Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X02: Purpose in the Machine

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estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui.

Sabe aquela sensação de oportunidade desperdiçada? Como recusar um emprego com chances claras de crescimento ou deixar de estudar no exterior porque sua vida social está toda aqui ou simplesmente não comprar algo que quer muito somente para descobrir, mais para a frente, que esse seu objeto de desejo realmente fará falta? Foi isso que senti com a resolução do “arco do monólito” no segundo episódio da 3ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D.

De brincadeira, um de nossos leitores, em comentário em Laws of Nature, disse concordar que as oportunidades narrativas criadas pelo fato de Simmons estar em outros planeta eram milhares, mas que eles esperava tudo, menos que ela fosse salva por um asgardiano. E PIMBA, Simmons foi salva por um asgardiano… Mas, justiça seja feita, o argardiano em questão – Elliot Randolph, vivido por Peter MacNicol, e que apareceu antes na série em The Well – faz apenas uma espécie de consultoria a pedido de Coulson e equipe, que desemboca na descoberta de uma máquina que controla a abertura do portal representado pelo monólito que tragou Simmons. Assim, com os poderes de Daisy (que é, por vias transversas, chamada de “Tremores” – o mais próximo de seu codinome nos quadrinhos, Tremor – pela primeira vez na série), ele é aberto e Fitz, para desespero da equipe, pula lá dentro, acha Simmons e, em um piscar de olhos, a resgata.

Nada contra a sequência em si, mas talvez ela tenha sido cedo demais e simplista demais. Afinal, a presença de Simmons em outro planeta e, aparentemente, no passado, abre tantas portas narrativas que fico com enxaqueca só de pensar. Só que essas portas foram, todas elas, integralmente fechadas logo nesse comecinho de temporada, sem muita cerimônia. A esperança é que esses meses que Simmons passou sozinha por lá voltem na forma de flashbacks ou qualquer outra coisa ao longa da temporada, justificando a existências do cliffhanger da temporada anterior. Ah, claro, não poderia deixar de salientar que Fitz novamente ganhou ótimo destaque e está se transformando, de cientista hesitante, em um destemido agente de campo. Nada como o amor para mudar as pessoas, não?

No entanto, mesmo com esse problema, o episódio, se visto como um todo, está longe de desapontar. Afinal, os personagens que ficaram momentaneamente ausentes em Laws of Nature ganham destaque aqui. Temos May, cuja ausência sempre será sentida, mas que ganha uma justificativa interessante: ela está cuidando de seu pai, receosa de um ataque de Ward em represália. Acostumados a vermos May na ofensiva, ela está agora acuada, esperando algo acontecer e pela primeira vez em muito tempo a vemos em estado de aparente tranquilidade. Sua interação com o pai traz bons momentos, mesmo quando Hunter chega para “quebrar” o lado idílico da história. O que fica claro é que Hunter e May formarão uma dupla inusitada com muita promessa de pancadaria em futuro próximo. Aliás, outra coisa que fica muita clara é que a verdadeira inumana em AoS é Ming-Na Wen, pois, com 51 anos, ela parece uma mulher de não mais do que 30 e poucos… Depois era a mãe de Daisy que não envelhecia…

Brincadeiras à parte, outro desaparecido que, esse sim, volta com força total, é Ward. Como todo mundo suspeitava, ele está mesmo montando sua própria versão da HYDRA, recrutando gente jovem para substituir os cabeças da agência que ele considera obsoleta e preguiçosa e trazendo para a equação, em momento que, confesso, me pegou de surpresa (não acompanho spoilers pela internet), Werner von Strucker (Scott Heindl), filho do Barão Strucker, morto (até segunda ordem) em Vingadores: Era de Ultron. Com isso, uma nova HYDRA realmente torna-se uma possibilidade real, com prováveis desdobramentos nos longas do Universo Cinematográfico Marvel. Não descartaria nem mesmo a hipótese da criação da H.A.M.M.E.R., especialmente agora com o “acordo aracnídeo” entre Marvel e Sony.

A mera presença de Ward, que cresceu muito na série, saindo de um personagem raso e padrão para algo bem mais complexo e autêntico, é trabalhada de maneira inteligente. No lugar de seriedade absurda, vemos mais fanfarronices exageradas, como a sequência em que ele dirige um bólido com um diretor da HYDRA old school no capô desviando-se de imóveis representantes de seu novo exército. Combina perfeitamente bem com a S.H.I.E.L.D. mais tecnológica que vemos, com aquele “elevador/jaula/teletransportador” que outro leitor nosso muito bem chamou de TARDIS. Em outras palavras, minhas fichas ficam com Ward e o que ele está criando, assim como Rosalind, a diretora da ATCU que, apesar de não aparecer nesse episódio, teve presença marcante no anterior. Esse triângulo Coulson – Ward – Rosalind pode trazer muitos frutos interessantes enquanto que Lash (ou Sonic bombado) não se prova mais do que uma conveniente saída para a proliferação de inumanos pela Terra.

Mesmo desapontando com o “final” da história de Simmons perdida no espaço, Purpose in the Machine demonstra a força de Agents of S.H.I.E.L.D. mais uma vez, com um sólido episódio que funciona bem para, junto com Laws of Nature, estabelecer os alicerces que servirão de base para a temporada.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X02: Purpose in the Machine (EUA, 2015)
Showrunner: Jed Whedon
Direção: Kevin Tancharoen
Roteiro: DJ Doyle
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Henry Simmons, Luke Mitchell, Constance Zimmer, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.