Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X11: Aftershocks

estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS na crítica.

Agents of S.H.I.E.L.D. voltou depois de um longo hiato de três meses. E voltou já trazendo muitas novidades, algo necessário não só para fazer seus fãs acordarem, como também para tentar competir com Agent Carter que, com toda sua discrição de uma mera série-tampão, fechou uma temporada inesperadamente próxima da perfeição, ao menos no que se refere a séries baseadas em quadrinhos (e sim, incluo as séries baseadas nos personagens da Distinta Concorrência).

Para começar, em um flashback para 1983, somos apresentados à versão jovem do mesmo personagem sem olhos que vimos no final de What They Become quando ele acabara de ganhar seus poderes (ao menos o de teletransporte, como Noturno, fica bem evidente). Ele se chama Gordon e sua mentora parece ter sido a falecida (em tese) mãe de Skye e esposa de Cal, Jiaying (Dichen Lachman). Não há ainda clareza se ele é ou não o Inumano Reader, introduzido recentemente nos quadrinhos. O mais importante dessa sequência, porém, é a mais completa e absoluta confirmação de que a série seguirá mesmo a linha narrativa de apresentação dos Inumanos, mesmo considerando que estamos a quatro anos antes da estreia do anunciado filme do grupo.

Essa (linda) confirmação vem diretamente da boca de um dos personagens que observa o garoto, quando ele primeiro diz “névoa” e, depois, “terrígena”, em frases separadas ok, mas o suficiente. Afinal, as “névoas terrígenas” catalisam a transformação de humanos com DNA especial (na mitologia dos quadrinhos, é o DNA alterado há milhares de anos pelos Celestiais e, depois, alterado novamente pelos Kree – ambas criaturas já vistas em Guardiões da Galáxia, por sinal) em Inumanos.

Não tenho nenhuma esperança que, a essa altura, vejamos os Inumanos de primeira linha, como Raio Negro ou Medusa, mas, como eles formam um vasto povo, há muito espaço para manobra. E, claro, tanto Raina quanto Skye foram expostas à névoa no midseason finale, a primeira transformando-se fisicamente e, a segunda, ganhando poderes de geração de terremotos (Skye é, na verdade, Daisy Jonhson, a Tremor dos quadrinhos, criada em 2004 para a saga Guerra Secreta) .

Mas como são as coisas, não? Enquanto Raina ansiava por essa transformação, Skye queria fugir dela desesperadamente. E o resultado final foi que Raina transformou-se em um sanguinário monstro espinhudo que quer de toda maneira voltar ao que era antes. Skye, por sua vez, não foi alterada fisicamente, mas passou a ter devastadores poderes que ela não sabe controlar.

E é em Skye e sua quarentena no QG da S.H.I.E.L.D. que o episódio passa a focar. Isolada, ela sente a tensão dentro de si mesma (nem ela nem ninguém sabe que agora ela tem poderes) e também por intermédio de seus olhos vemos a tensão se formando no grupo liderado pelo Diretor Coulson .

Todos sentem profundamente a morte de Tripp e cada um reage à sua maneira. Skye e Simmons se sentem culpadas. Fitz se sente um inútil. Mack está completamente perturbado por ter sido controlado pela tecnologia da cidade subterrânea. Coulson tenta manter o time unido, mas a temperatura está quente, gerando uma excelente cena com o grupo todo, sendo observado com Skye, entrando em feroz discussão sem luvas de pelica iniciada por um furioso e quase descontrolado Mack. Palmas para o elenco e para o roteiro de Maurissa Tancharoen e Jed Whedon, que voltam a escrever na série após Shadows, o primeiro episódio dessa temporada. E a mais importante característica desse momento é não deixar a morte de Tripp passar em branco, com verdadeiro uso dramático do evento, incluindo uma visita de Coulson à mãe do agente, com direito a foco momentâneo na foto do avô de Tripp junto com o Comando Selvagem durante a 2ª Guerra Mundial.

O que, porém, não funciona muito bem no roteiro é o radicalismo na mudança de personalidade de Simmons. Ela agora quer matar todo mundo, erradicar a “epidemia” (como ela chama as névoas) e sair esbofeteando os vilões. Ok, ela está chateada, irritada. Entendo isso perfeitamente bem. Mas, primeiro e acima de tudo, ela é uma cientista. Segundo, apesar de já ter ido a campo antes, ela é essencialmente uma agente estacionária com personalidade tímida e dedicada à Ciência. É um distanciamento muito grande que o roteiro exige e isso acaba não se encaixando de maneira suave.

O mesmo vale – mas com menos ênfase – para a primeira reação de Fitz ao descobrir que Skye foi sim contaminada e que o terremoto no templo foi “culpa” dela. No entanto, nesse caso, a reação ganha contornos diferentes quando Fitz, off camera, volta atrás e ajuda Skye a esconder sua nova condição. Não sei como isso pode funcionar de verdade a média prazo, mas a dinâmica Fitz-Skye ainda não havia sido testada e pode funcionar por alguns episódios. É ver para crer.

Coulson é outro que quer sangue e está disposto a qualquer coisa para isso, até mesmo um plano amalucado – mas muito eficiente – para destruir a liderança da Hydra. Parece algo muito corrido, e é. Algo como uma tentativa do roteiro de varrer a bagunça para debaixo do tapete. Mas ao menos vemos o nome Barão Strucker ser mencionado algumas vezes, já que o vilão, visto na cenas no meio dos créditos de Capitão América 2: O Soldado Invernal, será importante em Vingadores: Era de Ultron.

De toda forma, esse primeiro episódio da segunda metade da temporada esquenta os motores e reinicia a história, dando um pouco do gostinho do caminho que a série deverá tomar. Sim, teremos muita “inumanidade” (aquela cena de resgate de Raina ao final ficou inegavelmente bacana e intrigante), muito joguinho de sombras entre Fitz e Skye para manter o segredo dela escondido e, claro, um novo mistério: o que diabos Mack e Bobbi estão querendo com a caixa de Nick Fury, sob a guarda de Coulson? São agentes duplos? Trabalham para Ward (aliás, cadê Ward?)? Ou será que trabalham para o próprio Fury?

Há ainda muitos episódios pela frente. O truque é encarar essa segunda metade como uma nova temporada e um prelúdios para Vingadores 2.

E, principalmente, tentar não comparar com Agent Carter

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X11: Aftershocks (EUA, 2015)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Billy Gierhart
Roteiro: Maurissa Tancharoen, Jed Whedon
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, Reed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.