Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X12: The Inside Man

estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel, aqui.

Quando vocês acabaram de assistir The Inside Man, não ficaram com a impressão de ter assistindo a um filler? Ou estou sendo muito chato e rabugento? Não que Agents of S.H.I.E.L.D. não tenha direito de usar esse expediente, já que, a bem da verdade, nessa terceira temporada, não tivemos nenhum.

Apenas para ficar bem claro, caracterizo filler como um episódio que, como o proverbial caranguejo, “anda de lado”, deixando de verdadeiramente avançar a trama central. Sim, Hive/Ward renasce como o Exterminador do Futuro no primeiro filme da franquia ao chegar no presente, mas não acontece muito mais do que isso se espremermos de verdade o roteiro de Craig Titley. Acontece que ser filler não é suficiente para automaticamente caracterizarmos um episódio como ruim. Faz parte do jogo, especialmente em séries longas, de mais de 20 episódios e se não for usado como padrão narrativo.

No entanto, o que vemos aqui e que, de certa forma, acaba ajudando a dispersar nossa atenção para esse pequeno “problema”, é um episódio que segue a cartilha de Missão Impossível ou outras séries de TV clássicas do gênero espionagem. Sem inumanos, apenas com Coulson em parceria hesitante com o general Glenn Talbot em uma espécie de G5 sobre como lidar com a situação da proliferação de inumanos pelo planeta, o desenrolar da narrativa foca na tentativa de se descobrir quem seria o agente da Hidra infiltrado, o tal inside man do título.

Mesmo que o espectador mais calejado logo desconfie do próprio Talbot, fato é que o roteiro é bem amarrado nesse aspecto, trabalhando desde o começo a relação pessoal do general com sua esposa, introduzindo indiretamente a existência de seu filho pré-adolescente e desenvolvendo a história até a grande revelação organicamente e em duas frentes: diretamente na mesa de reunião e nos bastidores com as ações de May, Hunter e Bobbi. Confesso que fiquei esperando ouvir, em diversos momentos a musiquinha tema de Lalo Schifrin tocar…

Ah, é claro que a volta do Homem Absorvente (dá para não rir desse nome?), vivido por Brian Patrick Wade, é muito bem vinda, já que, depois de introduzido de forma retumbante em Shadows, primeiro episódio da segunda temporada, e usado em outros dois, ele acabou ficando na geladeira por tempo demais. De toda forma, sua volta, desta vez como aliado de Talbot, é definitivamente interessante e inesperada, além de bem inserida no roteiro, apesar do inevitável – mas econômico – diálogo expositivo para justificar o que aconteceu entre a última vez que o vimos e agora. Tomara que o personagem seja mantido como regular na série, talvez até mesmo fazendo parte dos Guerreiros Secretos, grupo que não é bem um grupo ainda, apenas uma dupla de namorados que, by the way, não tiveram absolutamente nada para fazer no episódio a não ser ficar de romance (espero que arrumem uma função maior para Lincoln, pois está complicado aturar o sujeito…).

Aliás, achei preocupante a forma como Hunter é tratado por May, que diz que ele só se importa com Bobbi e não com o grupo. Não que ela não tenha razão em dizer isso, mas quer parecer que a Marvel/ABC já está preparando o terreno para a série spin-off Marvel’s Most Wanted, cujo piloto já teve a produção liberada e que aparentemente contará com Hunter e Bobbi foragidos. Meu receio vem do fato que a dupla vem funcionando bem na temporada e os dois farão falta na dinâmica do grupo. Além disso, há sempre o risco de a nova série não seguir em frente (apenas o piloto foi  encomendado) e isso pode deixar os dois personagens no ostracismo se isso acontecer. Espero fortemente que Jed Whedon e Maurissa Tanchareon tenha um plano de contingência para lidar com uma situação como essa.

Voltando rapidamente à Ward, gostei particularmente da violência off screen de Hive sugando a vida de cinco humanos para revitalizar seu corpo destruído por Coulson. Isso significa, na prática, menos dinheiro gasto na maquiagem pesada em Brett Dalton e, potencialmente, o uso mais significativo do personagem que, para um inumano super-poderoso destruidor de planetas e adorado como um deus pela Hidra, ele não parece lá essas coisas ainda. De toda forma, fico feliz que a aparência monstruosa de Ward foi cancelada, pois de monstrão já basta Lash/Sonic que ainda não deu as caras nessa segunda metade de temporada.

Apesar de ser basicamente um filler light, The Inside Man diverte ao apostar nos personagens (completamente) humanos e na volta do he, he… Homem Absorvente he, he… em uma estrutura divertida de espionagem. Está faltando à série, nessa segunda parte, porém, um senso claro de propósito e objetivo que, espero, não demore a surgir.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X12: The Inside Man (EUA, 15 de março de 2016)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen
Direção:  John Terlesky
Roteiro: Craig Titley
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Henry Simmons, Luke Mitchell, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl, Dillon Casey, Powers Boothe, Mark Dacascos, Brett Dalton, Natalia Cordova-Buckley
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.