Crítica | A Torre Negra (Com Spoilers)

estrelas 2,5

– Há spoilers do filme e dos livros. Leiam, aqui, a crítica sem spoilers.

Não costumamos fazer mais de uma crítica por filme aqui no site, a não ser em casos de obras de grande hype, em que dividimos entre críticas sem spoilers, para publicação imediata e outra com spoilers, para lançamento uns dois ou três dias depois. A Torre Negra, apesar de ser baseado em um festejado épico de Stephen King, não angariou hype suficiente para merecer o tratamento duplo, mas, mesmo assim, decidimos seguir em frente com a análise com spoilers com o objetivo primordial de traçar um comparativo entre o filme de Nikolaj Arcel e a série literária do Mestre do Horror.

Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto de seu pai.

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Antes de começar a análise propriamente dita, cabem dois comentários importantes para balizar a crítica e as expectativas dos leitores:

(1) Eu sou o primeiro a defender com todas as letras que adaptações são adaptações e não cópias do material fonte. Simplesmente adoro quando a versão cinematográfica ou televisiva de um livro ou de uma HQ diverge bastante da obra primígena, mantendo o espírito do original. Portanto, o exercício proposto aqui é o de traçar paralelos e lidar com as escolhas cinematográficas feitas pela produção, não necessariamente dizer coisas como “por Zeus, o pai do Pistoleiro morre de maneira completamente diferente do livro” e coisas bobas do gênero.

(2) Por incrível que pareça, apesar de ter lido toda a série principal de sete livros sobre A Torre Negra e mais o conto que cronologicamente precede o primeiro, o oitavo livro que fica encaixado entre o quarto e quinto volumes e até o livro infantil, além de todos os 16 volumes da adaptação em quadrinhos, não sou fã dessa criação de Stephen King. Sempre achei os livros extremamente desequilibrados qualitativamente e carregados de uma egotrip do autor que muito mais me afastou do que me atraiu pela jornada de Roland Deschain pelo Mundo-Médio. Se vocês estão se perguntando porque raios então eu li tudo, saibam que eu mesmo me fiz essa pergunta e não tenho uma resposta que não seja teimosia extrema aliada a T.O.C.

O Homem de Preto fugia pelo deserto…

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A produção de A Torre Negra foi conturbada. Desde 2007, começando com J.J. Abrams, Carlton Cuse e Damon Lindelof, o projeto vinha circulando de uma forma ou de outra por Hollywood. A primeira ideia era, claro, uma série de sete filmes, seguindo substancialmente os sete livros originais de King. Dificuldades para encontrar um denominador comum e o tempo que teria que ser empregado nessa jornada acabaram afastando os primeiros nomes ligados ao projeto.

Em 2010, Ron Howard passou a encabeçar os esforços perante a Universal Studios, mas de uma forma diferente e bastante ousada: seriam três filmes intercalados por duas séries de TV (ou duas temporadas de uma mesma série, isso não ficou claro) que serviriam de ponte entre um lançamento cinematográfico e outro. Akiva Goldsman escreveria os roteiros, Howard dirigiria e Brian Grazer e o próprio Stephen King produziriam. Anos se passaram, a Universal pulou fora, a Warner mostrou interesse, diversos atores – inclusive Russell Crowe – foram pensados para viver o protagonista, mas nada aconteceu.

A produtora MRC, então, comprou a opção da Warner e, em 2015, anunciou, junto com a Sony Pictures, que o projeto finalmente sairia do papel, ainda com Goldsman, mas com um roteiro retrabalhado por ele e Jeff Pinkner. Howard estava fora como diretor, mas permaneceria na capacidade de produtor. Depois que Nikolaj Arcel foi contratado, ele e Anders Thomas Jensen mexeram novamente no roteiro, com Matthew McConaughey sendo anunciado como o Homem de Preto, ao final de 2015, e Idris Elba como Roland Deschain, no começo de 2016, o que automaticamente significaria um passo aceleradíssimo de produção para o filme poder ser lançado em fevereiro de 2017, como era o plano original.

Conjugado a tudo isso, quando uma versão inacabada da obra foi levada perante audiências-teste, a recepção foi extremamente negativa, o que levou à Sony a desembolsar mais seis milhões de dólares para refilmagens. Isso levou à remarcação do lançamento do filme para julho e, depois, para agosto de 2017 e a um certo receio do estúdio pelo material que tinha em mãos. Como um dominó, esse receio levou a uma campanha de marketing mínima, quase inexistente para o filme e um desinteresse geral pela adaptação. Os fãs dos livros já tinham visto que não seria algo nem próximo da obra original e os que desconheciam a saga não pareceram se empolgar com trailers que pesavam a mão na ação, mas que não se decidiam entre faroeste e ficção científica.

