Crítica | África 50

estrelas 4,5

René Vautier é um cineasta pouco conhecido do grande público e até mesmo do público cinéfilo, mas sua importância para o cinema francês e mundial é histórica. Ele foi um dos primeiros diretores franceses a partir para a realização de filmes engajados, tendo sido perseguido e acusado pelo governo francês, quando o país ainda esbanjava lucros com as colônias na África.

Nascido em 1928, e tendo participado ainda adolescente da Resistência à invasão nazista, Vautier formou-se em cinema pelo IDHEC (Institute des Hautes Études Cinématographiques) em 1948, e dirigiu o seu primeiro filme dois anos depois. África 50 é um documentário em curta-metragem filmado em 1949 a pedido da Liga de Ensino, e tinha por objetivo mostrar as condições de vida nas colônias da África Ocidental Francesa. O que a Liga de Ensino não esperava é que Vautier apresentaria um filme nada pedagógico, que ao invés de engradecer a presença francesa no continente negro, denunciava o genocídio, a proliferação da ideologia comercial e cultural francesa, a aculturação dos povos e sua resistência às forças colonizadoras.

Vautier foi expulso da África pela delegação francesa, mas conseguiu fugir e terminar o filme. Acabou sendo preso e condenado a um ano de prisão, e seu filme, África 50, foi censurado durante quatro décadas. Mesmo hoje, ao assistirmos à película, entendemos o que tanto incomodou o governo francês. África 50 não foi só o primeiro filme anticolonialista do país, mas uma corajosa e enfurecida denúncia de um jovem cineasta de 21 anos que escancarava as condições miseráveis das aldeias africanas por onde passou, e as humilhantes e nada publicáveis condições de trabalho que a França fornecia aos nativos.

O retrato de uma África verdadeira não interessava a nenhuma Liga Educacional Francesa, e certamente os liceus da capital jamais assistiria a uma obra que expusesse os fuzilamentos sumários, a falta de educação democrática, as mínimas e escassas condições de um povo que dava o que não tinha para enriquecer as companhias de comércio da França, a Unilever (isso mesmo!), e gerar energia e pompa para os brancos que resolviam ir morar na misteriosa e exótica “terra de ninguém”.

África 50 é um filme raro, e demonstra uma histórica discussão sociocultural sobre o poder dos fortes e a imposição de sua cultura sobre os mais fracos. O filme é uma exposição daquilo que o Velho Continente luta para esquecer, enquanto hoje mascara ações indiretas não só na África, mas também na América Latina, na Ásia e na Oceania. Mesmo tantas décadas depois, África 50 permanece vivo e real, e embora aquela realidade mostrada não exista mais daquele modo, outras e ainda piores realidades se ergueram e permanecem em pleno século 21.

África 50 (Afrique 50) – França, 1950
Direção: René Vautier
Roteiro: René Vautier
Duração: 17 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.