Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X07: The Writing on the Wall

aos2x07

estrelas 4

Aviso: Há SPOILERS na crítica.

Depois de um micro-hiato na semana passada, em que a ABC, no lugar de um episódio de Agents of S.H.I.E.L.D., transmitiu o programa comemorativo dos 75 anos da Marvel, a série volta novamente com um episódio com pouca ação, mas muita revelação. E preparem-se, pois não vou parar de especular em meus comentários abaixo e, se sobrar espaço, talvez escreva sobre os aspectos técnicos em si do episódio.

O foco das atenções foi o diretor Phil Coulson e sua obsessão em talhar aqueles misteriosos símbolos na parede. The Writing on the Wall, como deixa bem claro, desvenda uma grande parte desse mistério ao trabalhar em cima do homem tatuado com esses mesmos símbolos que vimos no finalzinho de A Fractured House. Quem é ele? Ao longo do episódio, depois que Coulson entra novamente na máquina da memória de Raina, só que dessa vez por conta própria e sob a supervisão de Simmons, Skye, Mack e Fitz, descobrimos que ele foi um agente da S.H.I.E.L.D., Sebastian Derik, que fez parte do Projeto T.A.H.I.T.I. e foi injetado com a substância GH-235, a mesma responsável por reviver Coulson e que também foi injetada para salvar Skye.

Mas aprendemos que havia também outros seis agentes que passaram pelo mesmo experimento e Derik vem assassinando-os, com o primeiro que vemos sendo a ex-agente Rebecca Stevens (retirada dos quadrinhos, vide lista abaixo), vivendo a vida desmemoriada como Janice Robbins. O mesmo aconteceu com Lewis Seaver e Cameron Klein (vivendo como Hank Thompson), sendo que apenas Klein/Thompson aparece na série e Seaver é dado como morto.

Para que fiquemos na mesma página, vamos recapitular: (1) o GH-235 é uma substância retirada de um alien azul que vimos na 1ª temporada; (2) todos os injetados – inclusive o ex-agente Garrett, que traiu a S.H.I.E.L.D. – passaram a ter compulsão de alguma forma desenhar os estranhos símbolos; (3) Skye, que também foi injetada com a substância, não sentiu efeito algum, dando a entender que ela e o alien tem algo mais em comum; (4) ao final do episódio anterior, Skye deduz que esses símbolos formam um mapa.

Com Coulson e Skye ao encalço de Derik, aprendemos, pela máquina da memória, que o tal alien azul tem milhares de anos, antecedendo as pirâmides. Ainda que não formalmente nomeado na série, as palavras “alien” e “azul” em uma expressão só normalmente significam Kree (o mesmo povo de Ronan, O Acusador, vilão principal do filme Guardiões da Galáxia) no Universo Marvel. De particular importância é o fato de ele ter milhares de anos (isso se ele for Kree mesmo) pois, nos quadrinhos, foi a raça Kree que, em visita à Terra há milhões (parecido com milhares, não?) de anos, descobriu o potencial dos humanos (aqueles geneticamente alterados pelos Celestiais, um deles aparecendo de relance também em Guardiões) e acabou criando uma raça superior. Que raça é essa? Os Inumanos. Que filme a Marvel vai lançar mesmo em 2018? Sim, Inumanos! Mas claro, há sempre a conexão com Carol Danvers, a Capitã Marvel, que terá seu filme solo (em 2018 também!) e cuja origem é fortemente ligada aos Kree.

E, meio que para enlouquecer os fãs de vez, Coulson finalmente descobre o que são os desenhos. Nada de mapas. Nada de códigos. Trata-se de uma planta tridimensional de uma cidade. Oras, sei que há várias cidades misteriosas no Universo Marvel. Mas os Inumanos ocupam uma das mais importantes: Attilan, que já esteve na face oculta da Lua, no Tibet e, mais recentemente, sobrevoando Nova Iorque.

Muita doideira?

Bem, eu acho que é maluquice. A Marvel está perigosamente atiçando seus fãs e, se não entregar algo desse naipe, com essa envergadura, ela arrisca transformar Agents of S.H.I.E.L.D. em uma bobagem inútil. Isso é que me dá esperança de que, se não forem os Inumanos ou, ao menos, algo conectado a eles, seja outra coisa muito relevante na construção e expansão do Universo Cinematográfico Marvel. O que me deixa com o pé atrás é que estamos em 2014, quatro anos antes dos filmes solo dos Inumanos e da Capitã Marvel chegarem aos cinemas. Não seria cedo demais para introduzi-los? Ou Attilan – se for mesmo Attilan! – será uma cidade abandonada pelos Inumanos, que há muito saíram da Terra ou se misturaram com a população? Se a produção tiver mesmo os Inumanos na cabeça, pode ser que, usando esse artifício, eles consigam jogar o mistério para a 3ª temporada da série, que aí sim se aproximaria de 2018.

