Crítica | Agent Carter – 1X04: The Blitzkrieg Button

estrelas 3,5

Com uma semana de mini-hiato, Agent Carter volta com seu episódio midseason que marca a volta de Howard Stark (Dominic Cooper) à minissérie em um episódio movimentado e cheio de novos mistérios. Duvido muito que a Marvel/ABC consiga fechar efetivamente a história satisfatoriamente em apenas oito episódios e isso pode ser bom, caso o plano seja mesmo transformar Agent Carter em uma série propriamente dita, com algumas temporadas. Há material para isso, mas espero fortemente que a produção não se empolgue e infle a quantidade de episódios para uma hipotética segunda temporada. Oito – ou talvez 10 – é um bom número.

De toda forma, o charme da série continua a toda. A abertura, no melhor estilo 007, foca na dupla Peggy e Jarvis em um missão que é bem-sucedida em trazer Stark de volta aos EUA. Relembrando, o magnata inventor está foragido, pois a S.S.R. – agência predecessora da S.H.I.E.L.D. – o acusa de ter vendido suas invenções ao inimigo. Mas Stark, segundo ele próprio, foi roubado e, valendo-se de sua amizade com Peggy, iniciada durante a 2ª Guerra Mundial (vide Capitão América: O Primeiro Vingador), recruta-a como agente duplo para limpar seu nome.

A volta de Stark é cercada de meias palavras. Ele pede para Peggy recuperar uma de suas invenções do laboratório da S.S.R. dando uma desculpa esfarrapada que ela logo percebe ser falsa – graças à hilária incapacidade de Jarvis de mentir – e isso leva a um confrontamento dos dois e uma volta ao passado trágico recente de Peggy e seu amor, Steve Rogers. Essa trama especificamente funciona muito bem para sedimentar a relação Peggy/Jarvis e expandir a relação Peggy/Stark, algo que o roteiro de Brant Englestein sabe lidar muito bem entre piadas e ação, com a introdução de um estranho vilão chamado Mr. Mink, que tem uma função muito bem determinada na história e que deixarei sem maiores comentários para evitar spoilers, mas cuja pedra cantei na crítica ao episódio anterior.

Do outro lado, continuamos a acompanhar o trabalho investigativo dos homens da S.S.R. que fazem de Peggy uma mera secretária de luxo. Nesse mundo masculino, vemos interrogatórios, muita camaradagem falsa e a contínua exploração das personalidades de Jack Thompson, Daniel Sousa e Roger Dooley. O primeiro tem um forte diálogo com Peggy sobre a posição da mulher em relação ao homem que deixa de vez às escâncaras sua posição chauvinista. Sousa, por seu turno, faz um interrogatório que ao mesmo tempo funciona como um diálogo interno sobre sua dedicação ao país, a perda de sua perna e o que isso trouxe à ele. É um momento talvez expositivo demais, excessivamente detalhado, mas que até consegue funcionar dentro da proposta de definitivamente nos colocar do lado dele como um contraponto a Thompson. Enquanto os dois trabalham em Nova York, Dooley, o chefe, voa até Nuremberg para interrogar um criminoso de guerra nazista sobre uma batalha que tem conexão com os vilões sem voz a que fomos apresentados no episódio anterior.

O roteiro, ao desmembrar o segundo lado da história em três pequenas historietas, definitivamente se perdeu um pouco entre explicações e ação, tornando o ritmo geral um tanto quanto claudicante. Não é nada sério, pois a química entre Peggy Carter e Howard Stark compensa eventuais problemas. Além disso, Englestein acerta em apagar Jarvis um pouco, para permitir que os holofotes permaneçam na relação Carter/Stark com todas as suas nuances, que prometem se intensificar daqui para frente mesmo que Stark volte para as sombras. Mas, ao mesmo tempo, ao colocar Jarvis de lado, perde-se a oportunidade de maior exploração também dessa fascinante personagem.

A grande questão é mesmo saber se, faltando apenas quatro episódios, teremos uma minissérie fechada, com começo, meio e fim ou se teremos a primeira de várias temporadas. Pessoalmente, torço para um mix das duas opções, ou seja, um história com arco fechado que permita uma segunda história fechada e assim por diante. Afinal, conforme aprendemos em Capitão América 2: O Soldado Invernal, Peggy Carter é a responsável pela fundação da S.H.I.E.L.D.

Agent Carter – 1×04: The Blitzkrieg Button (EUA, 2015)
Showrunners: Tara Butters, Michele Fazekas, Chris Dingess
Direção: Stephen Cragg
Roteiro:  Brant Englestein
Elenco: Hayley Atwell, James D’Arcy, Chad Michael Murray, Enver Gjokaj, Shea Whigham, Kyle Bornheimer, Dominic Cooper, Meagen Fay, Lyndsy Fonseca, Bridget Regan
Duração: 41 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.