Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X17: The Team

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estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel, aqui.

Eu poderia reclamar que os Guerreiros Secretos demoraram uma eternidade para juntarem-se de verdade e, depois de apenas uma boa, mas rápida missão, foram debandados. No entanto, a grande verdade é que The Team foi um episódio tão surpreendentemente azeitado, que essa questão tornou-se de menor importância no cômputo geral.

Como prometido ao final de Paradise Lost, Yo-Yo e Joey voltam à equipe e, juntos com Lincoln e sob a liderança de Daisy, chutaram muitas bundas da Hidra em sequências breves, porém muito bem coreografadas e que não foram tímidas nos usos de efeitos especiais representativos de seus respectivos poderes. Quando a poeira assenta, toda a S.H.I.E.L.D. está novamente unida e feliz e com um bônus: o próprio Gideon Malick, capturado por Lincoln. Perfeito, não?

Não, de forma alguma.

Usando uma estrutura de espaço confinado vista mais comumente em filmes clássicos de horror como O Iluminado e Alien, o Oitavo Passageiro, com boas doses de “ache o traidor” usado em outro horror sci-fi clássico de espaço confinado, O Enigma de Outro Mundo, o roteiro de DJ Doyle, que volta à série depois de escrever o segundo episódio desta temporada, o bom Purpose in the Machine, é um primor de cadência e de economia, que abre espaço para uma boa quantidade de informações sem perder espaço para o necessário suspense sobre qual inumano foi controlado por Ward/Hive/Alveus.

Espertamente manobrando o que talvez seja a percepção geral do público sobre o personagem, o roteirista transforma Lincoln no principal suspeito, alguém que sinceramente se esperaria ser utilizado dessa forma, somente para nos passar a  perna ao orgânica e calmamente revelar que o verdadeiro responsável pela morte de Gideon Malick e a explosão que quase mata Fitz e Simmons é a própria Daisy. Ainda que provavelmente muitos espectadores tenham conseguido adivinhar o desfecho, fato é que a costura dos acontecimentos ao longo do episódio é discreta e bem feita, sem que a revelação pareça forçada. Além disso, há uma circularidade na escolha de Daisy, já que o outro traidor – ainda que este tenha feito tudo com consciência de seus atos – foi o próprio Ward, depois de envolver-se romanticamente com a então Skye. Assim, a conversão de Daisy em nêmesis da S.H.I.E.L.D. faz perfeito sentido no tabuleiro de xadrez montado desde a primeira temporada e empresta mais significado ainda à relação Daisy-Ward.

Gideon Malick foi uma baixa esperada, ainda que tenha acontecido rapidamente demais (pelo menos tivemos um flashback emprestando alguma solenidade ao momento!). Uma pena que não teremos mais a malignidade grave de Powers Boothe grassando a série, mas faz parte do jogo também, já que ele havia perdido sua importância com a tomada da Hidra por Ward, além de ter visto sua própria morte em futuro imutável como aprendemos em Spacetime. No lado positivo, Boothe teve a oportunidade de fechar sua participação no Universo Cinematográfico Marvel com um belo e convincente momento catártico diante de Coulson.

Como mencionado, os efeitos especiais ganharam especial destaque no episódio não só durante a ação inicial com os Guerreiros Secretos, mas especialmente ao final, com Daisy usando livremente o seu poder para literalmente fazer ruir a S.H.I.E.L.D. inteira sobre as cabeças de seus ex-colegas. Seria interessante se a resolução do problema de Coulson e companhia não acontecesse de imediato e que, com isso, possamos ver os heróis – humanos e inumanos – atuando juntos para sair do imbróglio.

O momento romance do episódio também merece destaque, por ter sido escrito de forma natural. Claro, todo mundo já esperava que Fitz e Simmons alguma hora fossem se juntar para valer, mas o que vimos não foi algo piegas ou fora de contexto como costumam ser romances de séries baseadas em quadrinhos de super-heróis (e sim, estou olhando para você, CW!). Houve cuidado aqui, com poucas e contundentes palavras (esperamos 10 anos!) e muito significado.

Mesmo que os poderes de Hive tornem impraticáveis a utilização de inumanos como armas contra a Hidra, espero que o trio restante não seja efetivamente debandado e que eles voltem rápido em alguma capacidade, nem que seja necessário apelar para algum antídoto “mágico” criado pela mais recente dupla de pombinhos. Minha desconfiança, porém, é que Lash/Chibata finalmente terá sua função revelada na série (além do óbvio que não é, aparentemente, tão óbvio) e que, assim, ele terá participação decisiva no embate contra Hive e seus minions ainda que com seus próprios e escusos objetivos.

Agora, são apenas mais três episódios antes do final em forma de episódio duplo e já é possível sentir o encaminhamento mais finalista da série, notadamente com Daisy do outro lado do conflito (pensem bem: Daisy, Hive e Giyera juntos é um trio parada duríssima…). Resta, agora, saber se haverá mais conexões com Guerra Civil e se o desfecho será tão explosivo quanto o que vimos em The Team. 

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X17: The Team (EUA, 19 de abril de 2016)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen
Direção:  Elodie Keene
Roteiro: DJ Doyle
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Luke Mitchell, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl, Dillon Casey, Powers Boothe, Mark Dacascos, Brett Dalton, Natalia Cordova-Buckley, Gaius Charles, Titus Welliver
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.