Crítica | Agent Carter – 2X03: Better Angels

estrelas 4

Obs: Pode conter spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios da série, aqui.

Vou logo começar pelos dois impagáveis momentos de Better Angels: (1) os quadrinhos de Kid Colt (clássico personagem publicado pela primeira em 1948 pela Marvel – quase tive um treco quando vi o uniforme do pistoleiro…) sendo adaptados em filme por Howard Stark e Peggy dizendo que adaptações de quadrinhos nunca darão certo e (2) quando Jarvis instala o novo equipamento de segurança na mansão de Stark e ouvimos a própria voz dele como sendo a do computador e ele afirmando que espera nunca ser apenas uma “voz desencarnada”. Só por esses dois momentos os showrunners merecem todo o respeito e esse episódio merece aplausos.

Sequências feitas para fãs da Marvel como este que subscreve a presente crítica? Certamente. Mas reparem a preciosidade das situações, como a primeira traz indiretamente de volta um personagem esquecido da Marvel e dá uma cutucada nos críticos que dizem que filmes de super-heróis de quadrinhos são “apenas uma moda” (que parece não ter fim…) e a segunda discretamente estabelece o início do encadeamento de situações que originariam o Visão em Vingadores: Era de Ultron. Assim, sem mais nem menos e perfeitamente costurado dentro da trama maior, passeamos por quase 70 anos de mitologia marveliana nos quadrinhos e no Universo Cinematográfico Marvel. Incrível, não?

O episódio em si não carrega as amarras necessárias aos dois primeiros para estabelecer a premissa da história principal. Já sabemos do grupo de vilões que se reúne em um conselho secreto, já começamos a ver a origem da Madame Máscara e já entendemos o dilema vivido pelo chefe do escritório da Costa Leste da S.S.R. Todas as narrativas, claro, são abordadas em Better Angels, com Jack Thompson aparecendo na Costa Oeste para complicar a vida de Peggy e Daniel e, mesmo a contragosto, chancelar o encobertamento da explosão ocorrida na Isodyne que fez com que Whitney Frost absorvesse a “matéria zero” e o Dr. Jason Wilkes aparentemente morresse.

Quando a ação começa, Peggy e Daniel pedem ajuda para Howard Stark (Dominic Cooper reprisando seu papel), que agora é um magnata do cinema, para entender o que pode ter acontecido no laboratório e o que é a “matéria zero”. Como quase ninguém que morre no universo dos quadrinhos continua morto – características que é replicada no universo cinematográfico – Wilkes não demora a aparecer, mas não da maneira mais óbvia. Ele, agora, é um fantasma, cortesia da explosão, e ele precisa das traquitanas de Stark para deixar de ser invisível e conseguir comunicar-se. Confesso que o momento em que ele apareceu, depois que Stark desconfia de algo muito errado com o campo gravitacional em volta de Peggy, me pegou completamente de surpresa (não havia percebido que há uma versão de Wilkes nos quadrinhos do Quarteto Fantástico da década de 60 com o mesmo tipo de situação) e a química gerada com a presença desse mais novo personagem no seio da série criou uma ótima dinâmica que tem potencial para ser desenvolvida a passos largos, seja como um parceiro de “invenções” para Stark, seja como interesse romântico para Peggy ou os dois.

No lado da ação, Peggy tem um ótimo momento de pancadaria depois que um assassino é enviado por Chadwick – ou melhor, por Frost, que é a verdadeira manda-chuva – para matá-la. Novamente a coreografia de lutas da série mostra-se acima da média e Hayley Atwell é extremamente convincente nesse quesito, ao mesmo tempo que mantém sua compostura e todo seu charme britânico. Por outro lado, Jarvis me pareceu um pouco sem função narrativa aqui, perdendo espaço para seu empregador, que realmente rouba as cenas em que aparece com sua atitude exagerada e canastrona, mas que funciona muito bem. Presumo que Stark terá participação reduzida na série, como foi no caso da primeira temporada, pelo que Jarvis provavelmente voltará a assumir seu posto de alívio cômico e parceiro improvável da durona Peggy.

Mas o melhor mesmo da série, apesar de toda suas outras qualidades, é a impressão efetiva de estarmos assistindo a um longo filme contado em 10 partes. As tramas são coesas, os personagens são todos bem desenvolvidos e cumprem sua função narrativa com louvor (alguns mais do que outros, claro, pois ainda não sei para que serve a esposa de Jarvis…) e a história em si é instigante e sabe aproveitar os elementos obscuros do Universo Marvel sem que eles saltem aos olhos com exageros ou um desfile interminável de vilões e outros personagens com a única função de fazer fan service.

Com mais um episódio exemplar, Agent Carter segue seu caminho certeiro dentro do Universo Cinematográfico Marvel. Tem muita série baseada em quadrinhos por aí que precisará comer muito feijão com arroz para se aproximar da qualidade desta aqui…

Agent Carter – 2×03: Better Angels (EUA, 2016)
Criação:
  Christopher Markus, Stephen McFeely
Showrunners: Tara Butters, Michele Fazekas, Chris Dingess
Direção: David Platt
Roteiro:  Jose Molina
Elenco: Hayley Atwell, James D’Arcy, Chad Michael Murray, Enver Gjokaj, Bridget Regan, Wynn Everett, Reggie Austin, Currie Graham, Lotte Verbeek, Kurtwood Smith, Dominic Cooper
Duração: 46 min. (cada episódio)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.