Bem, eu disse que eu faria muita especulação, não? Mas vamos voltar, por um momento, ao episódio. Toda essa trama envolvendo Coulson e Skye ocorre paralelamente à caça do ex-agente Grant Ward pelos pesos-pesados da S.H.I.E.L.D.: Bobbi, Hunter, Triplett e May. É nesse lado do capítulo que vemos como Ward é um grande agente, pois ele consegue facilmente dar um baile em todos os seus caçadores e também no braço direito do Dr. Whitehall, o agente da Hydra Bakshi. Ainda é cedo para entender as ações de Ward, mas o fato é que ele pode potencialmente trazer para a série um lado verdadeiramente interessante de espionagem e contra-espionagem, voltando ao espírito setentista de se abordar a agência de Nick Fury que podíamos ver nos quadrinhos de Steranko e, também, em Capitão América 2.

Achei particularmente interessante como o diretor Vincent Misiano conseguiu manter o suspense do começo ao fim em relação a tudo que Ward faz, seja lidando com a S.H.I.E.L.D., seja com a Hydra. Se a coisa vai continuar caminhando assim, não dá para adivinhar, mas essa duplicidade do agente e o bom trabalho de atuação de Brett Dalton (fiquei sinceramente surpreso nesse ponto) literalmente abafam até mesmo as sempre imponentes presenças de May e Bobbi.

É perfeitamente possível afirmar que Agents of S.H.I.E.L.D.está se tornando a série que deveria ter sido desde o começo. A segunda temporada trouxe essa pegada mais sombria e eliminou – até agora ao menos – a estrutura de “vilão da semana”, passando a ter um episódio relevante atrás do outro. The Writing on the Wall, mesmo não decolando na ação, aprofunda a mitologia da série e dá um gostinho do potencial do que está por vir. Resta só saber se ele será realizado.

A partir daqui, listo as (possíveis) referências ao Universo Marvel em quadrinhos desse episódio:

1. Micro – Skye menciona que conseguiu fotos do assassinato de Janice Robbins/Rebecca Stevens de alguém chamado Micro, um “viciado em cenas de crime”. Nos quadrinhos, Microchip foi um parceiro de ninguém menos do que Frank Castle, o Justiceiro, na fase do primeiro Punisher War Journal. Microchip, como o nome indica, é o equivalente a Skye no mundo de Castle. Não fica claro, porém, se é o mesmo personagem, mas sempre tenho a tendência de não acreditar em coincidências em séries como essa.

2. Rebecca Stevens – Esse é o nome verdadeiro de Janice Robbins, assassinada por Derik na série. Nos quadrinhos, Stevens é uma historiadora de super-heróis que escreve um livro sobre a vida secreta do Cavaleiro Negro, ex-membro dos Vingadores.

3. Cameron Klein – Esse é o nome verdadeiro de Hank Thompson, que ajuda Coulson ao final do episódio. Klein, nos quadrinhos, é um técnico da S.H.I.E.L.D. que, em uma interessante história, consegue a façanha de sequestrar o Capitão América para levá-lo até seu avô, que havia sido salvo pelo Capitão durante a Segunda Guerra Mundial para que o velhinho possa ver seu herói pela última vez. A boa índole de Klein foi mantida no episódio.

4. Alien azul – Ainda não é certeza, mas, como comentei acima, há boas chances de ele ser mesmo um Kree que veio para a Terra há milhares de anos.

5. Barão Von Strucker – Lembram-se do vilão que aparece na primeira cena pós-crédito de Capitão América 2? Como mencionei aqui, ele é o Barão Von Strucker, um dos líderes da Hydra. Ele é mencionado por Grant Ward na Taverna Goldbrix, em conversa com Bakshi, dizendo que Strucker estaria fora dos EUA e que, por isso, Bakshi obedeceria a mais alguém na Hydra, ou seja, o Dr. Whitehall. Há um vislumbre da estrutura hierárquica da organização criminosa.

6. Triskelion – Há menção ao quartel general da S.H.I.E.L.D. que vimos em Capitão América 2 e que surgiu nos quadrinhos no Universo Ultimate da Marvel, também como base da mesma agênia só que na baía de Nova Iorque.

7. The Diviner (Obelisco) – Mencionado brevemente por Skye, mas a expressão “diviner” tem relação com a mitologia dos Inumanos de maneira genérica.

8. Dr. Daniel Whitehall – Nos quadrinhos, Daniel Whitehall é um lendário agente da Hydra conhecido pelo codinome Kraken. Na série, ele é o líder da Hydra. Nesse episódio, ele é apenas referenciado.

9. 3. Barbara “Bobbi” Morse – Nos quadrinhos, Bobbi Morse é a Agente 19 da S.H.I.E.L.D. e a super-heroína Harpia (Mockingbird). Ela não tem poderes e usa dois cassetetes que se unem para formar um cajado.

10. Lance Hunter – Diretor da S.T.R.I.K.E., agência correspondente à S.H.I.E.L.D. na Inglaterra. Na série, é um ex-SAS e ex-mercenário que se junta ao time de Coulson. É, também, ex-marido de Bobbi.

11. Pai de Skye – Kyle MaLachlan vive o misterioso pai de Skye, que ainda permanece sem nome. Ele é apenas referenciado nesse episódio. Seria ele Maximus, o irmão louco do rei Inumano Raio Negro? Especulações, especulações…

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X07: The Writing on the Wall (EUA, 2014)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Vincent Misiano
Roteiro: Craig Titley
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, Reed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.