Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X20: Scars

estrelas 4

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui.

Depois do movimentado The Dirty Half Dozen, era de se esperar uma queda de ritmo em Scars, episódio que antecede o final temporada duplo. No entanto, mesmo Scars sendo claramente uma preparação para o fim, Jed Whedon não perdeu a mão e entrega uma história cativante que brinca com nossas expectativas.

Em um breve flashback, descobrimos que o Protocolo Theta, de Coulson, não era algo tão ameaçador quanto o Agente Gonzales imaginava, mas sim um plano para recuperar um aeorporta-aviões da S.H.I.E.L.D. para usá-lo em momento oportuno. Esse momento, no entanto, acontece fora da série, mais especificamente em Vingadores: Era de Ultron, quando nós o vemos sendo usado por Nick Fury para salvar a população de Sokovia. As conexões com o arrasa-quarteirão da Marvel, porém, vão mais além, com imagens da destruição de Sokovia na TV e com Gonzales mencionando Ultron e Tony Stark em diálogos que podem se perder se o espectador já não tiver visto o filme. Mas não é nada que realmente atrapalhe a narrativa e, no final das contas, empresta aquele senso de unicidade que já nos acostumamos – e esperamos – do Universo Cinematográfico Marvel.

Mas, revelado o segredo de Coulson e reunificada a S.H.I.E.L.D. sob seu comando, o episódio, então, passa a focar no que realmente interessa: a tensão entre os recém-revelados Inumanos (finalmente o nome é usado categoricamente na série!) e os agentes da S.H.I.E.L.D. A progressão narrativa não deixa surpresas sobre o potencial conflito, mas trabalha com as percepções dos espectadores sobre cada um dos personagens, pervertendo-as quase que completamente. Esperamos Coulson com algum ás na manga e ele não vem; esperamos que Gonzales seja o catalisador da vindoura guerra, mas é a “doce” Jiaying que usa de malícia para o mesmo fim; Son…, ou melhor, Raina parece manipuladora, mas acaba se mostrando sincera. A única personagem de quem realmente esperamos algo ruim e esse algo realmente acontece é a Agente 33, que não engana ninguém com aquele ar de “donzela agradecida pela segunda chance”. No entanto, mesmo ela tem bons momentos e estabelece a volta à história de Ward que, lógico, torna a se revelar bem mais complexo do que um ex-traidor arrependido como parecia ser no episódio anterior.

Essas pequenas reviravoltas ao longo do episódio poderiam ter causado confusão, mas a direção de Bobby Roth é segura e clara, com uma montagem didática exatamente para não confundir o espectador com as diversas linhas de “mistério” que aborda. São muitos personagens, mas todos ganham bom tempo de tela, inclusive com a despedida (enquanto dure) de Mack, que decide largar a S.H.I.E.L.D. unificada por não confiar em Coulson com DNA alienígena em vista de sua própria experiência com controle mental Kree. É um pequeno momento que “quebra” a tensão, mas que é bem-vindo justamente por isso, para mostrar o lado humano desses personagens.

O que realmente surpreende é o quanto a Marvel está investindo nos Inumanos, considerando que o filme solo dessa raça ainda está a quatro anos no futuro. Mesmo não utilizando nenhum personagem de monta, ao menos não até agora, fato é que o foco em Afterlife e nos inumanos, com uma guerra no horizonte, pode ter o potencial de diluir a novidade e frescor do vindouro filme. Por outro lado, a conversa entre Gonzales e Jiaying enfatiza o registro de seres superpoderosos no chamado index, o que pode significar que os Inumanos estão sendo usados agora para já preparar terreno para Capitão América: Guerra Civil, pois eles poderão engrossar as fileiras de seres que o governo (ou a S.H.I.E.L.D.) deseja controlar. Mas, mesmo no segundo caso, fico cautelosamente otimista sobre a capacidade da série em utilizar os inumanos de maneira que mantenha o interesse por eles por mais quatro anos sem que convidados especiais mais, digamos, famosos, passem a dar as caras nos episódios.

Esquecendo, por um momento, os planos maiores da Marvel, Scars funciona muito bem como o “início do fim”, trabalhando inteligentemente com a convergência de linhas narrativas para um final potencialmente explosivo, que provavelmente dependerá de muito uso de efeitos especiais. E, independente do resultado dessa guerra, o status quo da série terá que ser alterado, com uma dinâmica diferente entre os personagens e até mesmo o uso mais constante de seres com poderes além de Skye, como Lincoln por exemplo.

Agora é aguardar por S.O.S.!

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X20: Scars (EUA, 2015)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Bobby Roth
Roteiro: Rafe Judkins, Lauren LeFranc
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, Reed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay, Jamie Alexander, Eddie McClintock, Edward James Olmos, Ruth Negga, Luke Mitchell, J. August Richards, Dichen Lachman
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.