Crítica | A Supremacia Bourne

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estrelas 4,5

Obs: Leia a crítica de todos os demais filmes da série: franquia Bourne. Crítica originalmente publicada em 04 de setembro de 2012.

Uma armação. Uma morte. Desejo de vingança. Assim começa o acelerado e energético A Supremacia Bourne, continuação do sucesso de dois anos antes, A Identidade Bourne, estrelando Matt Damon no papel principal e dirigido por Paul Greengrass.

Inspirado livremente na série de livros homônima de Robert Ludlum, A Supremacia Bourne já começa no meio do fogo cruzado, dois anos depois dos eventos do primeiro filme, com uma missão da CIA comandada por Pamela Landy (Joan Allen) sendo sabotada por Kirill, um agente russo vivido por Karl Urban. As pistas plantadas por Kirill, porém, levam Landy a crer que foi Bourne o responsável.

Corta para Goa, na Índia, e vemos Bourne acordando de um pesadelo composto de fragmentos de memórias que se recusam a ir para a superfície completamente. Atormentado, ele levanta para ser imediatamente consolado por Marie (Franka Potente), ainda ao seu lado. Seu aparente descanso da eterna fuga iniciada no primeiro filme está para acabar, porém, já que Kirill chega para eliminar Bourne. Suas razões não são claras, mas o resultado do embate é o assassinato de Marie, em tocante cena que ecoa o início da vida desmemoriada de Bourne, boiando na água. Com a mente funcionando a mil por hora, o super-espião parte, sem titubear, para se vingar de seus antigos mandantes, que ele considera responsáveis.

Dessa vez, o tema é redenção, perdão. Jason Bourne continua um pária da sociedade pois sabe que fez muito mal a inocentes em outra vida. Ao mesmo tempo em que quer fugir de sua antiga persona, ele reconhece, lá no fundo, que isso é impossível, especialmente porque, de alguma forma, ele sabe que precisa colocar tudo em panos limpos. A perda de Marie, de quem ele realmente gostara, é apenas um estopim para os eventos do filme, acelerando acontecimentos que, mais cedo ou mais tarde, ocorreriam de uma forma ou de outra.

Paul Greengrass entra nesse trem colocado em movimento por Doug Liman (agora só produtor) sem perder o equilíbrio e entrega um filme tão bom quanto o original. Apesar de a história ser um pouco menos contagiante, Greegrass compensa com seu excelente manejo da câmera e cortes eficientes que, mesmo nas cenas de luta, consegue valorizar a coreografia e atuações, sem fazer o espectador perder o fio da meada. O roteiro, assinado por Tony Gilroy, é preciso e não perde tempo com explicações desnecessárias, nem mesmo quando personagens novos são introduzidos. O espectador, pela primeira meia hora, e muito na linha do que os personagens estão vivendo, fica sem saber exatamente o que está acontecendo até que Bourne de um lado e Landy de outro começam, de maneira independente, a montar o complexo quebra-cabeça.

Damon e Potente, exatamente como no primeiro filme, estão muito confortáveis em seus respectivos papéis, demonstrando familiaridade com os personagens. Damon em especial passa um ar de credibilidade que poucos heróis de ação têm. Ele não é mais o desmemoriado completo do filme anterior, mas continua assombrado por um passado que, se de um lado não lembra completamente, de outro não quer lembrar. O conflito é visível no rosto do ator, mesmo quando ele se transforma inteiramente em uma eficiente máquina de matar. Brian Cox também repete seu papel de Ward Abbott, ganhando mais relevância na trama e sua atuação condiz perfeitamente com seu papel, sempre em um estado de “calma nervosa” que vai evoluindo em um crescendo exasperante.

A adição de Joan Allen ao elenco foi uma grande escolha. A atriz consegue ser uma excelente contrapartida a Damon pois sua Pamela Landy transparece profissionalismo e calma na mesma medida que Jason Bourne. E, apesar dos dois jamais compartilharem tempo de tela, o rapport entre eles é sensacional.

Karl Urban também foi outra escolha inspirada, espelhando o papel de Clive Owen no primeiro filme. Na verdade, Urban é tão intenso em seu papel – bem mais que Owen, que deixa seu lado de “bom moço” transparecer facilmente – que a batalha final entre ele e Bourne acaba sendo extremamente satisfatória, daquelas que lavam a alma. São dois iguais enfrentando-se em uma batalha até o fim, algo que é menos evidente ou menos trabalhado no primeiro filme.

A busca de Bourne por salvação ou, no mínimo, pela compreensão do que é, acaba em um belo epílogo na Rússia, em que ele confessa seus crimes a uma inocente vítima de suas ações. É um momento perfeito, que não vemos em filmes de ação comuns e que continua a tendência da franquia de mostrar que veio para ser mais do que entretenimento descartável ou facilmente esquecível. A Supremacia Bourne é um thriller de ação e espionagem superior e, portanto, obrigatório na prateleira de qualquer cinéfilo ou apreciador do gênero.

A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy, Estados Unidos/Alemanha – 2004)
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Tony Gilroy
Elenco: Matt Damon, Frank Potente, Brian Cox, Julia Stiles, Karl Urban, Gabriel Mann, Joan Allen, Marton Csokas, Tom Gallop, John Bedford Lloyd, Ethan Sandler, Michelle Monaghan, Karel Roden, Tomas Arana, Oksana Akinshina
Duração:  108 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.