Crítica | A Volta de Frank James

estrelas 1,5

Depois do estrondoso sucesso de Jesse James – Lenda de Uma Era Sem Lei (1939), não é de espantar que Darryl F. Zanuck quisesse lucrar ainda mais em cima da obra, por isso, encomendou uma sequência da história, entregando a direção a um cineasta famoso e mantendo mais ou menos o mesmo elenco e equipe técnica, uma forma de tentar dar ao público um material o mais próximo possível do filme anterior, além de ceder corda a um enigma: o que aconteceu com Frank James depois do assalto frustrado no First National Bank, em Northfield?

O azarado diretor a receber a cartilha pronta foi o mestre Fritz Lang, que, além do projeto pré-definido, tinha alguns “inconvenientes” do momento: Frank James era o seu primeiro western e o seu primeiro filme em cores.

Lang havia estreado em Hollywood em 1936, com Fúria, e a ele seguiram-se mais dois bons filmes, Vive-se Uma Só Vez (1937) e Casamento Proibido (1938). Frank James foi o seu primeiro trabalho na Fox e também o seu primeiro contato com uma produção pontuada por regras que ele não tinha poder nenhum para alterar, pelo menos de forma estrutural. Desse modo, o cineasta conseguiu inserir quase que clandestinamente elementos estéticos que lhes eram próprios – trabalho com sombras, estilosas tomadas noturnas e subjetividade em sequências de suspense –, mas tais elementos são suplantados pelo restante da fita, uma desengonçada tentativa de continuar a saga da família James.

O roteiro de Sam Hellman tenta seguir os passos de Nunnaly Johnson no filme anterior, colocando em pauta uma situação social crítica, nesse caso, a instituição jurídica manipulada facilmente por quem tem dinheiro para comprar pessoas, testemunhos, plantar provas, jurados e juízes. Esse é o cenário inicial. Todavia, a abordagem é simplista e ganha um ralo respaldo nos acontecimentos. O espectador pouco se impressiona com a relação porque não há um desenvolvimento progressivo desta, que aparece apenas no início e outra vez no final do filme, talvez porque Hellman quisesse dar a ideia de ciclo, porém, sem sucesso.

Por mais que Fritz Lang se tenha se esforçado para aplicar algo de seu estilo no filme, a estrutura previamente concebida o impediu, fazendo de Frank James uma fita de discrepâncias estéticas e, em menor grau, formais, especialmente na montagem e fotografia. Em relação a esta última, as cenas noturas são as que mais sofrem, tendo diferentes intensidades de luz azulada em planos sequenciais, como podemos ver na cena em que o trem do Correio é parado ou na jornada de Frank e Clem para salvar Pinky do enforcamento, situação que, inclusive, é sumariamente ignorada pelo roteiro ao final do longa. À parte esse ponto, a fotografia consegue um bom resultado nas cenas diurnas. Como Lang gostava bastante do cenário que filmava – mesmo que não gostasse da história em si –, ele deu atenção especial às paisagens, com belíssimas tomadas em rochedos, planícies e ranchos, além de uma elegante forma de filmar os interiores, independente se ambientes ricos ou pobres, ampla ou parcamente decorados.

A criação do drama amoroso no filme é uma mistura estranha de independência e carência do casal protagonista, e conta com uma progressiva diminuição do interesse do público em relação à personagem de Gene Tierney (Eleanor), que aparece como uma interessante jornalista mas termina como uma boba apaixonada pelo homem durão em constante provação de si mesmo. Sem sombra de dúvidas a relação familiar entre Frank, Clem e Pinky é mais eficiente que a dele e Eleanor, tanto na demonstração de afeto quanto em seu desenvolvimento durante a projeção, mesmo com Henry Fonda assumindo uma postura lacônica em seu personagem, algo que funcionou melhor no filme anterior, até pelo contraste dele com o personagem de Tyrone Power.

Os desencontros de estilo, as regras a serem obedecidas e a tentativa de Fritz Lang em dar substância a Frank James não teve um resultado final positivo. A obra contém alguns bons momentos, é verdade, mas falha tanto como continuação quanto como filme visto de maneira isolada. Uma pequena mancha na carreira de um grande mestre.

A volta de Frank James (The Return of Frank James) – EUA, 1940
Direção:
Fritz Lang
Roteiro: Sam Hellman
Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine, J. Edward Bromberg, Donald Meek, Eddie Collins, George Barbier, Russell Hicks, Ernest Whitman
Duração: 92 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.