Crítica | A Travessia (Trilha Sonora Original)

wlk

estrelas 4

Se Steven Spielberg tem em John Williams seu fiel escudeiro musical, Robert Zemeckis não faz nada feio com o inseparável Alan Silvestri. Responsável por praticamente todos os filmes do diretor depois de Tudo por uma Esmeralda, Silvestri foi capaz de criar temas belíssimos e funcionais dentro de seus respectivos longas. Com este novo A Travessia o compositor novamente entende o espírito da história e como traduzi-la musicalmente da forma mais apropriada.

Se houvesse uma palavra para definir a trilha de A Travessia é: clássica. Silvestri é um cara de grandes orquestras e instrumentos tradicionais, por isso temos pouquíssima influência de percussão eletrônica (a mais notável sendo em “We Have a Problem”) ou sons mais abstratos à lá Trent Reznor, só música pura e linda. Young Philippe traz a obrigatória referência francesa, com um acordeão sutil (este retorna de forma mais marcante em The Towers of Notre Dame) que se mistura a uma delicada marcha para nos apresentar à Philippe Petit e sua paixão pelo equilibrismo. E ainda que o país do protagonista seja a Franca, e não a Itália, o tema de Silvestri para as cenas ambientadas no país me remeteram de forma positiva ao de Nino Rota para a marcha do Poderoso Chefão.

E da mesma forma que o filme de Zemeckis transforma-se em um heist, com o planejamento da equipe de Petit para prender o arame entre as torres gêmeas, Silvestri adota um estilo divertidíssimo que parece saído diretamente dos anos 70. Spy Work tem toda a canastrice e elegância normalmente encontrada em obras como A Pantera Cor de Rosa ou até mesmo MacGiver, quase assumindo-se como uma paródia durante as sequências de “espionagem” da equipe, e tanto Porquoi? quanto The Towers of Notre Dame trazem uma deliciosa peça de Jazz que representa a ousadia e malandragem de Petit. Porém, Silvestri ainda oferece um pouco de tensão durante essa porção da história, e não há representante melhor do que The Arrow e a já mencionada “We Have a Problem”.

https://www.youtube.com/watch?v=PXyCNwtoFeQ

O tema principal, que ouvimos na primeira metade de Porquoi? e The Walk conseguem capturar a beleza do sonho de Philippe Petit com uma orquestra simples, mas muito eficaz: o piano começa tímido, apenas para mergulhar em um acorde que exalta a magia com suas evocativas notas duplas. É perfeito para a poderosa cena da travessia no clímax, mas Silvestri ainda nos surpreende por trazer uma maravilhosa releitura de Für Elise, de Beethoven, em “I Feel Thankful”, só para fazer os fãs de música clássica se contorcerem de admiração. Ainda nesta sequência, o compositor traz um estilo mais brincalhão para marcar o momento em que Philippe enrola os policiais que exigem sua saída do arame.

Assim como Robert Zemeckis, Alan Silvestri fornece uma trilha rica e que varia de acordo com a temática exigida por A Travessia e seus personagens, ora mergulhando na delicadeza, ora abraçando a diversão que seu protagonista parece sentir boa parte do tempo. Um retorno à forma para Silvestri.

The Walk: Original Motion Picture Soundtrack
Composta por Alan Silvestri
País:
EUA
Lançamento: 2015
Gravadora: Sony Classical
Gênero: Trilha Sonora

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.