Crítica | Agent Carter – 2X06 e 2X07: Life of the Party / Monsters

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2X06 – Life of the Party

estrelas 4

2X07 – Monsters

estrelas 3,5

Obs: Pode conter spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios da série, aqui.

Como previ na crítica do episódio anterior, The Atomic Job foi mesmo um soluço nesta temporada que, com Life of the Party e Monsters, episódios transmitidos no mesmo dia nos EUA (com o mesmo acontecendo com os próximos dois), a série volta à sua forma total. É o começo da amarração da narrativa em preparação ao final, que infelizmente virá muito cedo e provavelmente marcará o fim da série, a não ser que a Marvel e a ABC decidam apostar de verdade nas aventuras de Peggy Carter, apesar dos baixos números de audiência.

Life of the Party é, essencialmente, The Atomic Job feito corretamente. Onde antes a série caminhou para o pastelão, ela, agora, assume o tom exato de espionagem clássica com um quê de humor, resgatando o equilíbrio que marcou a temporada anterior. E o mais interessante é notar que esse equilíbrio vem apesar de Carter, que acertadamente é colocada no banco de reservas em vista do ferimento do capítulo anterior. Não só o roteiro não esquece da gravidade do que aconteceu, como usa essa desculpa para trazer uma personagem que só aparecera no primeiro episódio desta temporada: Dottie Underwood, a Viúva Negra nos anos 40. Peggy secretamente a tira da prisão para que Dottie a substitua em missão para obter amostra do sangue de Whitney Frost e, com isso, salvar o Dr. Jason Wilkes.

É a missão em si que faz o episódio ficar bem acima da média e talvez o coloque como o melhor da temporada até agora. O começo True Lies com Jarvis e Dottie dançando na festa beneficente do Conselho dos Nove é sofisticado, com um fotografia sóbria e elegante, ao mesmo tempo que conta com muito diálogo de duplo sentido e inteligente entre os dançarinos e Daniel e Peggy na escuta. Quando Dottie se desgarra – e era óbvio que isso aconteceria – ela funciona como nossos olhos para que testemunhemos o tamanho do poder destrutivo da Madame Máscara, que reduz o tamanho do Conselho consideravelmente, passando a atuar como líder e arregimentando em definitivo os esforços de Joseph Manfredi que, porém, não ganha muito mais do que uma ponta glorificada. Vernon Masters também se faz presente como peão do Conselho e Jack Thompson se afunda ainda mais pelo canto da sereia, em papel hesitante que provavelmente será convertido em algum tipo de “mudança de ideia no último segundo para salvar Peggy Carter”.

Aliás, falando em ponta, Ana Jarvis finalmente volta ao mundo dos vivos somente para ser caracterizada como uma esposa preocupada com o marido. Humm, confesso que, aqui, esperava mais, bem mais. De uma misteriosa voz incorpórea na 1ª temporada a uma esperta mulher no começo da 2ª, ela se torna não mais do que uma personagem padrão sem muita imaginação ou que viva fora do círculo definido por seu marido. Sim, sua função tornar-se-ia clara em Monsters, mas, em Life of the Party, ela pouco convincentemente faz as vezes de mulher histérica (mas elegante) e de mãos tangíveis para o intangível Dr. Wilkes. Um desperdício.

E já que mencionei Monsters, o episódio seguinte continua a linha mais séria adotada por Life of the Party e lida diretamente com os desdobramentos da liderança de Frost sobre o grupo de vilões. A trama em si, agora focada no resgate de Dottie por uma Peggy que se sente culpada por ter colocado a super-espiã em uma enorme e potencialmente letal enrascada, volta a ter a agente como centro das atenções. Seu ferimento é esquecido (perdeu sua utilidade plena) quase que completamente, ainda que o roteiro seja cuidadoso em não colocar a personagem em situações que exijam esforço físico, e ela entra em ação juntamente com Jarvis e o que parece ser uma versão primitiva do raio repulsor de Tony Stark.

A interação entre Peggy e Dottie é sempre divertida e, ao adicionar Jarvis na equação, o roteiro de Brandon Easton acerta no equilíbrio, sem exagerar na exposição, mas também sem pesar a mão em sequências de ação desconectadas. Se, por um lado, o poder e o controle de Vernon Masters, agora sendo ordenado por Frost, põe até Daniel Sousa em risco, por outro a ação paralela com Peggy-Dottie-Jarvis de um lado e Frost-Manfredi-Wilkes-Ana tem ritmo e flui bem, apesar de ser menos interessante que a pegada pura de espionagem que vimos no capítulo anterior.

As pontas soltas estão sendo amarradas. A convergência das narrativas ficou bem mais evidente agora nesta reta final que arma a estrutura para uma potencial volta de Howard Stark (ele faz falta no lado científico da série, pois Jarvis e Ana não convencem neste quesito e Wilkes, bem, Wilkes não pode ou podia fazer efetivamente nada) e um final potencialmente interessante com a Madame Máscara liderando a Maggia e o Conselho dos Nove (ou Cinco) contra um S.S.R. em frangalhos que pode significar sua transformação na S.H.I.E.L.D., mesmo que só em promessa.

Life of the Party e Monsters vieram para animar a série sem o tropeço cômico que foi The Atomic Job. Agora é só torcer para que a mesma pegada seja mantida na próxima dupla de episódios.

Agent Carter – 2×06 e 2×07: Life of the Party / Monsters (EUA, 16 de fevereiro de 2016)
Criação:
  Christopher Markus, Stephen McFeely
Showrunners: Tara Butters, Michele Fazekas, Chris Dingess
Direção: Craig Zisk (2×06), Metin Hüseyin (2×07)
Roteiro:  Eric Pearson (2×06), Brandon Easton (2×07)
Elenco: Hayley Atwell, James D’Arcy, Chad Michael Murray, Enver Gjokaj, Bridget Regan, Wynn Everett, Reggie Austin, Currie Graham, Lotte Verbeek, Kurtwood Smith, Dominic Cooper
Duração: 42 min. (cada episódio)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.