Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X10: Maveth

estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel, aqui.

De certa forma, Maveth desaponta. Mas calma. Não estou dizendo, de forma alguma, que o midseason finale da 3ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. foi ruim. Longe disso, pois Jed Whedon conseguiu o improvável e entregou uma meia temporada redonda, bem construída e que mostra, como já disse algumas vezes, o amadurecimento de seu trabalho ao longo dos anos.

No entanto, considerando que os episódios anteriores foram os excelentes Many Heads, One Tale e Closure, Maveth empalidece na comparação, ainda que haja momentos particularmente muito bons e corajosos, o principal deles, obviamente, sendo o assassinato de Ward por Coulson. Afinal, o “normal” em séries dessa natureza é o mocinho desistir de matar no último segundo ou alguma circunstância externa o forçar a matar, de forma que seu ato seja moralmente justificável. No máximo teríamos uma morte off screen, com o uso de alguma arma de fogo. Mas não. O que o roteiro de Jeffrey Bell nos presenteia é com uma morte típica de filmes pesados, sombrios, em que a vingança a todo custo – e sem recompensa – é o objetivo final. Coulson esmagando o peito de Ward (um coração literalmente partido por um coração metaforicamente partido – justiça poética!) com sua mão biônica e deixando-a lá como que para se livrar da “sujeira” é um momento realmente inesquecível e muito bem construído dramaticamente por Vincent Misiano em plongée e, principalmente, por Clark Gregg em alguns segundos de completa perturbação e raiva que o leva a perpetrar o ato contra Ward, ato esse que, na verdade, muita gente queria mesmo que acontecesse.

Menos chocante é a forma como aquele finalzinho vem, com Ward agora dominado pela tal criatura inumana parasita que Gideon Malick queria tanto trazer para a Terra para cumprir a função da Hidra. Era óbvio que, depois que descobrimos que o Will que Fitz conhece em Tatooine (como o planeta não tem nome, adoto o que Coulson escolheu com perfeição – e não, não chamarei o lugar de Maveth…) não é o verdadeiro Will, o uso do corpo de Ward para fins nefastos (ok, a frase saiu estranha, admito…) era para lá de óbvia e, de certa forma, até esperada, pois, assim, a produção pode mudar o status quo sem descartar Brett Dalton, ator que, graças às transformações em seu personagem, deixou de ser um canastrão padrão e tornou-se um canastrão divertido.

Aliás, o encontro de Fitz com Will é de uma maldade enorme no roteiro. Ainda que desconfiasse – e eu sempre desconfiei disso – que havia algo de errado com o personagem, o fato de mais de dois terços do episódio ser dedicado a um estranho bromance entre os dois foi uma forma terrível de jogar sal na ferida não só de Fitz, como de Simmons e também de nós, espectadores. Permitir todo esse rapport, todo esse aprofundamento somente para o inumano parasita revelar que Will na verdade está morto foi uma rasteira muito bem dada e que só torna mais dramática a volta de Fitz para a Terra, encontrando Simmons esperançosa um minuto e desesperada, de coração partido, noutro. Elizabeth Henstridge, no pouco que aparece, dá um show novamente em termos de atuação, mostrando latitude e convencendo-nos de sua provação. Mas Iain De Caestecker também não está longe como o amargurado, traído, mas valente Fitz, que faz de tudo pela mulher que ama.

Enquanto isso acontecia em Tatooine, na Terra os Power Range… digo, os Guerreiros Secretos – Daisy, Lincoln e Joey – acompanhados de May, Bobbi, Hunter e Mack tentam invadir a fortaleza da Hidra, em uma operação que pode até funcionar em termos da narrativa, mas que falha na dramaticidade e urgência necessárias. Sim, é excitante ver Mack assumir de vez o cargo de Diretor da S.H.I.E.L.D., colocando-se literalmente na linha de frente, pronto para sacrificar-se, mas a ação na Inglaterra falha ao abordar temais demais em tempo de menos. Afinal, todo o tête-à-tête entre Simmons e Andrew não funciona de verdade e o resultado é, apenas, uma conveniência do roteiro para livrar-se dos inumanos em animação suspensa. Perde-se muito tempo com essa história lateral, sem que ela realmente se encaixe na principal, enquanto que o mesmo efeito seria alcançado se, por exemplo, uma explosão libertasse Lash para cometer seus assassinatos.

Além disso, o confronto aludido no episódio anterior entre os Guerreiros Secretos e a força da Hidra foi quase que inteiramente inexistente aqui. Não fosse um breve embate com Giyera em que Joey descobre que é invulnerável a balas (ou que ao menos ele as derrete mais rápido do que elas penetram em sua pele), eles praticamente não seriam mais do que figuração. Whedon com certeza ainda nos deve uma estreia dos Guerreiros propriamente ditos.

O mesmo vale para a presença – ou seria melhor dizer ausência? – de Gideon Malick. Powers Boothe e seu personagem para lá de vilanesco teve seu potencial completamente desperdiçado aqui, magicamente desaparecendo durante a invasão e reaparecendo ao final, para encontrar com “Ward Vorhees”. Espero que Malick tenha mais presença na segunda metade dessa que vem se provando a melhor temporada da série até agora.

Os problemas de Maveth fazem com que a volta ao planeta azul desaponte na comparação com o que veio imediatamente antes, ainda que Whedon tenha, no processo, conseguido fechar alguns arcos narrativos e abrir outros, surpreendendo o espectador com o embate fatal entre Coulson e Ward e com a relação Fitz-Simmons-Will. A temporada continua prometendo e, após o hiato, provavelmente veremos um Coulson mudado pelo que fez, um Mack mais líder e os Guerreiros Secretos lidando com a ameaça da criatura misteriosa que se apoderou de Ward.

Obs: Tem ENQUETE aqui embaixo! Queremos saber qual foi seu episódio favorito da 3ª temporada até agora.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X10: Maveth (EUA, 2015)
Showrunner: Jed Whedon
Direção: Vincent Misiano
Roteiro: Jeffrey Bell
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Henry Simmons, Luke Mitchell, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl, Dillon Casey, Powers Boothe, Mark Dacascos, Brett Dalton,
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.