Crítica | “Abbey Road” – The Beatles

estrelas 4,5

Há 45 anos atrás uma certa banda britânica que entrou para a história da música lançava suas últimas sessões de estúdio. Apesar do último álbum oficialmente lançado pela banda ser Let It Be (1970), Abbey Road possui as últimas gravações da banda. Além da capa, que virou um grande símbolo da cultura pop, o que se observa é uma consolidação do talento dos Beatles, pegando influências desde o pop rock e blues, até o rock progressivo, sendo considerado um dos melhores trabalhos da banda.

A capa fotografada por Iain Macmillan mostra os membros da banda atravessando a rua que dá nome ao álbum e estúdio onde foi gravado. Se tornou um marco cultural, sendo usado em referências e mashups, além de possuir certos mistérios até hoje. A capa serviu para alimentar as famosas teorias conspiratórias de que Paul McCartney morreu em um acidente de moto em 1966 e foi substituído no grupo. As pistas para a lenda seriam o fato de Paul ser o único descalço e segurar um cigarro com a mão direta (McCartney, na verdade, é canhoto).

Impossível não comentar o disco sem dizer um dos grandes destaques dele: a revelação de George Harrison como um excelente compositor. Something e Here Comes The Sun, criadas por Harrison, viriam a se tornar algumas da melhores canções da banda e primeiros passos do artista para seu clássico disco em carreira solo, All Things Must Pass.

Além das faixas citadas, Come Together e Oh Darling pegam o melhor espírito pop e rock dos Beatles, com refrões grudentos e bem arranjados. O rock progressivo que surge em St. Pepper Lonely Hearts Club Band aparece aqui novamente, o que não significa que no mesmo nível de qualidade do popular álbum conceitual. I Want You, ainda que seja admirada por alguns apreciadores de música, é a pior faixa do disco. A monotonia e a repetição dos mesmos riffs e refrão exaustivos durante a longa duração da faixa só corrobora com a afirmação que os Beatles nunca foram especialistas nesse tipo de música.

Outro ponto a se citar é a comprovação de que Ringo Starr – ainda que fosse um baterista muito do mediano – tinha grandes ideias para a banda, como mostra Octopus’s Garden. Como destaque ainda há a ótima melodia infantil de Maxwell Silver Hammer que serve de contradição para a letra macabra feita por McCartney sobre um assassino que matava suas vítimas com um martelo. A parte final do disco aposta em faixas pop de curta duração (maioria menos de 2 minutos), fazendo a sequência parecer quase uma única música, no estilo Bohemian Rhapsody do Queen, como exemplifica Golden Slumbers, Carry That Weight e The End.

Abbey Road é um dos trabalhos mais sólidos da banda e essa é a razão pela qual é o álbum de qualidade menos questionada. Pode parecer uma carta de despedida dos Beatles, mas está longe disso. O adeus nunca foi dado, visto que o disco proporcinou uma revolução cultural que fez a banda ser eterna. Afinal, quem nunca tirou – ou pensou em tirar – uma foto com seus amigos atravessando uma faixa de pedestre?

Abbey Road
Artista: The Beatles
País: Inglaterra
Gravadora: Apple Records
Lançamento: 26 de setembro de 1969
Estilo: Rock

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.