Crítica | Agent Carter – 2X05: The Atomic Job

estrelas 2,5

Obs: Pode conter spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios da série, aqui.

Não, não, não, não, NÃO. Ai, ai, ai. Não é assim que se faz episódio de metade de temporada! Não mesmo!

Apesar do charme inerente a Agent Carter, especialmente à sua protagonista maravilhosamente encarnada por Hayley Atwell, o roteiro de The Atomic Job pesou a mão completamente nas gags e na sátira, pendendo muito mais para a comédia do que de costume. Enquanto o equilíbrio entre o sério e o engraçado sempre marcou a série, com Edwin Jarvis servindo de alívio cômico, o mais recente episódio abre as portas para o escracho ao criar uma improvável equipe para roubar nada menos do que uma bomba atômica das indústrias Roxxon antes que Whitney Frost possa fazer o mesmo.

Lindsey Allen, que escreveu A Sin to Err, o sexto episódio da temporada anterior, e co-escreveu A View in the Dark, o segundo desta temporada, entrega um trabalho irreconhecível aqui, que por pouco não cai no pastelão completo. Chegou ao ponto de eu sinceramente ficar esperando que houvesse uma perseguição protagonizada pelos “Keystone Kops” na sequência da Roxxon, tamanha foi a bobagem que Allen escreveu. Foi proposital? Creio que sim, mas o resultado foi destoante de toda a temporada, ainda que ela, até agora, tenha cambado mais para o cômico do que a primeira.

O time formado por Carter, Sousa, Jarvis, a recepcionista “rechonchuda” Rose (Lesley Boone) e o insuportável cientista da S.S.R. Aloysius Samberly (Matt Braunger), com direito até à sequência em câmera lenta à la Cães de Aluguel, simplesmente não funcionou, pois não só a correria para juntá-los foi artificial como a ação em si rapidamente foi para o lado bobalhão. E, pior, pareceu que Allen estava escrevendo para enrolar seu fiapo de história de maneira que ela chegasse ao tempo regulamentar.

Mas toda essa sequência não seria tão terrível não fosse ela precedida de dois outros momentos semelhantes. O primeiro deles foi o pedido de casamento feito de forma atabalhoada por Sousa e, o segundo, a interação de Peggy, disfarçada de ruiva burra, com Hugh Jones (Ray Wise). A sequência Daniel-Violet pode ter sido açucarada e charmosa para alguns, mas o que eu vi ali foi justamente o que aconteceu: uma face da moeda cuja segunda face seria mostrada ainda no mesmo episódio, com Sousa se derretendo para Peggy ferida (aliás, uma viga de metal atravessando um corpo foi tratado como se fosse uma unha encravada…). Infelizmente, a dupla ternura tinha uma função óbvia demais, básica demais dentro da estrutura narrativa para ser realmente apreciada. E a sequência Peggy-Hugh, apesar da presença sempre agradável de Ray Wise, foi o momento pastelão que deveria ter sido o único. Lembrou-me imediatamente aqueles terríveis filmes do 007 da Era Roger Moore, em que o personagem foi transformado completamente em um palhaço de circo (aliás, isso aconteceu literalmente…).

Estou sendo duro demais? Talvez. Mas o episódio realmente não funcionou para mim. Na verdade, minto, funcionou para duas coisas. A primeira delas foi a revelação de que Wilkes, apesar de sua forma fantasma, aparentemente tem os mesmos poderes de Frost, o que pode resultar em interessantes conflitos em futuro próximo. A segunda foi a introdução de Ken Marino como Joseph Manfredi, personagem que, nos quadrinhos, é filho de Silvio Manfredi (Cabelo de Prata), ambos com conexão com o sindicado do crime denominado Maggia, o mesmo conectado com a Madame Máscara (Whitney Frost). Ainda que o nome Maggia não tenha sido usado (e provavelmente não será), a conexão mafiosa de Frost ficou evidente e o uso de Manfredi, personagem obscuro (cuja identidade super-vilanesca é Asa Negra) do baú da Marvel Comics é sempre algo bem-vindo, especialmente quando as conexões fazem sentido e são bem estruturadas, como é o caso aqui. Além disso, foi interessante ver a psicopatia do sujeito ao surrar um de seus capangas, elemento que também pode ter bom uso futuro.

The Atomic Job definitivamente foi um soluço nesta temporada que até aqui vinha mostrando-se muito consistente. Não é nada alarmante ou particularmente terrível, mas uma série de 10 episódios não pode se dar ao luxo de errar muito, especialmente quando ela luta para atrair audiência que justifique sua sobrevivência.

Agent Carter – 2×05: The Atomic Job (EUA, 09 de  fevereiro de 2016)
Criação:  Christopher Markus, Stephen McFeely
Showrunners: Tara Butters, Michele Fazekas, Chris Dingess
Direção: Craig Zisk
Roteiro: Lindsey Allen
Elenco: Hayley Atwell, James D’Arcy, Chad Michael Murray, Enver Gjokaj, Bridget Regan, Wynn Everett, Reggie Austin, Currie Graham, Lotte Verbeek, Kurtwood Smith, Dominic Cooper
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.