Crítica | À Toda Prova

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Posted 14 de abril de 2012 by in Críticas
Haywire

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Nota
 
 
 
 
 

1/ 5

Título Original: Haywire
 
Ano de Produção: 2011
 
País de Produção: Estados Unidos, Irlanda
 
Direção: Steven Sorderbergh
 
Roteiro: Lem Dobbs
 
Elenco: Gina Carano, Michael Douglas, Antonio Banderas, Michael Fassbender, Ewan McGregor, Channing Tatum e Bill Paxton
 
Duração: 93 min.
 
Subcategoria: ,
 

Steven SorderBLERGH!

by Caio Viana
Full Article

É complicado compreender o que Steven Soderbergh vem fazendo com sua carreira. Como um diretor capaz de reunir elencos fantásticos em filmes de baixo orçamento pode, simplesmente, decair de tal maneira? Tudo bem o cineasta não possuir uma carreira exatamente linear, mas desperdiçar seu talento relativo com obras desse naipe é exigir demais da paciência de seu público. Seu novo projeto, À Toda Prova, é um filme que não passa pela sabatina mais simplória, falhando não só em ter uma protagonista que desperte o mínimo interesse, como em não tornar descartável um elenco de peso, seguindo a mesma linha do recente Contágio. Se nesse último, o diretor conseguia ao menos manter um resultado que pudesse ser levado a sério, graças ao tom da narrativa, aqui ele sequer alcança a sobriedade.

Assim, nos deparamos com uma história que não interessa, nem mesmo em suas supostas reviravoltas mais que aguardadas. Gina Carano, lutadora de MMA, interpreta a si mesma, enquanto seguimos o clichê do gênero espionagem mais vingança, passando por algumas locações, troca de tapas e uma mocinha que nunca se despenteia e ainda tem tempo de arrumar os cabelos para o confronto final.

Por mais que a fotografia e a montagem do filme, assinadas por pseudônimos do próprio Soderbergh, impressionem num primeiro momento, logo os cacoetes do diretor vem à tona, substituindo sons diegéticos por uma trilha sonora atípica, que reduz o peso das cenas cruas, e conduzindo a edição de maneira a soar inteligente, separando-se de Onze Homens e Um Segredo, que obteve êxito no quesito em questão.

Assim, o que temos é uma salada do melhor de Sorderbergh, temperada pelo pior de sua capacidade, já que contamos com uma sonoridade que mais serviria a O Desinformante, um ritmo de ação que facilmente se encaixaria em Traffic, e um escopo narrativo saído direto de Contágio – peças de quebra-cabeças que aqui não se misturam, como água, óleo e mel.

Coroando o imperador que usurpa o trono contra o vontade do povo, Michael Douglas, Antonio Banderas, Michael Fassbender, Ewan McGregor, Channing Tatum e Bill Paxton, nada têm a acrescentar à fita, já que são pessimamente conduzidos pelo diretor e surgem completamente apáticos, servindo apenas para envergonhar ainda mais a tentativa de interpretação de uma pseudo-atriz que, na falta de saída melhor, sustenta-se em muletas mais que evidentes como morder os lábios quando tem dúvidas, ou cerrar os olhos parcialmente e fazer cara de esperta quando acha que está por cima. Até mesmo numa conversa ao telefone com Bill Paxton, seu pai na trama, a agente secreta de Carano consegue perder forças, sobressaindo-se apenas nos embates corporais, onde cresce em relação aos demais, mas é prejudicada pelo “clímax” ao final em que, depois de tanto exaurir seu talento combativo, nos deparamos com um confronto que facilmente se compara às cenas ensaiadas de O Último Mestre do Ar, já que agora manjamos todos os seus truques.

E o roteiro, de um tal de Lem Dobbs, com nada que preste em seu currículo (até onde o conheço), ao menos se destaca, visto que consegue acompanhar com eficiência todos os demais méritos dessa obra-prima soderberghiana, que nem merecia ter o nome de seu idealizador transformado em um adjetivo.

Enfim, caros leitores, peço desculpas pela crítica fora do padrão de tamanho e pouco polida, mas isso é o que ocorre quando saio de uma experiência frustrada por um amadorismo exemplar que não funciona nem como crítica ao gênero…



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About the Author

Caio Viana

Tirando aquele conservadorismo de pensamento dos direitistas americanos, sou vingativo, birrento em alguns casos, gosto dos meus amigos, mas tiro sarro deles até não poder mais. Sou frio e calculista, um pouco ingênuo para algumas coisas e sei ser louco ou bem comportado quando a situação pede. Sou um lobo solitário, velho conterrâneo de guerra. Prazer, meu nome é Pierce.

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