Crítica | Agent Carter – 2X04: Smoke & Mirrors

estrelas 3,5

Obs: Pode conter spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios da série, aqui.

Agent Carter consegue acertar até quando apresenta um episódio tipicamente filler, impressionante… É isso que dá ter cuidado acima da média na elaboração de um roteiro inteligente, que sabe entrelaçar flashbacks duplos que acrescentam camadas aos polos opostos da trama sem, porém, avançá-la efetivamente. Trata-se de um capítulo com olhares muito mais preocupados com o que já foi do que com o que será e o resultado é refrescante e divertido.

Em um primeiro momento, a volta à infância de Peggy Carter parece algo gratuito, aleatório mesmo, que não poderia, de forma alguma, conectar-se com a trama principal. É só quando o segundo flashback vem, desta vez focado na infância de Agnes Cully, que viria a adotar o nome teatral Whitney Frost, é que o espectador consegue entender o paralelismo e a função de se trabalhar Peggy de um lado e Agnes/Whitney de outro. Não que esse artifício estilístico seja absolutamente necessário – afinal, classifiquei esse episódio como filler logo no início -, mas ele empresta colorido ao passado de Frost. O roteiro de Sue Chung poderia ter feito o usual e retrocedido no tempo apenas para trabalhar a vilã da temporada, mas ela, muito inteligentemente, aproveitou a oportunidade para abordar algo que ainda não havia sido revelado dentro do Universo Cinematográfico Marvel: como Margaret Elizabeth Carter enveredou pelo caminho da S.S.R., tornando-se a destemida Peggy Carter. Com isso, Chung literalmente consegue reunir o útil com o agradável, comparando as duas “origens” diametralmente opostas, mas de certa forma parecidas.

E David Platt, mesmo diretor do episódio anterior (a temporada parece que terá um diretor para cada dois episódios seguidos, uma decisão que beneficia a continuidade narrativa), faz um ótimo trabalho com as duas atrizes mirins que vivem Peggy e Agnes, além de estabelecer visões próprias para cada flashback, que ganha mais peso e gravidade na medida em que as jovens crescem. Mesmo com o futuro de Peggy sendo de conhecimento de todos, seu passado bem iluminado e trabalhado em tons claros que emprestam felicidade à vindoura tragédia (um tanto óbvia) e que se chocam com a mesma iluminação com objetivo contrário no passado triste de Frost, funciona para deixar claro como os opostos são próximos e, ainda que não se atraiam, têm fundamentalmente as mesmas estruturas.

No presente, a captura de Rufus Hunt (Chris Browning, que curiosa e recentemente apanhou de outra mulher poderosa como Reactron, em Supergirl), capanga de Calvin Chadwick por Peggy e Jarvis leva a bons momentos cômicos entre os dois que talvez se estendam mais do que o necessário, em um vai-e-vem que serve apenas para atrasar o inevitável. No entanto, a nova interferência de Vernon Masters (Kurtwood Smith, o Clarence Boddicker de RoboCop) do FBI para atrapalhar o S.S.R. em sua investigação do Conselho dos Nove torna-se bem mais evidente, desaguando no conflito direto dele com Peggy em uma das melhores interações do episódio. Há promessas de boas sequências no futuro entre os dois.

O sumiço repentino de Howard Stark, que sequer aparece para dar tchau no episódio deixa o Dr. Wilkes completamente sem função, o que de certa forma incomoda. E vale dizer o mesmo – talvez com mais intensidade ainda – da desaparecida Ana Jarvis, que nos foi apresentada na dupla inicial de episódios, mas que parece ter sido tragada pelos poderes da Madame Máscara. Será que teremos que distribuir um cartaz de “procura-se”?

Falando em Madame Máscara, seu momento de “revelação” ao marido assustado deixou muito a desejar, talvez pela mera falta de impacto devido à obviedade da cena, talvez devido ao pulo necessário entre o último flashback da personagem e sua vilania total. Sim, podemos fazer a ponte, mas faltou algo, já que o objetivo era mostrar sua origem e, com isso, “justificar” suas ações.

Smoke & Mirrors, mesmo sendo substancialmente um filler, sem dúvida alguma é diversão bem acima da média, com especial destaque para a revelação do passado de Peggy antes dos eventos de Capitão América: O Primeiro Vingador. Os showrunners apenas precisam, agora, efetivamente avançar a história, que já no próximo episódio alcançará sua metade.

Agent Carter – 2×04: Smoke & Mirrors (EUA, 2016)
Criação:
  Christopher Markus, Stephen McFeely
Showrunners: Tara Butters, Michele Fazekas, Chris Dingess
Direção: David Platt
Roteiro:  Sue Chung
Elenco: Hayley Atwell, James D’Arcy, Chad Michael Murray, Enver Gjokaj, Bridget Regan, Wynn Everett, Reggie Austin, Currie Graham, Lotte Verbeek, Kurtwood Smith, Dominic Cooper
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.