Crítica | Agent Carter – 2X10: Hollywood Ending

estrelas 2,5

Obs: Pode conter spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios da série, aqui.

E a segunda e potencialmente última temporada de Agent Carter acabou! Infelizmente, não foi na ascendente, já que Hollywood Ending teve uma trama conveniente demais, inconsequente demais para realmente empolgar, além de deixar um final aberto quase desleal com os espectadores.

Em sua defesa, porém, o espírito dos quadrinhos da Era de Ouro foi mantido aqui, com direito até à corrente humana para salvar Daniel Sousa de um (nada) ameaçador buraco negro e, claro, a “mocinha” arrebatando o “mocinho” ao final. Simpático, sem dúvida, mas insatisfatório.

A principal razão para minha insatisfação foi o desenvolvimento – ou a falta dele – de Whitney Frost. De esposa maquiavélica ela se transformou em super-vilã diabólica controladora de um conselho de vilões e, então, nada. Grilos. Silêncio profundo. Ela terminou de enlouquecer ao absorver a Matéria Zero do Dr. Jason Wilkes e seu objetivo continuou sendo, apenas, obter mais do material. Faltou um propósito maior, uma trama que realmente levasse à convergência narrativa que se deveria esperar de um episódio de encerramento de temporada. O trabalho dos showrunners, que escreveram este e também o ótimo episódio anterior, pareceu inacabado ou simplesmente mal-pensado, com um clímax muito aquém do que a temporada merecia.

Como de praxe, Howard Stark voltou à série para ajudar Peggy e companhia, mas, diferente do que vimos em Valediction, sua presença não foi muito mais do que um fan service, um pequeno artifício ou piscadela para o espectador que aguardava o personagem. No finale, ele não tem uma função verdadeira, já que a própria estrutura da temporada, que agregou à equipe não só o Dr. Wilkes como o Dr. Samberly, havia substituído Stark e esvaziado sua função de gênio inventor. Claro, é sempre divertido ver Dominic Cooper sendo canastrão e playboy ao limite, com diálogos impagáveis, mas, em termos de desenvolvimento narrativo, Howard Stark não fez diferença alguma.

Pior até, pois, para justificar o retorno de Cooper ao elenco, muito tempo foi empregado para abordar seu personagem, que ganhou presença quase que em todas as sequências do episódio sem que um centímetro de história fosse avançada. Ah, claro, ele montou a máquina interdimensional a partir dos esquemas de Frost, mas algo semelhante já havia acontecido antes, quando Samberly, tal qual o Professor Pardal, criou, em tempo recorde, a máquina telegrafada por Stark. E, com isso, tivemos mais uma vez que aceitar outra máquina milagrosa construída da noite para o dia e que funciona perfeitamente bem, mas que, claro, contém um absurdo sistema de segurança que exige que alguém se aproxime dela, criando a tal corrente humana que mencionei no começo. A conveniência do roteiro chega a ser constrangedora.

Mas será que Hollywood Ending estragou a temporada?

Tenho para mim que não. Ainda que esta tenha, no final das contas, ficado muito abaixo da primeira, há muita coisa a se apreciar ainda. A primeira delas, claro, é a própria personagem-título que ganhou completa independência de seu passado com o Capitão América e fincou o pé como uma das grandes heroínas do Universo Cinematográfico Marvel. Hayley Atwell não só é uma linda e charmosa mulher, como uma atriz  de calibre que tem potencial além do papel que a consagrou. Além disso, sua dinâmica com Edwin Jarvis, vivido pelo também ótimo James D’Arcy, é invejável, criando, na maioria das vezes, perfeito equilíbrio dramático, especialmente nesta temporada em que, desequilibrado, Jarvis deflagrou uma franca discussão que quase acabou com a amizade dos dois. E, por cima disso tud, há a sofisticação, o refinamento da atmosfera da série como um todo. O trabalho de época é particularmente exato, com figurinos e desenho de produção cuidadosos que só melhoraram com o deslocamento da ação para a Hollywood glamourosa do final dos anos 40. E, claro, há toda uma preocupação em se manter a série como uma alternativa leve e despreocupada – mas não boba e desleixada – ao que há por aí.

Por todos esses elementos, que não são encontrados facilmente na TV aberta, Agent Carter continua merecendo láureas e uma chance de renovação. Hollywood Ending não pode ser o fim da série, não quando ela ainda demonstra potencial e quando os showrunners nos deixam pendurados com um cliffhanger daquele tamanho!

Agent Carter – 2×10: Hollywood Ending (EUA, 01 de março de 2016)
Criação:
 Christopher Markus, Stephen McFeely
Showrunners: Tara Butters, Michele Fazekas, Chris Dingess
Direção: Jennifer Getzinger
Roteiro:  Michele Fazekas, Tara Butters, baseados em história de Chris Dingess
Elenco: Hayley Atwell, James D’Arcy, Chad Michael Murray, Enver Gjokaj, Bridget Regan, Wynn Everett, Reggie Austin, Currie Graham, Lotte Verbeek, Kurtwood Smith, Dominic Cooper, Ken Marino
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.