O resultado? Acridoce para usar um eufemismo. Apesar de a produção de 60 milhões de dólares (sem contar o valor de cópias e marketing, que, em tese, duplica esse número) ter ficado em primeiro lugar em seu final de semana de lançamento nos EUA, esse final de semana em especial foi um dos piores de 2017. O filme fez menos de 20 milhões entre sexta e domingo e, até o dia da publicação da presente crítica (25/08/2017), acumulava apenas pouco mais de 73 milhões na bilheteria mundial, valor que provavelmente inviabilizará o futuro da esperada franquia.

…e o pistoleiro ia atrás. 

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A consequência dessa claudicância na produção é visível no resultado final. A Torre Negra é um filme sem alma, um denominador comum que reduz a obra original ao seu básico, retirando tudo que ela trouxe de novidade ao mesclar diversos gêneros – ficção científica, fantasia, faroeste – com cultura pop e um pot-pourri de auto-referências de King a suas mais diversas obras, criando um “kingverso”. Se levarmos esses aspectos em consideração, adaptar a saga era uma tarefa ainda mais complexa do que levar O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Game of Thrones ou As Crônicas de Nárnia para as telonas e telinhas, já que esses outros grandes épicos ficam restritos a um gênero apenas.

Isso e as várias mãos que tocaram nas versões do roteiro, começando pela sempre complicada visão de Akiva Goldsman (isso apenas para usar um adjetivo simpático) acabaram levando a escolhas que converteram algo diferente e com potencial em uma obra genérica, daquelas que já vimos tantas vezes por aí, sem o menor esforço de desafiar o espectador ou mesmo fazê-lo identificar-se por qualquer personagem, por mais carismático que Idris Elba e Matthew McConaughey possam ser. No entanto, não deixa de ser curioso ver o que eles fizeram aqui.

Afinal de contas, os eventos que dão impulso ao filme – a prisão Devar-Toi onde crianças “sapadoras” são forçados a usar seu poder mental para destruir os feixes que emanam da Torre Negra, centro do multiverso e de toda a realidade – somente são abordados efetivamente  no último livro da saga e, ao trazê-los para o começo da projeção, é possível notar a ambição dos roteiristas em serem ao mesmo tempo abrangentes e concisos. Afinal, quem leu os livros sabe que Roland, ao finalmente entrar na Torre Negra, é levado de volta à primeira página do primeiro livro, sem memória do que aconteceu, com Gan (o equivalente a Deus) dizendo basicamente para ele tentar novamente. A única diferença é que, agora, ele tem a Trombeta de Eld, artefato que ele havia perdido na Batalha da Colina de Jericó. Em resumo: é como em Feitiço do Tempo, trocando dias por décadas, com o protagonista tentando a mesma coisa de maneiras diferentes, até acertar. Esse final controverso – mas brilhante – para o épico é que levou à ideia da produção não em fazer uma adaptação dos livros, mas sim uma continuação.

Com isso, as modificações radicais na história são perfeitamente explicáveis, desde a inócua mudança na cor da pele de Roland até a destruição de Devar-Toi ao final do filme – e começo da jornada do herói -, algo que só acontece no último livro. Em outras palavras, os roteiristas tinham o que precisavam, uma versão de licença poética com esteroides para literalmente mexer no que quisessem e eles foram com sede ao pote, conseguindo até mesmo organicamente abordar as lendas arturianas, que influenciaram Stephen King, como parte direta da mitologia do filme ao deixarem claro que as armas de Roland foram feitas do aço de Excalibur, inovação exclusiva do filme.

Esse é o aspecto que me deixou feliz desde quando as primeiras imagens do filme foram liberadas. Assim como acontece com Preacher, eu teria “duas Torres Negras”, uma versão literária e outra cinematográfica completamente diferentes. Afinal, adaptação que é escrava do original normalmente desaponta ou, no mínimo, cansa.

O problema é que o preenchimento dessa tábula semi-rasa se deu com mais do mesmo, ainda considerando a inteligente escolha em focar a narrativa em Jake Chambers (Tom Taylor), o garoto que é sinônimo de tragédia nos livros, mas que forma parte essencial do ka-tet (grupo de pessoas e/ou animais unidos pelo destino com um objetivo em comum) americano de Roland, algo que já havia sido feito nos quadrinhos em relação a Eddie Dean, Susannah e ao próprio Jake, o que vemos desfilar diante de nossos olhos é uma obra que não diz a que veio. Jake tem visões sobre o Mundo-Médio, o Homem de Preto e Roland que são confundidas com traumas pós-morte de seu pai bombeiro em incêndio há um ano. Ao mesmo tempo, terremotos (na verdade, “feixemotos”) constantes e inexplicáveis acontecem em Nova York e outras partes do mundo e a sequência de abertura em Deva-Toi muito rapidamente os explica sem ser didático demais.

