Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X06: The Good Samaritan

estrelas 3

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

The Good Samaritan é um episódio revelador de Agents of S.H.I.E.L.D. que lida com o passado para colocar uma pá de cal nele, fecha uma ponta narrativa com uma reviravolta (ou duas…) e ainda começa outra em um ritmo bom para a série como um todo, considerando, claro, que os showrunners seguirão a estratégia vitoriosa de duas temporadas em uma. Disto isso, o capítulo não foi sem problemas, mas lidarei com eles mais para o final, já que há muito o que falar antes.

Imediatamente lidando com as consequências do ótimo Lockup, Coulson e equipe partem para resgatar Eli Morrow e acabar com o plano da fantasma Lucy enquanto o Diretor Mace aborda o Zephyr com uma equipe tática para levar tanto Daisy quanto Robbie em custódia. Com muito do episódio passado dentro do espaço confinado do avião da S.H.I.E.L.D., o roteiro de Jeffrey Bell tem maleabilidade para abordar duas linhas narrativas em flashbacks alternados: as experiências de Lucy e seu marido com o Darkhold para criar matéria do nada, com um Eli Morrow preocupado com a repentina e misteriosa descoberta de uma forma disso acontecer e a esperada origem do Motorista Fantasma.

O primeiro grupo de flashbacks não faz conexão direta com Doutor Estranho, mas parece caminhar nesta direção com a explosão ao final que parece desintegrar Fitz e Coulson (que obviamente não morreram). Será que de alguma forma Estranho terá relação com a solução do problema, especialmente agora que o Darkhold parece estar a salvo e o livro tem ligação com outro usado pelo herói no filme (mais detalhes só em nossa crítica com spoilers de Doutor Estranho)? De toda forma, a reviravolta sobre Morrow é o que realmente interessa aqui. Nos quadrinhos do Motorista Fantasma, o personagem é um serial killer e, ainda que na série ele não seja responsável direto pela possessão de Robbie como nas HQs, fato é que, agora, ele é o grande vilão desse arco (não necessariamente o único, claro). Mostrando que ele quer o poder do Darkhold para ele e que seu experimento acaba bem sucedido, espera-se um embate no mínimo interessante entre Robbie e ele.

As sequências no presente relacionadas com esse grupo de flashbacks, com Fitz investigando as experiências de Lucy e seu marido e fazendo conexões com a Isodyne, Roxxon e a “matéria zero”, todos vistos em Agent Carter, traz saudosismo aos que, como eu, consideram seu cancelamento prematuro e cria uma agradável coesão narrativa dentro do Universo Cinematográfico Marvel, apesar de não ser um ponto lá muito importante no resultado final. Sem dúvida alguma, porém, a reviravolta funcionou e estabelece um cliffhanger de monta para o próximo episódio.

O outro grupo de flashback lida com a origem do Motorista Fantasma e resolve de uma vez o mistério do atentado contra Robbie e Gabe, algo que havia ficado no ar em Lockup. A agilidade nessa resolução é ótima, pois mostra que a série não está para enrolação e acumulação de mistérios bobos. Dito isto, a origem é bem diferente da que vemos nos quadrinhos, não traz Mefisto como muitos esperavam (pelo menos não por enquanto), mas traz Johnny Blaze para a série ou, pelo menos, um “motoqueiro fantasma” (tem que ser Blaze, não é mesmo?) que, provavelmente obedecendo instruções do diabo em pessoa, salva Gabe e transforma Robbie em um Espírito da Vingança. Outra reviravolta interessante que pode significar algo que já tenho dito há algum tempo: uma série spin-off solo do Motorista Fantasma com participações do Motoqueiro e até outras várias versões do Espírito da Vingança (Danny Ketch, Alejandra Blaze e outros). Certamente há material e interesse para isso. Também não descarto um longa metragem, mas acho a transição da TV para o Cinema mais complicada do que o caminho inverso e, considerando que o UCM já tem filmes planejados até o sol virar supernova, não imagino ainda algo assim.

Enquanto vemos o desenrolar da origem do segundo caveira flamejante, Mace e sua equipe lidam com uma busca pelo avião que, claro, não encontra nada, já que os fugitivos e mais Gabe (atordoado com todas as revelações) estão no módulo de contenção fora do Zephyr, em um plano amador de Coulson e Mack para escondê-los. O interessante dessa busca no avião é a contraposição do diretor em relação a Coulson, voltando ao status quo inicial da temporada e que deve continuar por um bom tempo, especialmente agora que percebemos na série que os poderes do Motorista Fantasma são bem maiores do que se poderia esperar e em linha com as HQs, em que os Espíritos da Vingança se mostram com níveis de poder capazes de segurar o Hulk. E isso sem falar na misteriosa missão que Mace encarrega Simmons logo no início.

Como disse logo no começo, The Good Samaritan resolve pontas soltas, evitando que a série se arraste com enrolações desnecessárias. Mas a constância e o ritmo dos flashbacks me incomodaram profundamente. A escolha do roteiro de Bell e da direção de Gierhart, que volta depois de trabalhar na abertura da temporada, é de queima lenta, ou seja, mantém os dois mistérios escondidos até os respectivos momentos finais, o que é compreensível. Mas a narrativa acabou sofrendo com isso, pois não só os flashbacks foram picotados demais, com cada pedaço teve pouquíssima duração e cada um deles arrastou mais do que acelerou as histórias sendo contadas. E, como consequência óbvia, as ações no presente também acabaram ficando espalhadas demais, quebrando a tensão e impedindo maior engajamento dramático.

Fica evidente, porém, que a escolha foi consciente e talvez a única saída para o que era necessário ao episódio. Separar a história em dois capítulos talvez pudesse funcionar, mas os showrunners certamente queriam explorar as revelações que, de uma maneira ou de outra, são interligadas ao mesmo tempo que queriam abordar as consequências no presente. Infelizmente, porém, ainda que o objetivo tenha sido alcançado, ele o foi em detrimento da cadência narrativa. Talvez um montagem mais ágil, com flashbacks mais longos e menos foco nas ações no presente tivesse resolvido o problema.

The Good Samaritan, no entanto, mesmo com claudicância, faz a história andar e cria promessas mais do que interessantes para o potencial e efetivo crossover com Doutor Estranho e para o desenrolar da primeira metade da temporada. Será particularmente interessante ver como os efeitos especiais se segurarão na provável pancadaria mística entre Morrow e seu sobrinho caveiroso.

Aviso: Agents of S.H.I.E.L.D. entrará em hiato de três semanas em razão das eleições americanas e dois especiais para TV. O episódio 4X07 só irá ao ar no dia 29 de novembro.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X06: The Good Samaritan (EUA, 1º de novembro de 2016)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Billy Gierhart
Roteiro: Jeffrey Bell
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Gabriel Luna, Lorenzo James Henrie, Mallory Jansen, Lilli Birdsell, Briana Venskus, Maximilian Osinski, Ricardo Walker, Wilson Ramirez, Jen Sung, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Lorenzo James Henrie
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.