Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X16: Afterlife

agents of shield 2x16 afterlife

estrelas 4

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui.

Depois do excelente One Door Closes, esperava uma queda no ritmo, mas fui gratamente surpreendido por mais um mais do que sólido episódio de Agents of S.H.I.E.L.D. que, assim como o anterior, fornece muitas informações novas sem entulhar a narrativa. E, ainda por cima, não só somos apresentados a um novo personagem, Lincoln (Luke Mitchell), um inumano com poderes elétricos que ajuda Skye em sua “transição”, como somos surpreendidos pela volta de não um, mas dois personagens: Deathlok (J. August Richards dando as caras pela primeira vez nessa temporada) e Jiaying (Dichen Lachman), a mãe de Skye que, claro, está viva.

A ação, dividida em quatro frentes, é muito bem costurada pelo roteiro de Craig Titley. A primeira e mais interessante frente lida com Robert Gonzales (Edward James Olmos, sempre imponente) equacionando a situação agora que colocou Coulson para correr. Ele precisa da ajuda de Fitz-Simmons para abrir o “cubo mágico” de Nick Fury, mas os dois não querem muita conversa, com Fitz literalmente pedindo para sair. Mas Gonzales não desiste e tem um plano muito plausível e perfeitamente executado para trazer a Agente May para o seu lado. Ao oferecer um assento na diretoria da “verdadeira S.H.I.E.L.D.” à arisca agente sob a desculpa de que Coulson, quando capturado, precisará de uma voz em sua defesa, ele mostra o quanto sabe jogar o jogo de espiões. Se May caiu nessa história – que, confesso, me convenceu! – e se Gonzales tem outras jogadas em sua maleta de mágico, saberemos provavelmente muito em breve.

A segunda frente lida com a continuação da fuga de Coulson, agora com Hunter ao seu lado. Eles voltam à cabana de Banner para aonde Skye havia sido levada e de onde fugiu graças ao poder de teletransporte do inumano Gordon, somente para reagrupar e pensar em um plano. Mas, claro, Coulson está sempre dois passos a frente e não só “convida” a S.H.I.E.L.D. de Gonzales para visitá-lo, como ainda tem, em uma surpresa bacana, Deathlok para encher de bordoadas os soldados. A volta do personagem à série é muito bem vinda, especialmente com uma nova armadura, bem melhor que a anterior, que era extremamente mal feita. A reconstrução do time de Coulson está a todo vapor e, agora, o trio parte para arregimentar Grant Ward. As coisas esquentarão, com certeza, pois Ward não gostará nada do que a “verdadeira S.H.I.E.L.D.” tentou fazer a Skye.

A terceira frente é um divertido jogo de “cientista bom, cientista mau” que Fitz e Simmons fazem debaixo dos narizes de Gonzales, Bobbi e Mack. Fingindo ignorância, inocência e mantendo os ares de “bonzinhos”, os dois são muito bem sucedidos no plano de roubar o cubo de Fury, em uma sequência não só excitante como engraçada, o que refresca e quase que dá um reboot na relação entre os dois, que andava para lá de estranha. Resta agora saber se isso tudo já havia sido planejado por Coulson e como Fitz se virará no mundo real sozinho.

Finalmente, a quarta frente é a mais carregada de informações. Vemos Skye acordando de um sono de dois dias cheia de agulhas de “acupuntura tecnológica” na pele. Ela está sendo tratada por Lincoln, um inumano encarregado de adaptá-la a seu novo ambiente. E que ambiente é esse? Quem respondeu Attilan errou, mas acertou ao mesmo tempo. Ela está em Afterlife, um vilarejo nas montanhas que claramente foi inspirado em Attilan (que, originalmente, nos quadrinhos, é a cidade dos Inumanos originalmente localizada nos Himalaias). Ninguém, nem mesmo Lincoln, sabe onde fica o lugar e Gordon é o único ponto de contato com o exterior e com os chamados Elders, que parecem ser os inumanos que controlam quem, como e quando aqueles que carregam a predisposição genética deixada pelos Kree podem passar pela terrigênese.

E isso tudo aprendemos com os longos diálogos entre Lincoln e Skye, com a segunda funcionando como nós, espectadores, que queremos saber tudo sobre aquilo que estamos vendo. A carga expositiva do roteiro, nessas sequências, incomoda um pouco, pois ouvimos muito mais do que vemos, em uma prática que normalmente incomoda demais. Mas, como estamos falando de uma série baseada em quadrinhos mainstream e não em Cidadão Kane, o texto explicadinho até tem seu lugar e é suficientemente intercalado com as outras frentes que discuti acima para não gerar maiores chateações.

O que é interessante é o quanto os comentários sobre Afterlife e os hábitos dos inumanos refletem a mitologia dos quadrinhos, algo que surpreende e, lógico, agrada aos fãs sem que se perca a ideia de que estamos assistindo a uma adaptação e não a uma transliteração e sem que os não iniciados fiquem perdidos. Com isso, AoS vai se solidificando como uma inseparável companheira da estratégia de longo prazo da  Marvel de dominar o mundo super-heroístico com seu Universo Cinematográfico. Se funcionará de verdade, só o tempo dirá.

O que fica evidente, pelo momento, é que, apesar de alguns percalços, a série vem caminhando por um caminho certeiro. E que continue assim!

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X16: Afterlife (EUA, 2015)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Kevin Hooks
Roteiro: Craig Titley
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, RFieed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay, Jamie Alexander, Eddie McClintock, Edward James Olmos, Ruth Negga, Luke Mitchell, J. August Richards, Dichen Lachman
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.