dos mortos. O único elemento que chega a funcionar dentro da obra é a caracterização de Kharis, que se mantém como um ser aterrador. Claro que isso é estragado pela fotografia muito clara, inclusive nas tomadas noturnas, que tira qualquer possível mistério da narrativa. O clássico “menos é mais” é claramente dispensado aqui.

A Sombra da Múmia é a prova de como franquias podem ser exauridas quando trabalhadas incessantemente. Não acrescentando absolutamente nada de novo a essa série de filmes envolvendo a criatura egípcia, temos aqui uma obra completamente dispensável, que apenas repete fórmulas, sem conseguir resgatar o brilho do longa-metragem de 1932. Completamente dispensável, é realmente surpreendente que o filme tenha gerado uma outra sequência: A Maldição da Múmia, que mais uma vez tira Kharis de seu sono profundo.

A Sombra da Múmia (The Mummy’s Ghost) — EUA, 1944
Direção:
 Reginald Le Borg
Roteiro: Griffin Jay, Henry Sucher, Brenda Weisberg
Elenco: Lon Chaney Jr., John Carradine, Robert Lowery, Ramsay Ames,  Barton MacLane, George Zucco,  Frank Reicher, Harry Shannon, Emmett Vogan
Duração: 61 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.