Crítica | A Um Passo do Estrelato

20 feet from stardom im des

estrelas 3,5

A Um Passo do Estrelato, novo documentário sobre o mundo da música de Morgan Neville, já escolado no assunto, é irresistível. Não é perfeito, longe disso, mas mesmo assim ele consegue nos prender pelo tempo de duração da projeção e nos agraciar com vozes jovens e mais idosas absolutamente impressionantes.

Como o título (que em português foi milagrosamente bem traduzido) deixa entrever, o documentário versa sobre os cantores que sempre estão a um passo do estrelato: os backing vocals. Com depoimentos atuais de grandes nomes da música, como Bruce Springsteen, Sting, Mick Jagger, Sheryl Crow e Stevie Wonder, o filme nos faz passear desde os backing vocals burocráticos – lidos, como são pejorativamente chamados – feitos por mulheres brancas na década de 40, até o “surgimento” dos backing vocals de mulheres negras, que literalmente rasgaram o livro de regras e passaram a improvisar e a muitas vezes chamar os holofotes para si.

Com isso, vemos também os sensacionais depoimentos atuais, feitos para a fita, de backing vocals famosíssimas, da velha guarda, como Táta Vega, os Waters, Rose Stone e Darlene Love, além de outros nomes mais recentes como Judith Hill, protegida de Michael Jackson e que despontou para o semi-estrelato cantando no funeral do Rei do Pop. Mas Neville também não se esquece de contrastar os dias de hoje com o glorioso passado dessa gente, cantando de forma itinerante em diversas bandas, incluindo as de Ray Charles, Tina Turner, Elvis Presley e David Bowie.

São esses os aspectos, juntamente com a música, que impedem que o espectador desvie os olhos do trabalho do diretor e das deslumbrantes vozes que desfilam pela tela e que, mesmo em alguns casos com idade mais avançada, ainda arrasam no microfone como se fossem jovens de 20 anos. No entanto, Neville peca pela falta de foco.

Tentando abordar o máximo de assuntos possíveis dentro de breves 91 minutos, o diretor não consegue tratar de nenhum deles de maneira adequada, resultando em uma ode difusa a esses cantores e cantoras que poucos dão o real valor. Neville ensaia de embarcar em uma interessante discussão sobre a exploração dos backing vocals por Phil Spector, produtor-estrela de priscas eras. Ele mostra que Spector, sem nenhuma cerimônia, se apropriava do trabalho das vocalistas e etiquetava o nome de estrelas da época em cima. Mas o assunto para por aí, sem maiores desenvolvimentos.

O mesmo vale para a dicotomia entre as backing vocals que só querem ser backing vocals versus aquelas que tentam dar um passo além, com discos solos. O assunto é tratado de maneira perfunctória, às vezes em tom melancólico outras em tom crítco, mas sempre sem objetividade.

Ao tentar discutir muita coisa, Neville acaba não discutindo nada e o que resta é a apreciação dos talentos e da música, além dos depoimentos tanto das backing vocals quanto dos grandes astros basicamente se colocando na posição de coadjuvantes perante o poder dessas cantoras fenomenais que via de regra não ganham os holofotes.

No afã de homenagear devidamente uma categoria de artistas, o resultado é desfocado e até confuso, com a mistura de assuntos sem que o raciocínio anterior seja concluído. A Um Passo do Estrelato quase consegue, mas fica a um passo de ser um grande documentário (não resisti!).

A Um Passo do Estrelato (Twenty Feet from Stardom, EUA – 2013)
Diretor: Morgan Neville
Roteiro: Morgan Neville
Elenco: Bruce Springsteen, Sting, Mick Jagger, Sheryl Crow, Stevie Wonder, Táta Vega, Rose Stone, Darlene Love, Merry Clayton, Lisa Fischer, Fanita James, Julia Waters, Maxine Waters, Oren Waters, Judith Hill
Duração: 91 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.