Crítica | A Volta dos Sete Homens

estrelas 2

Não é de hoje que grandes sucessos comerciais geraram sequências motivadas unicamente pelas bilheterias. Evidente que algumas honrosas exceções aconteceram e outros já eram planejados como uma longa série de filmes desde o início, como é o caso de Star Wars. Dar uma sequência a Sete Homens e um Destino, porém, fora uma escolha um tanto quanto dúbia e o resultado muito mais que deixou a desejar. Estamos diante de uma obra que simplesmente busca repetir o original, um roteiro preguiçoso que apenas tirar o restante do sumo de seu antecessor, aproveitando a vontade da audiência em ver mais, sendo que um western totalmente diferente poderia ser realizado no lugar.

Já sentimos isso ao ver que, do elenco original, apenas Yul Brynner retorna, no papel de Chris, visto que muitos não gostaram do roteiro genérico escrito por Larry Cohen. De fato, não há como os culpar. A trama tem início com um ataque a uma pequena cidade por um grupo de cinquenta pistoleiros. Ao saber disso, Chris decide juntar sete homens para dar um fim a esses ataques, que deixam apenas as mulheres nos locais. Dito isso, não é de se surpreender que o longa gaste seus trechos iniciais para mostrar o recrutamento dos novos “magníficos” – ainda que alguns tenham permanecido da formação original, apesar de terem os atores trocados. Como dito, não foge nem um pouco do óbvio.

O que se segue, porém, é uma mera repetição do que já vimos no filme anterior e em outros faroestes, com eventuais bangue-bangues que levam o grupo cada vez mais próximo ao clímax, que é evidentemente mais longo que o do primeiro, mas que exagera um pouco na duração – um típico exemplo de quando o menos é mais. O roteiro também não parece se preocupar muito em construir a personalidade dos personagens principais – cada um deles permanece o mesmo do momento que primeiro aparecem em tela até o fim, estereótipos comuns do western, que vão desde o homem silencioso, até o ladies man, que corre o filme inteiro atrás de um rabo de saia.

Naturalmente, que os diálogos seguem pelo mesmo caminho: um amontoado de clichês, divertidos, sim, de se assistir, mas que, no fundo, de nada acrescentam. Chega a ser curioso observar como a história pode prosseguir facilmente sem nenhum deles, apenas os iniciais que preparam o cenário para o que está por vir. Mais uma prova de como os indivíduos não são construídos, apenas jogados em cena, esperando que nos relacionemos com eles. Evidente que a falta de esforço procurava se apoiar no conhecimento prévio do longa original, como se a produção realizasse uma versão estendida que procurava mostrar apenas mais ação.

Se eu posso tirar um ponto, contudo, que verdadeiramente vale o destaque na obra é a trilha sonora de Elmer Bernstein, que consegue preencher os planos abertos com uma musicalidade que dá um tom verdadeiramente épico ao filme. Evidente que tais sequências, que exibem o grupo cavalgando nessa região desolada não é nenhuma novidade dentro do gênero, mas não há como não se deixar levar, especialmente sendo um fã do velho-Oeste. O engraçado é que a direção de Burt Kennedy não sabe muito bem aproveitar esses momentos, visto que opta por planos mais curtos, mesmo quando abertos, com uma montagem que abusa de fusões mais do que deveria.

A Volta dos Sete Homens permanece em nossa memória, portanto, como uma mera continuação que de nada acrescenta, simplesmente desnecessária, que busca apenas explorar mais do mesmo. Um apreciador do gênero, naturalmente, irá se divertir com a película, mas dentro de tantos bons exemplos que formam o western, somos deixados com poucos motivos para revisitar essa sequência. Não é por acaso que se trata de um filme tão difícil de se encontrar, tendo ganhado poucos relançamentos nas mídias atuais. Uma diversão casual, apenas, que não faz jus à fama de Sete Homens e um Destino.

A Volta dos Sete Homens (Return of the Seven) – Espanha/ EUA, 1966
Direção: Burt Kennedy
Roteiro: Larry Cohen
Elenco: Yul Brynner, Robert Fuller, Julián Mateos,  Warren Oates, Claude Akins, Elisa Montés, Emilio Fernández
Duração: 95 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.