Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X08: The Things We Bury

estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS na crítica.

Se você ainda não foi fisgado por Agents of S.H.I.E.L.D., garanto que The Things We Bury vai chamar sua atenção e, talvez, apagar a eventual má impressão que a 1ª temporada tenha deixado. Ainda não há gigantescas revelações (o ser azul é apenas definitivamente categorizado com um alien) e nada da eventual confirmação de que a tal cidade encontrada no episódio anterior tem alguma relação com os Inumanos ou outra cidade misteriosa pinçada dos quadrinhos (um leitor, outro dia, argumentou que poderia ser Atlântida, o que não deixa de ser interessante).

Mas, vemos dois (ou três) outros mistérios sendo revelados em um episódio cheio de história para contar.

O primeiro e mais importante deles é exatamente quem é Daniel Whitehall. E, para isso, a série se vale de uma volta a 1945, uma versão estendida do que apenas vislumbramos em Shadows, o episódio de abertura. Um alemão nazista da Hydra tem a posse do obelisco. É o mesmo ator que vive o Dr. Whitehall no presente, como ele apareceu no começo da série, devidamente fardado.  No entanto, seu nome é Werner Reinhardt. Nunca tivemos muitas dúvidas, considerando os quadrinhos, em que todos, sempre, por várias razões diferentes, têm vidas muito longas, que ele seria Whitehall. No entanto, em The Things We Bury, nós aprendemos que Reinhardt fazia experimentos com o Obelisco e, um belo dia, encontrou uma moça de feições orientais que não era transformada em pó quando tocava no objeto.

Com a “morte” do Caveira Vermelha, Reinhardt é capturado por Peggy Carter e seu Comando Selvagem e aprisionado até 1989, quando é libertado por ninguém menos do que o subsecretário de estado dos EUA Alexander Pierce. Não se lembram de Pierce? Ele é o chefão da S.H.I.E.L.D. vivido por Robert Redford em Capitão América 2 e o responsável pelo renascimento da Hydra. Reinhardt, então, no final da década de 80, acha novamente a moça asiática que não havia envelhecido um dia e, depois de experimentos dignos de um campo nazista, descobre a “fonte da juventude” e se torna Daniel Whitehall.

O chocante dessa revelação não é ela em si, mas sim o fato de que a série, com ela, mergulha nas sombras completamente. O diretor Milan Cheylov não se furta em mostrar  os horrores que Reinhardt faz na mulher e, para uma série de TV aberta, especialmente uma de propriedade da Disney, essa volta de peito aberto ao passado nazista dessa maneira (nada é completamente explícito, mas o que fica nas entrelinhas é forte) é um sinal de coragem, uma indicação de que as luvas de pelica foram retiradas e que, agora, partiremos para o “vamos ver”. Talvez esteja esperançoso demais, mas é a sensação que tive.

Além disso, a estrutura paralela do roteiro vai, por intermédio de uma esperta montagem, casando a ação no passado com as ações de Coulson, Skye, Fitz e Trip no presente, tentando fazer conexão com uma rede de satélites super-secreta para varrer a Terra e achar a cidade perdida. Coulson e Fitz se encontram com o enlouquecido pai de Skye no processo (Kyle MacLachlan dando um banho de atuação, com uma personalidade corroída parte-médico, parte-monstro), que também quer achar a cidade, só que, para Whitehall. Aliás, falando nele bem no finalzinho, em um diálogo simples, mas certeiro, temos o vislumbre do verdadeiro objetivo do pai de Skye, quando o flashback revela que a moça oriental era, na verdade, sua esposa e mãe de Skye. Seriam os dois Inumanos? Só o tempo – e talvez o próximo episódio – dirá. Uma coisa porém ficou evidente: seus planos para Whitehall provavelmente passam pelo uso livre de diversos objetos cortantes em pele alemã…

E, em uma terceira linha paralela, que acompanha a literalidade do título do episódio – “As Coisas Que Enterramos” – vemos Grant Ward tendo uma delicada “reunião de família” com seu irmão, o Senador Christian Ward. Voltamos a The Well, episódio da 1ª temporada, e descobrimos finalmente quem é o “menos psicopata” dos dois. É tudo um plano de Grant para se re-infiltrar na Hydra como agente duplo? Ou ele quer mesmo trabalhar para Whitehall/Reinhardt? Tenho para mim que Grant se tornou um agente independente e está fazendo aquilo que acha que deve fazer por Skye. Romântica demais minha conclusão, admito, mas até que não desgosto da ideia.

