Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X15: One Door Closes

estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS na crítica. Leia as críticas dos outros episódios, aqui.

Depois de um recomeço bom, mas morno, com Aftershocks, seguido de um episódio entulhado de informações jogadas em nosso colo sem qualquer desenvolvimento (Who You Really Are), chegando ao ponto mais baixo com One of Us, focado no ótimo personagem de Kyle MacLachlan, mas completamente deslocado do espírito da temporada, a curva ascendente só começou mesmo com Love in the Time of Hydra e a introdução de uma “verdadeira S.H.I.E.L.D.” comandada por Robert Gonzales, vivido por ninguém menos do que Edward James Olmos. Essa linha narrativa tinha potencial de ser amplamente trabalhada e construída ao longo de alguns episódios, culminando com o crossover com Vingadores 2.

Aparentemente, porém, Jed Whedon e a Marvel não estão brincando em serviço e não querem saber mais de enrolação. Toda a construção de uma guerra entre as duas versões da S.H.I.E.L.D. foi condensada, pelo momento, em One Door Closes. Em tese – apenas em tese – um desperdício narrativo, considerando que ainda há sete episódios pela frente.

Acontece que One Door Closes é tudo aquilo que Who You Really Are não foi: um grande exercício narrativo que derrama informações sem parar, mas de maneira orgânica, equilibrada e extremamente bem cadenciada, sem qualquer soluço ou desvio. Além disso, o episódio nos oferece informações genuinamente interessantes que são casadas com saudáveis doses de conexão direta com o Universo Cinematográfico Marvel e de ação no passado e no presente. Parece ser, em outras palavras, o equivalente a Turn, Turn, Turn, episódio chave da 1ª temporada.

Para começar, voltamos aos acontecimentos do dia em que a S.H.I.E.L.D. caiu, seguido aos eventos de Capitão América 2: O Soldado Invernal. Vemos Mack preso pela Hydra e sendo salvo por Bobbi e, surpresa, surpresa, Isabelle Hartley (novamente vivida por Lucy Lawless) que logo se juntam a Robert Gonzalez (ver uma “reunião” de dois atores do elenco de Battlestar Galactica me deixou enlouquecido de alegria!) em uma missão suicida para destruir o porta-aviões onde estavam para evitar que ele caísse nas mãos inimigas.

E o melhor é que esse flashback permeia todo o episódio, de maneira paralela à ação no presente, com essa “verdadeira S.H.I.E.L.D.” mostrando suas garras e, por intermédio de Bobbi e Mack, atacando a S.H.I.E.L.D. de Phil Coulson. Esse ataque em si já merece as maiores comendas, pois o roteiro de Lauren LeFranc e Rafe Judkins (a dupla do ótimo A Fractured House), no lugar de ser direto e óbvio, empilha reviravoltas em cima de reviravoltas que a sábia direção de David Solomon (veterano parceiro de Joss Whedon, que dirigiu diversos episódios de Buffy: A Caça-Vampiros) sabe o que mostrar e o que não mostrar, evitando repetição e acelerando o passo sem perder a estrutura e a lógica interna de vista.

Com isso, as informações sobre a “verdadeira S.H.I.E.L.D.” e o pavor que Gonzales tem de tudo que é alienígena vêm facilmente, sem esforços, sem necessidade de muito texto expositivo. Fica evidente que o que ele não gosta é o que Coulson representa: a continuidade das loucuras e segredos de Nick Fury, dado como morto. Ele quer realmente (a não ser que uma rasteira nos seja dada mais para a frente) construir uma nova S.H.I.E.L.D. que proteja os humanos das aberrações alienígenas ou meta-humanas. Parece ser mesmo, como nosso leitor Leonardo Sette Pinheiro profeticamente comentou, o embrião do conflito que provavelmente veremos em 2016, em Capitão América 3: Guerra Civil.

Ou não.

Pode ser a Hydra novamente, atacando de maneira ainda mais sorrateira. Ou talvez seja Fury por detrás em algum plano mirabolante. Ou talvez até mesmo Grant Ward, ainda que, confesso, essa última ideia não me apeteça. O que realmente importa, porém, é a organicidade do desenvolvimento da ideia dentro da série, transformando essa segunda metade da segunda temporada em uma temporada nova, exatamente como Whedon fez com a primeira. A grande diferença é que, no lugar de uma primeira metade repleta de fillers, tivemos um bom desenvolvimento de personagens, culminando com as transformações de Skye (ou deveria chamar de Daisy?) e de Raina na primeira parte.

Aliás, falando em Skye, não podemos esquecer o quão sensacional é o fato de ela ter sido levada para a mesma cabana em que Bruce Banner se refugiou ao final de O Incrível Hulk, com direito à marca de um enorme soco na parede reforçada e a informação posterior de que o próprio Banner havia projetado o local para se auto-conter. Pequenos detalhes que criam um coeso e excitante universo em um ambicioso projeto super-heroístico que simplesmente não para de surpreender.

E surpreender o episódio surpreende ainda no final, com a demonstração da extensão do poder de Skye – será que o agente Calderon morrerá como um vampiro, com uma estaca no coração? – e a chegada do Inumano Gordon, que já a havia visitado oferecendo ajuda, para levá-la para “casa”. É potencialmente a sinalização da redução da participação de Skye na trama principal, para que ela possa ser treinada e voltar triunfalmente para salvar Coulson e equipe de alguma ameaça gigantesca.

Não que Coulson precise, vejam bem, pois a sequência final do episódio diverte ao colocá-lo na praia com Hunter em preparativos leves para tomar a S.H.I.E.L.D. de volta como se fosse algo corriqueiro. E sempre haverá May prisioneira de Gonzales, mas prisioneira porque ela quer, não porque foi pega de verdade. Ela sozinha já daria conta de todos ali (ok, menos de Bobbi, talvez) e, junto de Hunter e Coulson, não nutro muitas esperanças pela longevidade de Gonzales na cadeira de chefe.

One Door Closes é uma aula de como se fazer um episódio de uma série dessas. É, ainda, infelizmente, uma exceção em Agents of S.H.I.E.L.D., mas uma exceção que, quando vem, literalmente catapulta a série para outras alturas. Agora é torcer para que Whedon consiga manter o nível.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X15: One Door Closes (EUA, 2015)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: David Solomon
Roteiro: Lauren LeFranc, Rafe Judkins
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, RFieed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay, Jamie Alexander, Eddie McClintock, Edward James Olmos, Lucy Lawless, Kirk Acevedo
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.