Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X11: Bouncing Back

estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel, aqui.

Agents of S.H.I.E.L.D. voltou! E, surpreendentemente, em um episódio que, apesar de ser tipicamente uma “volta de temporada”, é realmente bem construído e que redistribui as peças no tabuleiro introduzindo dois novos inumanos e nos (re)apresentando a Grant Ward ou, mais corretamente, ao corpo de Grant Ward tomado pelo inumano misterioso do planeta noturno que, apesar de ainda não ter sido formalmente batizado na série, é, conforme declarações dos showrunners, a versão UCM do vilão conhecido como Hive, cuja primeira aparição nos quadrinhos se deu, muito apropriadamente, em Guerreiros Secretos #2, de maio de 2009.

Começando com um clichê, ou seja, um flashforward misterioso de três meses em que vemos, no espaço, uma nave da S.H.I.E.L.D. ou com ao menos um agente da S.H.I.E.L.D. explodindo depois do que parece ser um ataque, o espectador é arremessado para o presente em Bogotá, na Colômbia, durante o mais misterioso ainda roubo de armamentos da polícia local. A sequência é dinâmica e faz bom uso da fotografia noturna e dos efeitos especiais, que servem de tapete vermelho para a apresentação da primeira nova personagem.

Este evento, então, põe em movimento o time de Mack e seus minguados Guerreiros Secretos – só Daisy e Joey, pois Lincoln fica para trás ajudando Simmons no laboratório – que logo descobrem a existência de mais uma inumana, Elena Rodriguez (Yo-Yo Rodriguez ou Slingshot, nos quadrinhos, vivida por Natalia Cordova-Buckley), com poderes de super-velocidade e uma espécie de ricochete que a faz voltar ao ponto de partida. Os efeitos especiais usados, apesar de discretos, funcionam bem para estabelecer a personagem que, claro, logo se junta ao grupo para lutar contra a polícia corrupta local que também se beneficia de serviços de um inumano com poderes como o da Medusa da mitologia grega.

Neste lado da narrativa, foi particularmente interessante ver Mack e Daisy interagindo com fluência e esta última formando uma dupla com Yo-Yo em uma ótima sequência de “desarma-e-derruba”, cortesia das habilidades das duas. O que me fez inicialmente coçar a cabeça, porém, foi a forma como os Guerreiros Secretos, que mal foram efetivamente formados, acabaram debandados pela estratégia de Daisy e Mack de deixá-los (Joey e Yo-Yo) apenas de prontidão, sendo convocados quando necessário.

Mas minha coceira capilar foi apenas repentina, pois, ainda que definitivamente não goste da ideia, ela faz todo sentido econômico para a ABC e Marvel. No lugar de manter um elenco fixo maior e ter que dedicar tempo de tela a todos eles, o artifício funciona como medida de controle de gastos, trazendo os atores (e os efeitos especiais correspondentes aos seus poderes) somente quando a trama assim exigir. Não sei como os futuros roteiros lidarão com isso, mas espero que haja uma dinâmica lógica e que não dependa de tecnologias tiradas da cartola, como um teletransporte à la Star Trek.

Do lado de Coulson e May, temos uma espécie de ratificação do papel da S.H.I.E.L.D. no Universo Cinematográfico Marvel, com a presença do Presidente Ellis para oficialmente tratar a agência como não-oficial, com direito ao Coronel Glenn Talbot funcionando como o rosto público da A.T.C.U. que será, por sua vez, a cover story para a S.H.I.E.L.D. e, mais interessante ainda, como subalterno de Coulson (agora com mão nova – e, espero, que com “dedos laser”!), em dinâmica que pode render bons momentos cômicos. O uso de Werner von Strucker – que está em coma – empresta um senso de completitude à narrativa, pois mostra que os showrunners estão sabendo usar seus personagens com objetivos claros, sem colocá-los de lado completamente.

O terceiro vértice narrativo lida com os vilões, com Gideon Malick ainda nos holofotes e Ward/Hive recuperando-se lentamente. Powers Boothe continua deliciosamente vilanesco em seu papel e é uma surpresa ver o esforço de Brett Dalton em desprender completamente sua nova persona do antigo Ward. Não só a maquiagem e os efeitos especiais estão muito bons para alterar fisicamente o personagem que ainda não mostrou a que veio de verdade como Dalton mudou a forma com fala e até encara Malick e Giyera. Resta saber se a situação será “normalizada” com a convalescença de Hive no covil da Hidra, pois não sei se seria interessante mais um personagem com aparência monstruosa atuando na série, considerando que Chibata (Lash) ainda está à solta.

No geral, Bouncing Back é um bom recomeço para Agents of S.H.I.E.L.D. que ganha ótima continuidade e mostra que os showrunners realmente não pretendem voltar para a famigerada estrutura de “vilão da semana”, a praga de séries de super-heróis hoje em dia e que afetou a própria AoS em sua primeira temporada. Agora é acompanhar para saber o que significa o flashforward visto no prólogo e se os Guerreiros Secretos serão mais do que inumanos que eventualmente se juntam para lutar.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X11: Bouncing Back (EUA, 08 de março de 2016)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen
Direção:  Ron Underwood
Roteiro: Monica Owusu-Breen
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Henry Simmons, Luke Mitchell, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl, Dillon Casey, Powers Boothe, Mark Dacascos, Brett Dalton, Natalia Cordova-Buckley
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.