O fato, porém, é que, agora, sabemos que o ser azul é extraterrestre, em vista da conversa de Reinhardt com Peggy Carter e que, conforme deixa claro o pai de Skye, eles vieram para “acabar com a vida”, elegendo apenas alguns que mereceriam viver. É sempre bom lembrar que, nos quadrinhos, os Inumanos são originados de experiências genéticas (mais um paralelo interessante com o trabalho maligno de Reinhardt/Whitehall) em humanos que haviam sido anteriormente modificados por Celestiais. Seriam eles os escolhidos para viver?

Sei que estou novamente fazendo várias perguntas e várias suposições, mas é que esse episódio deu até desespero por nos deixar “na esquina” da resolução do mistério, ainda que algo me diga que a confirmação – ou não – dos Inumanos na série ainda está um pouco distante. Só nos resta esperar, mas é uma espera tornada prazerosa por um trabalho coeso dos roteiros dessa temporada que, sem sombra de dúvida, contam apenas uma história, sem se socorrer de fórmulas batidas de outras várias séries longas por aí. Se vai dar certo de verdade, ainda não é possível dizer, mas a 2ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. vem surpreendendo, mesmo se comparadas às demais séries super-heroísticas que há por aí.

A partir daqui, listo as (possíveis) referências ao Universo Marvel em quadrinhos desse episódio:

1. Peggy Carter – Primeiro amor do Capitão América, durante a 2ª Guerra Mundial e comandante do SSR, versão original da S.H.I.E.L.D. e do Comando Selvagem.

2. Comando Selvagem (apenas mencionado) – Nos quadrinhos, grupo de soldados de elite comandados por Nick Fury durante a 2ª Guerra Mundial. No Universo Cinematográfico Marvel, o grupo foi arregimentado pelo Capitão América.

3. Alien azul (mencionado) – Confirmando, ainda que metaforicamente, como membro de uma raça alienígena que veio para Terra há milhares de anos para acabar com toda a vida, deixando apenas alguns escolhidos. Kree? Provavelmente sim!

4. Diviner/Obeslico – Objeto misteriosos cujos mistérios o Dr. Whitehall quer descobrir. O pai de Skye o chama de Diviner, que, nos quadrinhos tem relação genérica com os Inumanos. Nesse episódio, aprendemos que ele é algum tipo de chave para ser usada no templo da cidade misteriosa achada por Coulson.

5. Cidade misteriosa – Attilan, a cidade dos Inumanos ou algum entreposto semelhante? Possivelmente.

6. Pai de Skye – Kyle MacLachlan vive o pai de Skye, um louco furioso que perdeu a esposa assassinada por Reinhardt/Whitehall e deseja se juntar à Skye. Pode ser um Inumano. Mas ele é um médico. E aparentemente, um monstro também. E Mr. Hyde não é só um personagem de Robert Louis Stevenson e a inspiração para o Hulk, como um efetivo personagem – um vilão – da Marvel. Mas vou logo dizendo que, se ele for mesmo Mr. Hyde, vilãozinho de 15ª categoria da Marvel e não um Inumano, possivelmente Maximus, o irmão louco de Raio Negro, o rei, ficarei muito desapontado e terei que chamar o Kevin Feige para uma conversa séria!

7. Subsecretário (Alexander) Pierce – Nos quadrinhos, Pierce é um leal agente da S.H.I.E.L.D. No Universo Cinematográfico Marvel, ele foi o chefe da Hydra infiltrado na S.H.I.E.L.D. que levou à derrocada de Nick Fury em Capitão América 2.

8. Dr. Daniel Whitehall (ou Werner Reinhardt, originalmente) – Nos quadrinhos, Daniel Whitehall é um lendário agente da Hydra conhecido pelo codinome Kraken. Na série, ele é o líder da Hydra, aparentemente abaixo do Barão Strucker.

9. Asgardianos – O povo de Asgard, lar de Thor, é mencionado brevemente quando a idade de Reinhardt/Whitehall está sendo discutida.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X08: The Things We Bury (EUA, 2014)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Milan Cheylov
Roteiro: DJ Doyle
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, Reed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.