Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X01: Laws of Nature

agents of shield 3x01 laws of nature plano critico

estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui.

Com Laws of Nature, Agents of S.H.I.E.L.D. parece ter aberto a Caixa de Pandora e abraçou de vez a veia super-heroística, algo que não era o objetivo da série quando ela foi criada. Mas a movimentação faz sentido e era aguardada pelos espectadores, além de abrir um leque infinito de possibilidades.

Três meses depois do final da 2ª temporada, vemos um episódio que começa de maneira muito semelhante ao piloto da série, em que a S.H.I.E.L.D. tenta conter Mike Peterson, que acabara de ganhar poderes com a tecnologia Extremis de Homem de Ferro 3. A diferença é que, agora, o catalisador da transformação de Joey Gutierrez (Juan Pablo Raba, muito bem no papel) em um homem com o poder de derreter metais, é a névoa terrígena que foi espalhada no oceano. Ele é um inumano e está sob ataque de uma agência que quer capturá-lo (ou talvez matá-lo).

Mas, triunfalmente, vemos Skye – na verdade agora Daisy – chegando para salvar o dia, devidamente uniformizada como Tremor (com direito até às luvas que a caracterizam nos quadrinhos) e usando seus poderes sem pudor. Ao lado dela está Mack, que cria quase que automaticamente uma boa dinâmica com ela. Esse é, aparentemente, o começo dos Guerreiros Secretos, grupo originalmente criado por Nick Fury e que era composto mesmo por Tremor. Depois de salvar Joey, vemos que a S.H.I.E.L.D. como um todo mudou, tornou-se mais  tecnológica ainda, aparentemente com mais injeção de dinheiro. A dificuldade é entender como a agência, ainda agindo por debaixo dos panos, como fica claro no episódio, arruma dinheiro para financiar, dentre outros, o novo – e bem mais turbinado – avião do grupo, além da mão mecânica de Phil Coulson.

De toda forma, o bom desse episódio é que ele não tenta manter segredo de muita coisa. A agência rival que tentou capturar Joey é logo revelada como sendo o embrião da ATCU, sigla de Advanced Threat Containment Unit ou, em tradução livre para o português, Unidade Avançada de Contenção de Ameaças, cuja existência só é anunciada ao final, pelo presidente Ellis (William Sadler voltando ao Universo Cinematográfico Marvel, depois de aparecer em Homem de Ferro 3 no mesmo papel, emprestando mais coesão ainda a essa teia costurada pelo estúdio). A agência é comandada pela (não tão) misteriosa Rosalind, vivida por Constance Zimmer (de Entourage) e cuja interação no metrô com Phil Coulson é o ponto alto do episódio. Os dois tem perfeita química e prometem muita diversão em vindouros capítulos.

Mas tem muito mais acontecendo na série. Bobbi e Hunter estão apenas aparentemente separados e ela, com sua especialização em biologia, está no lugar da desaparecida Simmons. Confesso que não consegui engolir muito bem a personagem de jaleco e fazendo análises laboratoriais e espero que essa mudança de status quo não passe de dois episódios. De toda forma, o grande destaque mesmo vai para Fitz em sua missão solo – e secreta – lá no Oriente Médio em sua busca desesperada por uma resposta sobre o que aconteceu com Simmons. É bacana ver Iain De Caestecker em um papel de badass ao menos por alguns minutos, assim como Simmons teve seus 15 minutos de ação lá atrás.

Aliás, o desespero final de Fitz gritando e batendo  no monólito misterioso que engolira sua amiga é um forte momento dramático que nos leva imediatamente à revelação de onde Simmons está. Calma. Eu não sei exatamente onde ela está, mas aquela sequência final com Simmons correndo de algo em um planeta – ou dimensão – estranho, abre tantas possibilidades que fico até com dor-de-cabeça de pensar. Afinal, se o episódio já começa com os Guerreiros Secretos (ou uma versão beta deles), faz menções à vindoura Guerra Civil com a criação da ATCU e com as várias referências a Vingadores: Era de Ultron (e até à Homem-Formiga, aliás) e a necessidade de controle dos super-poderosos, com Simmons a série literalmente é alçada ao espaço. Seria uma conexão com Guardiões da Galáxia? Ou com algum outro herói – ou vilão – cósmico da Marvel? Será que a série será tão ousada ao ponto de dar pistas sobre a existência de Thanos dentro de sua estrutura narrativa? Isso seria para lá de ousado e muito, muito interessante. Mas considerando que fomos apresentados aos Inumanos anos antes do filme solo deles, tudo é possível.

Aliás, falando em Guerreiros Secretos novamente, fica claro que, com o recrutamento do ainda relutante Lincoln, que tenta viver uma vida normal, ele fará parte do grupo e que o grande inimigo inicial – agora que sabemos que a ATCU não é exatamente um inimigo, pelo menos não no momento – é outro inumano, Lash (Matthew Willig), ser azulado e que parece um porco-espinho e que obviamente me fez lembrar da piada com Raina e Sonic na temporada anterior. Não satisfeitos com a mera referência, Whedon (que só pode ser fã do jogo, não é possível) trouxe o próprio Sonic bombado para sua série. E sim, sei que Lash vem dos quadrinhos também (foi criado recentemente, em 2014), mas lá ele é bem diferente da versão live-action. Não sei se gostei de um monstro caçador de inumanos como vilão, mas é o que temos. Ele me pareceu extremamente poderoso (mais do que deveria ser) e com pouco potencial dramático para se estender por muito tempo. Resta esperar para ver se ele também ganhará desenvolvimento, tornando-se mais orgânico à série.

No meio dessa confusão toda, com diversas linhas narrativas e alguns personagens novos, é bom ver que Whedon e Maurissa Tanchareon não ficaram tentados a abordar o paradeiro de Ward ou mesmo de envolver May na ação. Já havia coisa demais no prato deles e deixar os dois personagens de fora foi, pelo momento, uma escolha acertada. Mas é certo que Ward e a Hydra reaparecerão em algum momento e que A Cavalaria voltará para o lado de Coulson.

Apesar de alguns problemas causados pela quantidade de assuntos abordados, Laws of Nature, episódio de estreia da 3ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D., apresenta maturidade e solidez, mergulhando de vez nas raízes super-heroísticas que a série tanto relutou em escancarar. Se isso é bom, só o tempo dirá, mas, a julgar por este episódio, parece que os espectadores terão muita diversão e as referências aos quadrinhos e ao Universo Cinematográfico Marvel serão caçadas impiedosamente pelos fãs mais devotos.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X01: Laws of Nature (EUA, 2015)
Showrunner: Jed Whedon
Direção: Vincent Misiano
Roteiro: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Henry Simmons, Luke Mitchell, Constance Zimmer, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.