Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X07: Chaos Theory

estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel, aqui.

Vocês já pararam para pensar na quantidade de coisas que aconteceram em apenas sete episódios da 3ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D.? Assim, só de memória, Daisy incorporou sua persona inumana; os Guerreiros Secretos começaram a tomar forma; Rosalind e a A.T.C.U. foram apresentadas; Ward começa a montar uma nova HYDRA; Hunter quase mata Ward; Lash (Chibata), Werner von Strucker, Gideon Malick e Joey Gutierrez são introduzidos; Fitz aprendeu a controlar o monólito; descobrimos o que aconteceu com Simmons no planeta misterioso; Simmons foi resgatada; conhecemos Will, o astronauta perdido; Bobbi volta à ativa e, finalmente (sei que estou esquecendo de algumas…), a identidade de Lash é revelada como sendo o pacato Dr. Andrew Garner, ex-marido de May. Ufa!

As linhas narrativas comandadas por Jed Whedon vão sendo abertas e desenvolvidas em velocidades, a ritmo de série curta, de 13 episódios. Fica até difícil imaginar o alcance do que o showrunner quer dar à série. Mas não tenho do que reclamar, já que, em linhas gerais, apesar de alguns episódios mais dispersos, com múltiplos focos, o trabalho aqui tem sido exemplar, completamente dentro de uma estrutura macro.

Chaos Theory foi mais um exemplo de acerto dentro desse conceito, ainda que tenha sido um episódio falho em alguns aspectos. Mas um aspecto positivo fica logo saliente: há menos histórias paralelas sendo contadas, com quase todos os holofotes virados para a revelação do final de Among Us Hide… de que Andrew é Lash. Com isso, o roteiro de Lauren LeFranc emprega tempo na construção razoavelmente eficiente de um suspense sobre o que Andrew/Lash pode fazer com o inumano Joey Gutierrez (que, aliás, está se mostrando com poderes muito parecidos com os de Magneto…), já que May guardou o segredo contado por um apavorado – e ainda vivo, ainda bem! – Werner von Strucker para confrontar o ex-marido antes dos demais.

Claro que é de revirar os olhos o mero fato de May ter decidido esconder a revelação de Coulson, mas isso já era completamente esperado e aceitável. O que apaga um pouco a esperteza do trabalho de LeFranc é a descoberta paralela, com a ajuda de Lincoln, da identidade do monstro. Fácil demais, conveniente demais.

Mas o resultado é a primeira e verdadeira ação conjunta da A.T.C.U. e S.H.I.E.L.D. com Rosalind respeitando a autoridade de Coulson. E a pancadaria não desaponta, com atos heroicos dos dois lados e Daisy usando seus poderes de uma nova maneira, além de Lincoln mostrar impetuosidade e um grau maior de poder do que mostrara anteriormente. E é interessante notar que, tão abrupta quanto foi o surgimento de Lash, foi seu fim, com aplausos para o embate final entre May e Andrew que mais uma vez demonstra a eficiência da personagem de Ming-Na Wen. O arco do Sonic bombado parece ter chegado ao fim, pelo menos por enquanto, em mais uma resolução a jato da temporada.

E não haveria problema algum nisso se a transformação de Andrew em inumano tivesse outros significados mais complexos do que podemos detectar com as informações do episódio. O personagem parece ter compulsão por matar inumanos que ele percebe como maus, sem ter completo controle sobre suas ações. Lash, aparentemente, seria a versão “final” de um Andrew em gradativa transformação e perda de suas faculdades mentais de terapeuta sério e equilibrado. Nada mais. E sabe por que reclamo do “nada mais”? Muito simplesmente porque Whedon nos deu a entender, em Devils You Know,  que função de Lash seria mais, digamos, elevada do que só a de ser um monstro assassino. Isso é o que o próprio personagem dá a entender quando, logo antes de matar Dwight Frye, ele diz “Não sou misericordioso. Sou necessário.” Sim, sim, essa frase também pode ser interpretada como ele sendo necessário para “limpar” a Terra da presença de inumanos indignos, mas essa interpretação literal, infelizmente, é bobinha demais.

Mesmo com esse problema, o episódio traz outros momentos muito interessantes. A aproximação maior entre Rosalind e Coulson, que oficializam o romance, pode ser vista como um ponto negativo por alguns, mas particularmente sou simpático a isso desde que cumpra uma função e não seja um fim em si mesmo. E, pelo que aprendemos nos momentos finais, parece-me que Rosalind tem planos para Coulson, uma vez que ela está trabalhando para Gideon e o romance pode fazer parte de seu plano de “encantamento”. Desconfio, porém, que Rosalind é a inocente útil da história e está sendo manipulada por Gideon, que deve posar de bonzinho para ela. Pelo andar da carruagem, descobriremos isso em breve.

Outros ótimos momentos do episódio ficam a encargo de Fitz. Aqueles que, como eu, ficaram encantados com a hombridade de Fitz ao aceitar o romance de Simmons com Will e encarar o desafio de trazer o astronauta de volta, esse episódio apenas reforçou o sentimento. O rapaz passou por todas aquelas gravações de uma Simmons perdida no planeta noturno com graça e eficiência, descobrindo um detalhe misterioso que acrescenta algo ainda mais abrangente à trama: aparentemente há alguma entidade ou agência que vem fazendo experiências com o monólito há séculos, algo cujas pistas já haviam sido jogadas no início de Laws of Nature, mas que só agora a ficha caiu. Seria um braço da HYDRA? Ou talvez outra agência inimiga marveliana como a I.M.A.? Ou seria o embrião da S.W.O.R.D.? Ou alguma outra coisa sem qualquer relação com esses meus chutes?

Chaos Theory é mais um episódio que impulsiona a trama, fecha arcos e inicia outros, algo que tem se tornado padrão nessa temporada frenética e até agora muito eficiente em lidar com uma narrativa geral com várias ramificações. Whedon está trazendo tanta coisa nova para sua série que fica difícil imaginar o rumo que a história tomará, especialmente considerando-se que ainda estamos apenas no primeiro terço da temporada…

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X07: Chaos Theory (EUA, 2015)
Showrunner: Jed Whedon
Direção: David Solomon
Roteiro: Lauren LeFranc
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Henry Simmons, Luke Mitchell, Constance Zimmer, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl, Dillon Casey, Powers Booth
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.