Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X04: Let Me Stand Next to Your Fire

estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Dentre os váritos méritos de Agents of S.H.I.E.L.D., o que mais prezo, sem dúvida alguma, é a constante qualidade de seus episódios. Não falo apenas desta temporada, mas sim da série como um todo até agora. Depois da “curva de aprendizado” que foi sua primeira temporada, o que veio em seguida mostrou maturidade e capacidade de reinvenção de forma constante. E, acima de tudo, fugindo da fórmula padrão de séries de mais de 20 episódios, os showrunners foram capazes de criar arcos temáticos que passam ao largo da estrutura de vilões da semana, emulando com eficiência arcos de quadrinhos.

E não, não considero a série excepcional. Longe disso, na verdade. Mas ela, como disse, mantem uma constância que pouco se vê por aí e, melhor ainda, uma constância que está acima da média de seus pares em praticamente todos os quesitos, de fotografia a montagem, de atuações a coreografias. Mesmo tendo tido dúvidas sobre a real necessidade de se continuar a série depois de três temporadas que marcadamente têm começo, meio e fim e fecham um arco macro, começo a notar que Jed Whedon e companhia realmente continuam sabendo o que estão fazendo e parecem capazes de manter o navio em um curso sadio e preciso.

Let Me Stand Next to Your Fire é a prova disso. Se em Uprising o foco virou para Coulson e sua equipe na ótima missão de resgate a Yo-Yo contra os Cães de Guarda, deixando uma chorona Daisy em uma situação mal-acabada com Robbie, no novo episódio as pontas soltas e as narrativas paralelas finalmente tangenciaram e, ainda por cima, com o bônus da volta do inumano James – ou Infernal, que, nos quadrinhos, é descendente do Cavaleiro Fantasma, a primeira versão do Ghost Rider – em uma reviravolta interessante e bem construída, mesmo considerando que ela é introduzida e resolvida no próprio episódio.

Quando vemos James fora do controle de Colmeia, ele parece bem diferente de sua versão original, o que logo me fez ligar o alarme de algo não estava certo. Ou era isso ou teríamos que aceitar um Infernal domado e depressivo como Daisy, o que ainda bem não foi o caso, já que ele é revelado como sendo o inumano que ajuda os Cães de Guarda a caçarem seus pares.

E o mais interessante é que o roteiro trabalha a reunião da equipe de forma indireta, sempre tentando jogar aquela “bola curva” para o espectador. Primeiro temos a impressão de que a visita para Eli Morrow na prisão é Robbie, mas, na verdade, é Coulson tentando entender o que aconteceu no laboratório onde ele trabalhara. Depois, temos a sequência em que Simmons é atraída para uma armadilha de Daisy, que precisa de ajuda médica. Com isso, há um “troca” de parceiros, com Robbie ajudando Coulson e Mack depois de uma ótima perseguição automobilística com direito a alfinetada à franquia Velozes e Furiosos e Daisy juntando-se a Simmons em uma bem-vinda inversão da lógica até agora estabelecida que quebra com o pareamento menos do que interessante entre a inumana e o caveiroso.

Com isso, o roteiro de Matt Owens, que estreia na série e já mostra a que veio, usa truques narrativos para mexer com nossa percepção já pre-estabelecida sobre os personagens, truques esses que comentam de maneira inteligente o Teste de Turing por que Radcliffe faz Aida passar, usando uma May em recuperação como instrumento. Aliás, a inserção de Aida de maneira mais incisiva dentro da história também é uma excelente adição à série, especialmente depois da potencialmente perigosa conversa de Radcliffe com ela em que ele ensina que mentir nem sempre é maléfico. O potencial dessa lição pode ser mais explosivo do que a luta entre Robbie e James no armazém.

Falando nisso, a inevitável e aguardada (pelo menos desde o primeiro segundo em que o nome de James é mencionado no episódio) pancadaria, apesar de curta demais, é muito gratificante. Não só temos novamente uma boa coreografia que envolve toda a equipe, como o embate em si entre os dois faz referências expressas aos quadrinhos ao inspirar Robbie a usar correntes como uma de suas armas (para quem não sabe, o Motoqueiro Fantasma original – Johnny Blaze – usa correntes como instrumentos de punição). Além disso, com exceção da parede de cartolina e isopor que é tão falsa que dói, os efeitos de fogo em computação gráfica continuam muito bons, ainda que a economia em seu uso tenha sido levemente – para usar um eufemismo – frustrante. Espero, também, que a participação de James na série não fique restrita a este momento.

No dénouement, não só toda a equipe está reunida, como Robbie passa a fazer parte dela pelo menos por enquanto, com as miras todas focadas nos fantasmas e na procura ao misterioso Darkhold, O Livro dos Pecados, com direito a Coulson soltar, em uma frase só, uma espécie de forte lembrete de que estamos sim em um universo compartilhado. Afinal, ele fala não só que ninguém nunca achou o tal livro, como também que ilustres personagens como Caveira Vermelha, Daniel Whitehall e Nick Fury já tentaram e não conseguiram. Considerando que estamos a dois capítulos da semana de lançamento do longa do Doutor Estranho e que o referido livro é costumeiramente conectado com o Mago Supremo da Marvel, é possível que tenhamos um crossover baseado justamente neste aspecto.

Let Me Stand Next to Your Fire é mais um sólido episódio da quarta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. que ainda não apresentou nada particularmente memorável, mas que, a se levar em conta o padrão das temporadas anteriores, provavelmente apresentará em breve. É só uma questão de tempo e de confiança nos showrunners, pois isso eles já fizeram por merecer.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X04: Let Me Stand Next to Your Fire (EUA, 18 de outubro de 2016)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Brad Turner
Roteiro: Matt Owens
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Gabriel Luna, Lorenzo James Henrie, Mallory Jansen, Lilli Birdsell, Briana Venskus, Maximilian Osinski, Ricardo Walker, Wilson Ramirez, Jen Sung, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Lorenzo James Henrie
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.