Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X12: Who You Really Are

estrelas 3

Aviso: Há SPOILERS na crítica. Leia as críticas dos outros episódios, aqui.

Who You Really Are é um dos poucos episódios de Agents of S.H.I.E.L.D. que poderia ter se beneficiado de maior extensão ou, melhor dizendo, uma continuidade por mais um ou dois capítulos. É muita informação nova, muitos acontecimentos novos embalados em frenéticos e minguados 43 minutos.

Lady Sif chega desmemoriada em seu segundo episódio na série (o primeiro foi Yes Men, o 15º da 1ª temporada), descobre-se que ela está caçando um homem que é um Kree e que esse Kree – Vin-Tak (se fosse Mar-Vell eu provavelmente estaria no hospital agora e não escrevendo essa crítica) – quer, por sua vez, achar os Diviners, aqueles artefatos contendo as Névoas Terrígenas que geraram as transformações em Skye e Raina, além da morte de Trip. O segredo sobre os poderes de Skye dura muito pouco e também aprendemos, em detalhes, aquilo que os leitores dos quadrinhos sabiam e esperavam a confirmação: os Kree são os responsáveis pela “terrigênese” que, aparentemente, somente deu certo na Terra (abrindo espaço para eventualmente os Celestiais se envolverem nessa origem, mas vamos deixar isso quieto por enquanto). Além disso tudo, há o aprofundamento, de um lado, da relação amorosa entre Bobbi e Hunter e, do outro, do segredo compartilhado entre Bobbi e Mack que, aparentemente, não se relaciona com a HYDRA.

Ufa!

Coisa demais para um episódio só não acham? E o pior é que há ainda o artifício da perda de memória de Sif, algo que acaba muito mal usado em vista da correria do roteiro. Se é gratificante ver Agents of S.H.I.E.L.D. fincar vigorosamente o pé como parte indelével do Universo Cinematográfico Marvel – há alguns anos, absolutamente ninguém diria que um Kree live action seria visto na televisão, não é mesmo? – por outro é um pouco irritante ver tanta coisa interessante passar pela nossa frente que nem aquelas ressalvas de remédio ao final de publicidade em rádio. Quase não dá para entender se você não for um expert na mitologia pesada da Marvel envolvendo os Inumanos e os Kree.

Mas não é um episódio ruim. Longe disso. Ele apenas mostrou tanto potencial que foi um pouco, digamos, desapontador ver tanta coisa ser jogada para nós sem que tivéssemos tempo de digerir com calma. Por isso é que eu acho que Who You Really Are teria sido um ótimo episódio duplo ou triplo, em que a amnésia de Lady Sif pudesse ser melhor trabalhada, assim como a revelação do segredo de Skye e, também, os três posicionamentos sobre o que fazer com ela: tratá-la na S.H.I.E.L.D., matá-la ali mesmo ou aprisioná-la em Asgard.

Ver Jamie Alexander como Sif novamente foi divertido, com certeza. A atriz sabe incorporar bem a personagem durona, soltando pequenas e poucas piadas aqui e ali que acabam combinando perfeitamente com sua retidão moral e de caráter. Eu até mesmo gostaria que ela se juntasse de forma mais permanente ao grupo, pois a interação com o pessoal de Midgard tem grande potencial.

No caso do Kree Vin-Tak, demorei a me acostumar. Mas a razão foi pessoal, já que assistia Warehouse 13 (shhh, não contem para ninguém!) e ver Eddie McClintock com pele azul me distraiu por vários minutos, já que seu ar bonachão não me saía da cabeça. Mas o resultado final foi inesperadamente bom. No lugar da seriedade do outro Kree que já conhecemos em Guardiões da Galáxia (claro que você se lembra de Ronan, o Acusador, certo?), ganhamos uma mistura de guerreiro preocupado e palhaço boa praça. Funcionou, especialmente depois de ele apanhar de absolutamente todo mundo…

Em relação a Skye, fiquei feliz ao ver que o mistério sobre seu poder acabou logo. Ainda que tivesse sido interessante ver mais interação entre ela e Fitz em outros capítulos, talvez o grupo lidando com a “abominação” (que não tem nada de abominável, vamos combinar) crie uma dinâmica ainda melhor. E isso sem contar com o estranhíssimo segredo entre Bobbi e Mack que leva o último a dar um mata-leão em Hunter, o que pode catalisar mais acontecimentos frenéticos já no próximo episódio. Minha suspeita é que os dois estejam trabalhando secretamente para o ex-agente Ward, mas ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa nesse sentido.

O pecado de Who You Really Are é ser revelador demais em muito pouco tempo, o que acaba revelando um roteiro fraco. Convenhamos, porém, que esse é um pecado fácil de perdoar, especialmente no caso dos fãs sedentos de confirmações e mais informações sobre o Universo Cinematográfico Marvel. Mesmo assim, espero uma diminuição de passo para que a poeira assente ao menos um pouco e que os roteiros, então, possam ser melhor desenvolvidos.

Ah, já ia me esquecendo de soltar uma curiosidade nerd: a diretora desse episódio, Roxann Dawnson, viveu B’Elanna Torres em Star Trek: Voyager. Ela já dirigiu outros dois episódios da 1ª temporada de Agents of S.H.I.EL.D. e, desde que estrelou Voyager, não parou mais de dirigir episódios esporádicos de dezenas de séries de TV (inclusive da própria Voyager e, depois, Enterprise)

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X12: Who You Really Are (EUA, 2015)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Roxann Dawson
Roteiro: Drew Z. Greenberg
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, Reed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay, Jamie Alexander, Eddie McClintock
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.