Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X06: Among Us Hide…

estrelas 3

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel, aqui.

Não deve ter nada mais complicado em termos de produção televisiva do que manter a qualidade episódio após episódio. E a situação se agrava quando o episódio anterior, por uma perfeita combinação astral de direção, fotografia, roteiro e atuação, com generosas doses de coragem para fazer algo diferente, é um dos melhores da série inteira até agora. Afinal, mesmo quem tem reticências em relação a 4,722 Hours certamente reconhece seu valor para a série e o esquecerá com dificuldade.

Com isso, claro, Among Us Hide… (título que faz homenagem à primeira aparição dos Inumanos em Quarteto Fantástico #45, de 1965: Among Us Hide… The Inhumans), inevitavelmente sofre na comparação. Mesmo sendo, de certa forma, um episódio comemorativo – a série chega ao seu 50º capítulo! – o que vemos é uma volta à normalidade, com nossos queridos agentes e vilões tendo que lidar com uma multitude de situações diferentes que acabam prejudicando o conjunto.  

Mesmo tentando afastar-me da comparação – muito injusta – com o episódio anterior, a questão é que a divisão em núcleos que havia funcionado tão bem em, por exemplo, Devils You Know, perde um pouco a força, com Hunter perdido entre os personagens, Daisy e Mack tentando descobrir quase que aleatoriamente quem afinal é Lash e a nova dupla May e Bobbi, esta última finalmente de volta à ativa com seu uniforme tático e cassetetes de Harpia, caçando Ward de maneira atabalhoada demais. Parecem – e na verdade são – cortinas de fumaça para a grande reviravolta ao final que é mesmo o ponto alto do episódio, ainda que não deva ter surpreendido muita gente.

Mas então comecemos pelo ponto alto. Quando Andrew, nos vinte segundos iniciais de Among Us Hide… é “pronunciado” como vivo de maneira um tantinho didática demais, perdi as esperanças de que o episódio tivesse a gravidade dos anteriores. Afinal, personagem que quase morre e “volta à vida” sem literalmente nenhum arranhão é coisa de quadrinhos (ou de séries da The CW – sim, estou implicante hoje…) e ninguém aguenta mais. Especialmente com a explicação conveniente demais para sua sobrevivência. Havia  me esquecido completamente da velocidade vertiginosa que a série vinha tomando e, por isso, simplesmente aceitei a informação da maneira como ela nos foi jogada, já preparado para detestar o episódio por causa disso.

Quando a ação toma corpo e Werner von Strucker é finalmente achado por May e Bobbi e morto pela HYDRA (em talvez um desperdício de um potencialmente bom personagem), o rosto do garoto saindo amedrontado do mercado onde Andrew estava em Devils You Know me veio à mente e a lembrança de que ele era efetivamente um suspeito de ser o Sonic com esteroides voltou com força total. E qual não foi minha surpresa quando o roteiro de Drew Z. Greenberg, sem perder tempo com nada, algo que parece ser o lema de Jed Whedon nesta temporada, nos revela sem pestanejar que Andrew é mesmo o monstro. Com isso, a razão de seu afastamento de May e sua fixação com Inumanos de repente fica muito clara, ainda que desconfie fortemente que há mais complexidade ainda nesta história. A reviravolta, assim, foi muito bem inserida e trabalhada ao longo do episódio todo, o que o salva de um possível naufrágio nos demais quesitos.

Afinal, a volta de Bobbi à ação não poderia ser mais sem graça. É sério que ela precisa mesmo de diálogos de auto-ajuda (use a Forç… digo, experiência, Bobbi…) para recuperar-se de seu trauma? E que coreografias de luta foram aquelas? Agents of S.H.I.E.L.D. pode ser execrada por muitos (que não sabem o que estão falando…), mas uma constante é a pancadaria sempre muito bem ensaiada que mistura acrobacias com wire-fu e um sentimento de efetividade nos golpes desferidos. Aqui, infelizmente, o que vemos mesmo no caso de May é falta de imaginação e movimentos burocráticos apenas.

No lado de Daisy e Mack, com Hunter se intrometendo, a coisa não melhora tanto, já que eles não têm muito o que fazer a não ser especular, sentar em uma van e pilotar um fantástico (eu quero!) mini-drone criado por Fitz. É quase que filler na série, já que a mesma ação acontece do lado da atual melhor dupla da série: Rosalind e Coulson. Os dois precisam ficar mais juntos, pois as farpas voando entre eles são excepcionais, mesmo considerando que esse roteiro foi pouco inspirado. Sim, a misteriosa instalação de Rosalind é controversa e ela sendo observada por dois pontos-de-vista diferentes gerará conflitos potencialmente interessantes na série, mas a construção da ação, aqui, foi artificial demais e expositiva demais, com muitos diálogos detalhados sobre o que fica evidente apenas com as imagens.

Finalmente, Fitz e Simmons não têm melhor sorte, ganhando mínimo destaque no episódio que também não soube lidar com os dois, quase que dando a entender que já vimos demais de Simmons no episódio anterior. A esperança é que o ritmo vertiginoso dessa temporada continue e uma nova visita seja feita ao planeta misterioso para resgatar Will (que, por sua vez, pode ser uma manifestação maligna do planeta – isso é o que dá empregar a semana entre um episódio e outro nas conjecturas com meus leitores…).

Claro que não posso deixar de mencionar, ainda que brevemente, a introdução de Gideon Malick na série como (mais) um dos chefões da HYDRA. O fato de ele ser vivido pelo sempre ótimo Powers Booth já faz sobrancelhas levantarem, pois o ator também fez uma micro-ponta em Os Vingadores como um dos membros do Conselho Mundial de Segurança sem nome (lembram-se das holografias que conversam com Nick Fury?). A escalação não foi à toa e, apesar de não haver uma confirmação oficial, duvido que ele não seja o mesmo personagem. O que isso pode significar? Bem, ele pode ser desde mera bucha de canhão como infelizmente foi Edward James Olmos na temporada anterior até personagem bem mais importante introduzido na série para depois migrar para os filmes. Que tal, por exemplo, uma nova encarnação do Caveira Vermelha? Seria pedir demais?

Among Us Hide…, ao ter como objetivo primordial a revelação surpresa de quem é Lash, acaba se perdendo nas demais narrativas e desperdiçando bons momentos. Mas o importante é que a série continua firme e forte em seu propósito de abordar a história como uma coisa só, sem episódios soltos e sem fan services exagerados.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X06: Among Us Hide… (EUA, 2015)
Showrunner: Jed Whedon
Direção: Dwight Little
Roteiro: Drew Z. Greenberg
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Henry Simmons, Luke Mitchell, Constance Zimmer, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl, Dillon Casey, Powers Booth
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.