Depois de estabelecida essa premissa básica, a história é não mais do que uma interminável sucessão de perseguições a Jake pelo Homem de Preto  (McConaughey) e seus minions em Nova York, no Mundo-Médio e novamente em Nova York, com Roland (Elba) só sendo introduzido em carne e osso na história com 30 minutos de um filme de pouco mais de 90. E quem é Roland no filme? A ideia que é martelada a cada segundo de projeção é de que ele é um homem que busca vingança pela morte de seu pai pelas mãos – ou melhor, magia – do Homem de Preto. A simplificação de tudo que o pistoleiro representa para um homem amargurado que busca matar quem matou seu pai é narrativamente irritante. Não que esse aspecto desafie e perverta a essência dos livros, pois, se pensarmos unicamente no livro inaugural – O Pistoleiro – Roland é exatamente isso: alguém que quer pegar o Homem de Preto de qualquer forma, ainda que por razões mais difusas do que apenas a vingança pela morte do pai. Ele sacrifica Jake nesse processo, literalmente “esquecendo-se do rosto de seu pai”. A irritação vem da necessidade didática em deixar isso claro e paralelizar a perda paterna de Roland com a mesma perda de Jake.

Apesar do filme mais descaradamente puxar elementos do terceiro livro – As Terras Devastadas – a grande verdade é que, no frigir dos ovos, ele é uma adaptação, com gigantes modificações, do primeiro livro e um pouco do segundo (com as lagostrosidades que envenenam Roland sendo substituídas por um demônio enlouquecido na floresta que, por sua vez, substitui momento mais do que desconcertante no livro em que Roland, para se livrar dele, tem que transar com o bicho, não literalmente descarregar suas pistolas, dando origem a Mordred, seu filho, mais para a frente – mas confesso que jamais esperaria isso em um filme da série).  E, se levarmos essa simplicidade do primeiro livro em consideração, até que a adaptação é bem sucedida.

Há outros mundos além deste.

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Idris Elba tinha em A Torre Negra o veículo para seu tardio e mais do que merecido estrelato no cinema. Sua atuação, sem dúvida, é a melhor da fita, com um pistoleiro estoico, calado, mas claramente de grande coração. O problema é que seu Luther também é assim. E vários de outros papeis que ele já viveu – até Heimdall – também. Ele começa a perigosamente caminhar para ser um ator de uma nota só e, ainda que sua presença imponente impressione e sua escalação como Roland tenha sido perfeita, deixando-me curioso para ver como seria a interação dele com Detta Walker, ele parece estar no automático aqui.

Por outro lado, Matthew McConaughey, que vinha se mostrando como um grande ator em obras como Amor Bandido, Interestelar e True Detective, aqui não é muito mais do que uma sombra do que ele é capaz. Completamente sem qualquer energia em tela, seu vilão é como o filme todo: genérico. O Homem de Preto da saga literária era misterioso e, quando falava, soltava mensagens crípticas, às vezes até exageradamente. No filme, ele é um mago raso e sádico – uma versão com nariz e cabelo de Voldemort – que fala apenas em chavões e clichês e assusta tanto quanto um vilão de filmes de James Bond.

O novato Tom Taylor não desaponta, mas a velocidade vertiginosa do roteiro – o filme é, para os padrões atuais, quase um curta-metragem! – não nos deixa simpatizar com ele. Em um minuto ele é um garoto perturbado que vive sofrendo bullying na escola e até em casa e, no outro, ele é o Professor X dos X-Men, usando sua “iluminação” (toque, nas legendas e nos livros) para resistir a um sujeito que mata apenas mandando alguém parar de respirar e que segura balas com a mão. A construção de Jake – que tem de longe o maior tempo de tela – é como ver uma corrida de Usain Bolt ou uma luta de Mike Tyson em sua era de ouro: se piscar, acabou. Aliás, esses super-poderes do jovem, que são inventados para o filme com direito a essa marretada para forçar ligação com O Iluminado (com direito até a foto do Hotel Overlook no consultório do psiquiatra), pareceu-me aleatórios demais, como se tivesse faltado um  pedaço de desenvolvimento em algum momento da projeção para que eles se encaixassem mais organicamente no todo.

