Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X19: Failed Experiments

estrelas 3

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios, aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel, aqui.

Failed Experiment é o começo do fim da terceira temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. formando, com os três episódios seguintes (o que inclui o finale duplo), o arco intitulado Fallen Agent, ou “Agente Caído“, que promete a morte de algum membro da organização. E, ainda que o episódio aumente as apostas para um final bombástico, ele se perde em querer ser muita coisa ao mesmo tempo.

Há um leve pulo temporal desde The Singularity, com o laboratório de Holden Radcliffe já montado e a cidade de Hive pronta, com os soldados e admistradores remanescentes da Hydra em seus  devidos lugares, sendo os últimos forçados a ser as primeiras cobaias para a tentativa de se recriar o experimento original dos Kree nos humanos. Ainda que tenha sido interessante o flasback inicial mostrando a captura e transformação do nativo que  viria a tornar-se Hive, não faz sentido algum uma experiência como essa simultaneamente em três cobaias, mas fechemos os olhos para essa conveniência dramática por um momento.

A questão é que o episódio, usando mais uma vez o artifício de narrativas paralelas com temáticas idênticas – experiências em laboratórios – perde muito tempo com enrolações e explicações expositivas que não levam de verdade a lugar algum. Dá a sensação de que o roteirista Brent Fletcher, talvez forçado a repartir a história em quatro pedaços ao longo do mencionado arco, tinha como único propósito arrumar um jeito de fazer o capítulo chegar aos regulamentares 40 e poucos minutos (notem que este tem 41, contra os normalmente 43 a 45 dos demais).

Quando a ação propriamente dita chega, com o ataque discreto da S.H.I.E.L.D. à base de Hive, ela tem pouco tempo para desenvolver-se, especialmente com a chegada dos dois Reapers Kree que estavam orbitando a Terra e que foram atraídos por Hive já que Radcliffe informa tardiamente a ele que precisa de sangue de um Kree vivo (o que torna a experiência com três humanos simultaneamente ainda mais idiota). Mesmo a chegada dos dois seres azuis que, convenhamos, pareciam luchadores mexicanos, não agrega muito à narrativa, pois o que eles representam à Hive, que os teme profundamente, e o que eles acabam sendo na verdade – fáceis de matar -, retira a dramaticidade destrutiva do episódio e dispersa e abafa o conflito S.H.I.E.L.D. versus Hive e Hidra.

Aliás, falando em conflito, o uso de quatro agentes aleatórios da S.H.I.E.L.D. que nunca antes haviam aparecido, chega a ser risível. Sim, era necessário um  time maior do que só Mack e May, mas daí a dar atenção a quatro indigentes quaisquer, são outros quinhentos. Uma coisa seria uma tropa “sem rosto” de extras, mas o estranho foi sua introdução como se fossem grande coisa, como se eles estivessem ali há tempos. É incompreensível não usarem Deathlok, por exemplo, e fica dolorosamente evidente a falta que Bobbi e Hunter fazem, falta essa que, aliás, segundo rumores recentes, podem nem mesmo levar Most Wanted à fruição, já que a nova série parece estar ameaçada sem nem mesmo nascer. A única coisa boa dos quatro “zé ninguém” é que eles não morrem, algo que é praticamente padrão em séries sempre que um artifício desses é usado.

Mesmo com essa desordem em um episódio que tinha tudo para ser do nível do anterior, há aspectos realmente muito bons em sua estrutura. O primeiro deles é um uso mais significativo de Lincoln, o inumano perdido na série. Não me convenci completamente da dedicação dele por Daisy, mas o mero fato de ele ter tomado um posicionamento e agido à revelia de seus pares e contra ordens expressas de Coulson já o retira da mesmice a que estava sujeito praticamente desde o momento em que o romance começou. Luke Mitchell está se esforçando para dar latitude ao seu personagem, mas ainda não conseguiu sair do histrionismo padrão dele e, por isso, ainda continua liderando minha lista de possíveis baixas.

Outro momento muito bom foi a interação de May com James (ou Infernal). May, pois é a primeira vez que vemos Ming-Na Wein agindo como James Bond, usando seu charme e seus  dotes físicos para encantar o australiano, que não demora e está entorpecido pela presença da Cavalaria. Axle Whitehead mostra, mesmo tendo pouquíssima participação na série, que não só tem potencial para ser o que Lincoln deveria ter sido, como também para fazer parte dos Guerreiros Secretos, caso não venha a sucumbir até o final da temporada. Petição para James fazer parte da equipe? Podem contar comigo!

E, finalmente, Chloe Bennet mostra novamente que aprendeu na “Escola Brett Dalton de Atuação” a esconder suas habilidades dramáticas. De uma hacker clichê que funcionava apenas como o veículo do espectador para dentro desse universo em particular, ela ganhou relevância ao tornar-se inumana, lidando com sua família e, agora, vem revelando outra camada, mostrando realmente a que veio com um ótimo desenvolvimento de personagem. Novamente merece aplausos o caminho escolhido pelos showrunners na série, fugindo do controle mental básico e entrando na seara do vício como  base para o poder de Hive. Assim, caso Daisy saia desse seu transe, as sequelas que provavelmente permanecerão com a personagem permitirão fascinantes momentos futuros se forem corretamente exploradas, notadamente agora que ela espancou e quase matou Mack, seu parceiro e o eterno grandalhão com coração de ouro, depois de um diálogo duro, franco e perturbador.

Ainda que a conclusão tenha sido conveniente demais, com Daisy relembrando ao Ward dentro de Hive que ela tem sangue Kree (Alguém se lembrava disso? Foi em T.A.H.I.T.I., na já longínqua primeira temporada.), que poderia ter sido contado antes, Failed Experiments, apesar de falho, vale pela exploração das relações humanas e por ser o começo de um potencialmente explosivo final. Joss Whedon e Maurissa Tanchareon têm apenas que mirar no alvo e parar de abordar assuntos estranhos à narrativa principal para que a terceira temporada acabe memoravelmente.

Obs: Não houve (ainda) a aguardada – mas não confirmada – ligação direta com Capitão América: Guerra Civil, mas, certamente não sem querer, a expressão “guerra civil” foi usada por Ward e a pergunta “de que lado você está”, slogan da saga em quadrinhos e também do filme, foi feita, ainda que em contexto diferente. É pouco, mas cada vez mais compreendo a importância de se deixar cinema e TV juntos, mas separados, se é que me entendem…

Agents of S.H.I.E.L.D. – 3X19: Failed Experiments (EUA, 03 de maio de 2016)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen
Direção:  Wendey Stanzler
Roteiro: Brent Fletcher
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Luke Mitchell, Matthew Willig, Andrew Howard, Juan Pablo Raba, William Sadler, Scott Heindl, Dillon Casey, Mark Dacascos, Brett Dalton, Natalia Cordova-Buckley, Gaius Charles, Titus Welliver, John Hannah
Duração: 41 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.