Crítica | Agent Carter 1X05/06: The Iron Ceiling e A Sin to Err

1X05: The Iron Ceiling

estrelas 5,0

1X06: A Sin to Err

estrelas 4

Se existia alguma dúvida por parte dos espectadores mais cautelosos e reticentes de que Agent Carter era uma série que valia a pena o investimento, tenho certeza que ela desapareceu por completo com The Iron Ceiling. O episódio é o primeiro a colocar Peggy Carter em uma verdadeira missão sancionada pela S.S.R., em que ela finalmente pode ser ela mesmo perante seus pares.

Mas não é uma missão qualquer, simples, passada em Nova York. Há uma completa mudança de ares, com Peggy, Jack e um grupo de agentes se encontrando com o Comando Selvagem em plena União Soviética, para investigar o que é o misterioso Leviathan em um complexo militar. Com isso, Peggy se reúne com sua antiga equipe e nós ainda temos o prazer de ver o simpático Timothy “Dum Dum” Dugan, vivido por Neal McDonough (reprisando seu papel de Capitão América: O Primeiro Vingador e que também vimos em Shadows, episódio inicial da 2ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D.), além de Samuel “Happy Sam” Sawyer (Leonard Roberts) e Percival “Pinky” Pinkerton (Richard Short).

Com isso, o foco é todo em Peggy e suas habilidades em campo. De uma quase secretária na S.S.R., graças à visão chauvinista de basicamente todos ao seu redor, ela toma seu devido lugar nos holofotes ao, organicamente dentro do roteiro, sair das sombras e literalmente comandar a equipe mista. É o desabrochar da personagem não para nós, que já conhecíamos sua capacidade ,mas para Jack e para sua agência. Isso permite muita latitude à Hayley Atwell, que ganha muito espaço para trabalhar como a heroína que é. Nada de jogos de aparência. Nada de chapéus vermelhos e vestidos comportados. Essa é a Peggy guerreira, literalmente confortável em seu meio, mostrando a que veio.

Mas o roteiro de Jose Molina, apesar de dedicar muito de seu tempo à Peggy, tem espaço para construir pelo menos mais um personagem, Jack, emprestando a ele camadas mais complexas do que poderíamos imaginar. Descobrimos que, por mais valentão que ele seja, seu passado o condena e o destrói por dentro, algo que fica evidente na escaramuça no complexo militar, gerando uma terrível confissão à Peggy. Com isso,  a narrativa cria uma hesitante ponte entre os dois personagens, uma cumplicidade um tanto inesperada que pode ser muito bem utilizada mais para a frente na série. Digo inesperada, pois o caminho natural seria a criação dessa ligação – veja, não estou falando de ligação amorosa propriamente dita – com Daniel Sousa, o simpático agente da S.S.R. que tem uma prótese no lugar da perna que perdeu na guerra. Jack, até The Iron Ceiling, era um personagem cortado em cartolina, sem muita profundidade, algo que ele ganha de sobra aqui.

E a história em si também ganha contornos mais profundos com a revelação do programa de treinamento de “Viúvas Negras” (não, não há menção direta a isso, mas fica evidente que Natasha Romanoff, a mais famosa Viúva Negra e membro dos Vingadores, vem de uma versão futura do Leviathan, o que, de soslaio, mas não sem querer, também ajuda a enlaçar Agent Carter com o resto do chamado Universo Cinematográfico Marvel) e com maiores detalhes sobre o plano de roubar as invenções de Stark. Com The Iron Ceiling, o aspecto de “ameaça global” que sempre caracterizou tão bem o Universo Marvel se faz perfeitamente presente, ainda que não exista – ainda! – um vilão contra quem possamos torcer.

Mesmo sem um orçamento gigantesco, o trabalho de ambientação e figurino de Agent Carter merece nota, especialmente quando a ação é movida para a gelada União Soviética. Não há grandes tomadas carregadas de computação gráfica, algo realmente desnecessário, mas os cenários são convincentes tanto ao nos passar a época da ação, como em termos de criação de claustrofobia, algo particularmente amplificado por uma montagem esperta, que nos mantém na beira do sofá sem saber exatamente o que esperar.

The Iron Ceiling será um episódio duro de bater, pois combina à perfeição ação ritmada com desenvolvimento de personagem, algo raro de se ver em uma série dessa natureza. Só para se ter uma ideia, nenhum episódio de Agents of S.H.I.E.L.D., em tese – e pelo momento – a principal série televisiva da Marvel, chegou aos pés da qualidade desse episódio. Espero que isso signifique vida longa para as aventuras de Peggy Carter nas telinhas.

O episódio seguinte, A Sin to Err, sofre com a comparação direta com The Iron Ceiling, mas era um episódio necessário e verdadeiramente importante para a curta série. É nele que os acontecimentos esparsos narrados até agora começam a ser amarrados, de maneira que eles sejam (espero!) resolvidos nos dois últimos.

A ação volta para Nova York e o foco se desvia um pouco de Peggy ao trazer de volta Edwin Jarvis, o mordomo de Stark e, claro, Dottie Underwood, a letal assassina infiltrada. Os laços entre Jarvis e Peggy começam a ser reatados, aprendemos mais sobre a missão de Dottie, mergulhamos um pouco nas dores de Roger Dooley, o chefe da S.S.R. e, no clímax, graças às ações de Sousa, Peggy se torna inimiga pública número 1 (ou 2, se considerarmos Stark).

Com essa virada – absolutamente esperada, diga-se de passagem – a série ganha outros contornos. Obviamente, nós sabemos que Peggy sairá dessa (ela funda a S.H.I.E.L.D. conforme aprendemos em Capitão América 2, não é mesmo?) e que tudo correrá bem, mas, mesmo assim, o roteiro de Linsey Allen sabe segurar o suspense, ainda que às vezes tenha que recorrer à clichês do gênero, como a sequência no parapeito do The Griffith, o hotel/irmandade onde vive a protagonista.

A Sin to Err é um episódio, em sua essência, prelúdio ao fechamento da minissérie (ou temporada, ainda depende de anúncio da Marvel e ABC). E, nessa função, funciona muito bem, ainda que, no frigir dos ovos, haja pouca evolução narrativa. As pontas soltas são amarradas e um novo status quo se apresenta. É até um alívio saber – ou melhor, achar – que ao menos esse arco inicial de Agent Carter terá mesmo um fechamento.

Agora é aguardar.

Agent Carter – 1×05/06: The Iron Ceiling e A Sin to Err (EUA, 2015)
Showrunners: Tara Butters, Michele Fazekas, Chris Dingess
Direção: Peter Leto (1×05), Stephen Williams (1×06)
Roteiro:  Jose Molina (1×05), Lindsey Allen (1×06)
Elenco: Hayley Atwell, James D’Arcy, Chad Michael Murray, Enver Gjokaj, Shea Whigham, Kyle Bornheimer, Dominic Cooper, Meagen Fay, Lyndsy Fonseca, Bridget Regan, Neal McDonough, Leonard Roberts, Richard Short
Duração: 41 min. (cada episódio)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.