Se as atuações não chamam atenção mais do que os nomes dos atores principais e o roteiro não sabe em que direção vai, resta-nos recorrer a outros elementos, como a fotografia e os efeitos especiais para possivelmente localizar as qualidades da obra. Mas a grande e infeliz verdade é que tudo parece muito corrido para que nos preocupemos com qualquer coisa. Demônios aparentemente perigosos são mortos por alguns tiros, o Pistoleiro parece o Homem-Aranha no tiroteio do Dixie Pig, inclusive com inserções tenebrosas de “Rolands digitais” e a fotografia de  Rasmus Videbæk, do excelente O Amante da Rainha, é o único elemento de algum destaque, já que ele consegue criar atmosferas pessimistas e finalistas tanto em um mundo quanto no outro, mas mantendo-os estilisticamente diferentes. A Terra Keystone (nossa Terra, em que a Torre Negra é representada pela rosa vermelha que vemos algumas vezes na projeção, notadamente ao final, pintada no muro ao lado do Dixie Pig) tem tons acinzentados, mas que são quebrados pela fúria policromática de uma Nova York efervescente. O Mundo-Médio é quase que a progressão natural de Nova York, praticamente um futuro distante da cidade – e de nosso mundo – tomada por um pessimismo niilista. Aliás, a direção de arte – notadamente os figurinos e a maquiagem – também merece destaque aqui, por nos convencer do realismo do Mundo-Médio ao fundir elementos de nosso presente com o futuro distópico de um mundo que está morrendo.

Eu sou Roland de Gilead. E você… você não é nada.

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Mas, por mais “denominador comum” que A Torre Negra seja, por mais que toda a mitologia tenha sido nivelada por baixo para permitir que o maior número de pessoas pudessem sentar nas cadeiras do cinema sem medo de não entender nada, a curta duração do filme permite sua apreciação como algo básico, mas que esconde potencial, como se estivesse com vergonha de revelá-lo assim de vez. A decisão, primeiro, era entre ficar mais perto ou mais longe do material fonte e, depois, entre mergulhar a fundo ou só sobrevoar as intenções originais de Stephen King. As escolhas feitas são óbvias a qualquer um que veja o filme e tenha lido os livros, mas não são ruins, por mais que o fã vá espernear e bater a cabeça na parede reclamando que sua vida acabou por terem destruído seus livros favoritos.

A Torre Negra, para ter chance de ser apreciado, portanto, precisa de compreensão. E não falo aqui de um “perdão presidencial” para a horrível construção do Homem de Preto ou à trajetória meteórica do menino Jake. Digo sobre todo o conceito em si. O filme é como um primeiro degrau, um manual introdutório sobre as ideias básicas que podem, um dia, quem sabe, ser desenvolvidas de maneira mais cuidadosa em continuações ou séries de TV. É uma diversão despretensiosa que não fará o espectador dormir e nem o confundirá ou o deixará com dor de cabeça depois de três horas de pancadaria pura com montagem com cortes de milissegundos.

Poderia ter sido muito melhor mantendo o mesmo objetivo? Sem dúvida alguma. Mas também poderia ter sido muito pior. E não quero dizer, aqui, que devemos nos contentar com pouco, pois isso fere justamente um dos aspectos que defendo constantemente aqui no site. No entanto, A Torre Negra é uma bobagem que não é idiota, se é que vocês me entendem. É algo que pode ser apreciado por 95 minutos e que pode sim gerar curiosidade por esse universo amalucado de Stephen King a quem não leu e um certo grau de apreciação a quem leu e estiver disposto a entender que não se pode ter tudo sempre.

Duvido que o filme tenha longos dias e belas noites pela frente, o que coloca o futuro da franquia em xeque, mas foi uma tentativa paradoxalmente válida e profundamente falha que, também paradoxalmente, mais me surpreendeu do que me frustrou.

A Torre Negra (The Dark Tower, EUA – 2017)
Direção:
 Nikolaj Arcel
Roteiro: Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen, Nikolaj Arcel (baseado na série de livros de Stephen King)
Elenco: Idris Elba, Matthew McConaughey, Tom Taylor, Dennis Haysbert, Ben Gavin, Claudia Kim, Jackie Earle Haley,  Fran Kranz, Abbey Lee, Katheryn Winnick, Nicholas Pauling, Michael Barbieri, José Zúñiga, Nicholas Hamilton, Inge Beckmann, Alfredo Narciso
Duração: 95 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.