Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X08: Many Heads, One Tale

estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel, aqui.

E, com Many Heads, One Tale (aliás, ótimo trocadilho no título), a 3ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. ganha completa convergência de suas linhas narrativas em um trabalho excepcional de roteiro e direção. A série definitivamente continuar a mostrar a que veio e não demonstra sinais de cansaço.

Descobrimos que Gideon Malick (Powers Boothe absolutamente à vontade em papel digno de filme clássico da franquia 007) é o grande vilão por trás não só da A.T.C.U. como das atividades envolvendo o monólito. Aprendemos que a HYDRA é bem mais antiga do que o Caveira Vermelha e que sua função primordial é resgatar seu mestre, um inumano que foi catapultado para o planeta misterioso onde Simmons passou uma temporada. Como parte de um plano maior, a HYDRA vem não só capturando inumanos, como ativamente patrocinando a terrigênese de outros como Giyera, o personagem silencioso de Mark Dacascos que dá um suadouro em Bobbi e Hunter. E Lash é a mais recente aquisição de Gideon que recruta Ward para ser seu segundo em comando (ou a segunda cabeça da HYDRA).

Poucos esperavam por essa história redondinha, não é mesmo? Eu mesmo esperava outra organização mais sinistra, mais abrangente, mas esta se revelou como sendo a própria HYDRA, em uma reviravolta que empresta outros contornos à organização. Quem exatamente é o inumano perdido no planeta misterioso? Seu chute é tão bom quanto o meu chute, mas um de nossos leitores desconfia de Ahmet Abdol, mais conhecido como o Faraó Vivo e mais conhecido ainda como o Monólito Vivo. Ele não é inumano nos quadrinhos e sim um mutante, mas todos nós sabemos quem a Marvel usa no lugar dos mutantes no Universo Cinematográfico Marvel, não é mesmo? No entanto, a menção à mortes e oferendas também pode relacionar-se, ainda que de maneira longínqua a Thanos, talvez até mesmo Thane, seu filho. Quem sabe o que Jed Whedon tem planejado?

Mas a grande verdade é que a identidade do inumano lá no planeta da morte não é tão importante. O que interessa é a jornada até lá e Many Heads, One Tale nos lembra lindamente disso, ao apresentar-se não só como um episódio que cria a amálgama narrativa final, como também lida com duas relações amorosas de maneira exemplar.

A primeira delas é o caso entre Coulson e Rosalind. Por mais simpáticos que Clark Gregg e Constance Zimmer possam ser juntos, existe uma bem definida função narrativa por detrás do “namorico” e ela cria uma divertida interação entre os dois aqui, com Coulson cavando fundo os segredos da A.T.C.U. com a operação Spotlight enquanto mostra o que quer para Ros (sim, também a chamo pelo apelido) em sua base secreta. Com isso, o episódio dá uma excelente guinada para o estilo “filme de espionagem”, com Hunter e Bobbi infiltrando-se na A.T.C.U. como agentes do F.B.I. prontos para resolver um problema de ataque cibernético. Toda a sequência, intercalada com as conversas falsamente amenas entre Coulson e Ros, funciona de maneira fluida e dramaticamente eficiente, graças à montagem bem pensada e uma direção que preza por planos mais longos e bem definidos, mesmo quando lida com a pancadaria. E, no final das contas, é bom saber que Ros foi enganada por Gideon, pois isso poderá reforçar os laços entre as agências, até mesmo levando à sua fusão em uma só que finalmente possa novamente vir à público.

A segunda relação amorosa, claro, é a de Fitz e Simmons, que ganha contornos mais complexos, com Fitz finalmente deixando claros seus sentimentos e Simmons reagindo a isso com uma dúvida cruel culminando com aquele beijo entre os dois, beijo esse verdadeiro em intenções, mas, como Fitz diz, somente efetivamente possível em outras circunstâncias. O roteiro trabalha muito bem o triângulo amoroso e entrega uma relação com que podemos nos identificar.

Mas do lado vilanesco da história, vemos Ward se aproximando de Gideon para descobrir a localização de um mítico cofre da HYDRA, com sua arma mais poderosa. Por um momento achei que era Graviton voltando aos holofotes, mas, com um certo desapontamento, descobrimos que é um pedaço do monólito, em um momento que desencadeia a explicação sobre a história da organização criminosa que abordei acima. Assim, o breve desapontamento abriu  lugar para um momento esclarecedor e funcional para a estrutura da temporada e que estabelece a HYDRA, mais uma vez, como a grande vilã por trás de todos os males do mundo.

Vale mencionar, ainda, que, depois de desapontar com as coreografias de luta em Among Us Hide…, a série volta com força total com dois momentos dignos de nota: as lutas entre Ward e os assassinos enviados por Gideon e entre Bobbi e Giyera, que introduz os novos cassetetes de Harpia dela que fariam o Demolidor roer-se de inveja. As coreografias são enérgicas, convincentes e curtas, sem enrolação. Definitivamente, uma volta à forma.

Many Heads, One Tale é a prova absoluta de que Agents of S.H.I.E.LD. acertou seu rumo e sabe o caminho que deve seguir. É série de uma história multifacetada só, que já vive sozinha, sem depender de tie-ins com os filmes da Marvel.

Obs: Semana que vem não haverá episódio em razão do Thanksgiving nos EUA. E só faltam mais dois capítulos para o midseason finale!

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X08: Many Heads, One Tale (EUA, 2015)
Showrunner: Jed Whedon
Direção: Garry A. Brown
Roteiro: Jed Whedon, DJ Doyle
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Henry Simmons, Luke Mitchell, Constance Zimmer, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl, Dillon Casey, Powers Boothe
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.