Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X06: A Fractured House

estrelas 4

Aviso: Há SPOILERS na crítica.

Vocês se lembram daquela história de “trauma de infância” que o ex-agente Grant Ward conta para Skye em The Well, o 8º episódio da 1ª temporada? Aquele em que ele disse que foi forçado por seu irmão mais velho a torturar o mais novo no tal poço do título? Pois bem, A Fractured House, o mais recente episódio, volta para essa referência e nos apresenta ao tal irmão mais velho, Christian Ward (Tim DeKay), que, agora, é um Senador dos Estados Unidos que, depois de um ataque às Nações Unidas por agentes da Hydra com uniformes da S.H.I.E.L.D. (o truque mais velho do universo e que todos caem), resolve apontar os canhões legislativos para os agentes “do bem” remanescentes, ameaçando recrudescer a caça a eles.

Esse é o mesmo senador sem nome que estava por trás das ações do Brigadeiro-General Glenn Talbot e que, agora, ganha não só nome como proeminência e uma ligação forte com a mitologia da série. Mas é evidente que Coulson não poderia ficar parado diante de sua anunciada extinção e manda seus pesos pesados May, Bobbi e Hunter para o Japão atrás de Toshiro Mori, que eles acreditam ser o fabricante das armas usadas no ataque da Hydra. A sequência é feita para gerar a energia estática entre Bobbi e Hunter que ficou subentendida no final do episódio anterior quando os dois são revelados como ex-casados. No começo, a interação entre eles soa forçada, mas não demora para a coisa deslanchar e se tornar natural. Isso ocorre especialmente na cena em que Bobbi, conversando com Toshiro ainda fingindo ser Hydra, tem sua verdadeira filiação revelada e Hunter vem a seu resgate. É um excelente momento de ação e diversão com diálogos no estilo Sr. e Sra. Smith.

Mas o grande destaque mesmo do episódio fica por conta de Grant Ward. Até agora, ele havia servido, apenas, de informante para Skye, preso no porão do Playground, a base secreta de Coulson. Com a entrada de seu irmão na história, Coulson o utiliza como moeda de troca para suavizar a sana destruidora do Congresso. E a montagem paralela – e que só descobrimos que é paralela ao final – entre a conversa de Coulson com o Senador e a conversa de Skye com Grant Ward é especialmente bem pensada e bem feita, com diálogos também paralelos que não nos permitem concluir quem está mentindo. Grant foi mesmo forçado quando criança a torturar seu irmão mais novo ou Christian também é uma vítima da maldade pura de Grant? O que fica certo é que Skye definitivamente amadureceu e aprendeu a usar sua carinha bonitinha para arrancar o que quer do agente prisioneiro.

Ao final, a fuga de Ward do FBI – que recebe instruções de Coulson para não dar mole de forma alguma e que, claro, só serve para nos dizer que eles darão todo o mole possível – não deixa muitas dúvidas sobre o tipo de homem que ele é, pois ele mata um dos agentes (ou parece matar). Resta saber, agora, o que ele fará com sua liberdade. Vai atrás do irmão? De Skye? Do pai de Skye? Vai correr para debaixo da asa de Daniel Whitehall? Dúvidas, dúvidas, dúvidas. Mas, finalmente, depois de seis episódios, teremos Grant Ward de volta à atividade, para o bem ou para o mal.

Do outro lado do oceano, a trinca “parada dura” vai ao encalço de Marcus Scarlotti e sua equipe, responsável pelo ataque à ONU e que estão próximos de um novo ataque na Bélgica. O mistério em si, que remonta aos anos 40 e cuja revelação ocorre por intermédio de Fitz e Mack,em contraposição à Fitz e Simmons, pois Simmons, conforme aprendemos em um tocante momento, não sabe lidar com o problema de Fitz, não é muito relevante. No entanto, a ação é. Scarlotti, nos quadrinhos, é o primeiro Chicote Negro (Whiplash, no original, o mesmo nome vilanesco do personagem de Mickey Rourke em Homem de Ferro 2) e a luta de May com ele em uma sala arredondada e com uma corrente com uma faca na ponta é muito bem coreografada, melhor ainda que a luta May v May em Face My Enemy. O mesmo vale para a ação da dupla Bobbi (com o uniforme de Harpia) e Hunter contra o resto da equipe de Scarlotti, com especial destaque para o chute no ar pela “fumaça de desintegração” de um dos vilões.

A Fractured House é mais um sólido episódio em Agents of S.H.I.E.L.D., um que abre o leque das possibilidades ao lidar com os irmãos Grant e todo o potencial que pode vir daí. Para uma série que não tinha nada a mostrar quando não dependia de ligações diretas com os filmes da Marvel, Agents of S.H.I.E.L.D. está se recuperando muito bem. Vamos torcer para que continue assim.

p.s. Lembro aos fãs que, semana que vem, não haverá episódio da série, em razão da comemoração dos 75 anos da Marvel. O próximo a ir ao ar será no dia 11 de novembro.

A partir daqui, listo as (possíveis) referências ao Universo Marvel em quadrinhos desse episódio:

1. Lance Hunter – Diretor da S.T.R.I.K.E., agência correspondente à S.H.I.E.L.D. na Inglaterra. Na série, é um ex-SAS e ex-mercenário que se junta ao time de Coulson. É, também, ex-marido de Bobbi.
2. Dr. Daniel Whitehall – Nos quadrinhos, Daniel Whitehall é um lendário agente da Hydra conhecido pelo codinome Kraken. Na série, ele é o líder da Hydra. Nesse episódio, ele é apenas referenciado.
3. Barbara “Bobbi” Morse – Nos quadrinhos, Bobbi Morse é a Agente 19 da S.H.I.E.L.D. e a super-heroína Harpia (Mockingbird). Ela não tem poderes e usa dois cassetetes que se unem para formar um cajado. Ela finalmente aparece uniformizada e de cabelo loiro como nos quadrinhos, mas não há menção ao seu codinome super-heroístico. Ela aparece, no episódio com uma camiseta de Star Wars (é a Disney fazendo marketing de suas outras propriedades!).
4. Pai de Skye – Kyle MaLachlan vive o misterioso pai de Skye, que ainda permanece sem nome. Ele é apenas referenciado nesse episódio.
5. Caveira Vermelha – Há apenas uma menção a seu nome.
6. The Diviner (Obelisco) – Essa é longínqua, mas “diviner” é uma expressão que tem relação com a mitologia dos Inumanos de maneira genérica.
7. Marcus Scarlotti – Mark Scarlotti é a primeira identidade secreta do vilão Chicote Negro, codinome reutilizado por diversas vezes nos quadrinhos por vários personagens diferentes.
8. Brigadeiro-General Glenn Talbot – Eterno caçador do Hulk, junto com o General Thunderbolt Ross. Na série, ele é caçador do que restou da S.H.I.E.L.D.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X06: A Fractured House (EUA, 2014)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Ron Underwood
Roteiro: Rafe Judkins, Lauren LeFranc
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, Reed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.