Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X13: One of Us

estrelas 2

Aviso: Há SPOILERS na crítica. Leia as críticas dos outros episódios, aqui.

O foco de One of Us foi a criação da “Liga dos Mulambos Ordinários” por Cal (Calvin Zabo, vivido por Kyle MacLachlan), mais conhecido como o pai de Skye, para atacar o Diretor Coulson e seus agentes. Se, por um lado, fica óbvio que essa trama jamais poderia ir em frente, pelo caráter quase satírico dela, de outro ela não deixa de passar aquela sensação de que acabamos de ver um episódio filler, sem história efetiva para contar.

Apesar do aspecto de mendigo e da relativa inutilidade de cada um dos membros recrutados por Cal, a presença constante de Kyle MacLachlan, que costumeiramente só faz pontas, é um prazer. Seu personagem convence a cada segundo como um louco varrido tentando passar por pai amoroso e marido devastado pela morte da esposa. Ele transita perfeitamente entre amargura e tristeza em um momento e, logo no outro, obsessão e insanidade. Além disso, na ótima conversa em um restaurante com um grupo, sua ligação mais evidente com sua contrapartida nos quadrinhos, Mr. Hyde, é escancarada: sua aparente super-força (cuja abrangência ainda não foi realmente vista) é resultado de uma fórmula que ele inventou, exatamente como o supervilão das HQs inspirado na obra de Robert Louis Stevenson.

Mas sua presença, por si só, ainda que agradável e divertida, não justifica o episódio. Os vilões que formam a equipe mulambenta são: Wendell Levi, uma espécie de gênio, vivido por Ric Sarabia; Francis Noche, um homem com super-força nos braços, vivido por Geo Corvera; Karla Faye Gideon, uma mulher com garras no lugar de unhas, vivida por Drea de Matteo (a Wendy, de Sons of Anarchy) e David Angar, com poderes vocais que lembram de longe os de Raio Negro, rei dos Inumanos, vivido por Jeff Daniel Phillips. Os dois primeiros foram criados para a série, mas Gideon e Angar, a primeira em versão bem diferente, mas o segundo bem parecido, foram retirados dos quadrinhos, ambos com ligações históricas com o Demolidor (o que me leva a crer, considerando a vindoura série do herói pelo Netflix, que a escolha não foi mera coincidência). Não são meta-humanos, inumanos ou algo semelhante, apenas da categoria enhanced, ou seja, sofreram algum tipo de intervenção humana para se transformarem no que são e, como tal, não são nem de longe páreo para a equipe de Coulson.

Com isso, a grande “batalha final” é quase que uma brincadeira cujo único objetivo é mesmo a aparição repentina do Inumano sem olho Gordon para teletransportar Cal dali. O que fica, porém, é uma sensação de vazio, de perda de tempo, já que a trama não avança além da introdução desses personagens que, suspeito, não terão muito futuro na série (eu pelo menos espero que não tenham, pois não são muito melhores do que “cospobre” em termos visuais e não mais do que uma linha no roteiro em termos de construção narrativa).

Sim, aprendemos o  que a S.H.I.E.L.D. faz – ou fazia – com essas pessoas, mas a explicação no roteiro não convence. Afinal, porque uma entidade global que lida com ameaças extraterrestres se preocuparia com uma vilã que tem pequenas facas no lugar de unhas? E facas essas “aparafusadas” na mão e não algo do mesmo naipe do que vemos com Wolverine e todos os seus “filhotes”.

Mesmo a tentativa de dramatizar o sofrimento de Skye falha. É mais do mesmo, com a inclusão de um novo personagem, o Dr. Andrew Garner (Blair Underwood), psiquiatra e ex-marido de May. A dinâmica entre o ex-casal começa até interessante, mas não tem tração e o estudo de caso que Garner faz de Skye é simplista e bobalhão demais, além de acabar tão repentinamente quanto começou, sem acrescentar nada de efetivo à história.

A única exceção – mas que confirma a regra, é a interação de Mack com Hunter, que levou à revelação de que aparentemente existe uma “verdadeira S.H.I.E.L.D.”. As hipóteses são mil. Pode ser Fury, Ward ou até mesmo uma enganação da Hydra ou outra agência dos quadrinhos como a S.W.O.R.D. ou a H.A.M.M.E.R. A curiosidade foi, definitivamente, aguçada.

One of Us é, espero, um soluço nessa 2ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. Faltam ainda muitos episódios e os Whedon têm conseguido evitar fillers de forma bem eficiente e confio que esse desvio tenha sido apenas isso mesmo e que a série voltará aos eixos em Love in the Time of Hydra. É torcer.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X13: One of Us (EUA, 2015)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Kevin Tancharoen
Roteiro: Monica Owusu-Breen
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, Reed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay, Jamie Alexander, Eddie McClintock, Blair Underwood, Drea de Matteo, Jeff Daniel Phillips, Geo Corvera, Ric Sarabia
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.