Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X09: Broken Promises

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estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Com Broken Promises, o segundo arco da quarta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. começa. E que começo! Fazendo uma transição suave entre Ghost Rider e L.M.D. (sigla de Life Model Decoy ou, em português, Modelo de Vida Artificial, algo que existe nos quadrinhos Marvel desde agosto de 1965, quando Strange Tales #135 foi publicada), a série dissipa qualquer dúvida sobre sua qualidade e sua capacidade de tecer linhas narrativas interessantíssimas repletas de reviravoltas e revelações, com um texto cada vez mais afiado e maduro.

Toda a hesitação que demonstrei durante a crítica do episódio 4×01 sobre a verdadeira necessidade de uma quarta temporada despareceu exatamente aqui e pela novidade que marcará a temporada: não serão apenas dois, mas três arcos semi-independentes que comporão a temporada. Isso, por si só, é uma grande mudança em séries longas como esta e que tem o excelente potencial de trazer três mini-temporadas mais dinâmicas, com menos fillers e menos episódios arrastados que marcam diversas outras séries por aí e que a própria Agents of S.H.I.E.L.D. já havia começado a se desvencilhar ao partir para uma temporada dividida em dois arcos maiores.

O primeiro grande destaque do episódio inaugural de L.M.D. é, claro, Aida. Toda a trama que a envolve, desde os segundos iniciais em que a vemos limpando suas feridas e se vestindo, é de grudar os olhos do espectador na tela. Mallory Jansen mistura frieza e sentimentos distantes em uma fusão convincente que a estabelece como uma vilã a se temer. As lutas físicas sem remorso e sua infiltração na base da S.H.I.E.L.D., com direito a apagão, controle de todo o sistema e também de um Quinjet, mostra o quão formidável esta nova ameaça pode ser para os heróis, algo que, apesar de ter sido usado em Era de Ultron, aqui ganha até mais urgência, talvez por lidar com protagonistas bem menos poderosos e por ter havido tempo para um desenvolvimento crível para Aida no primeiro arco, algo que de certa forma falta a Ultron.

Aliás, sua busca pelo Darkhold – o livro de magia negra que permitiu senciência à androide – é o que faz a perfeita transição entre arcos, mantendo a temática geral do conflito entre magia e tecnologia. E, claro, é particularmente interessante a revelação final de que Radcliffe é quem está verdadeiramente por trás das ações de Aida, ainda que, de certa forma, isso acabe detraindo um pouco das ações dela. Afinal, fica a pergunta: ela estava agindo obedecendo uma programação de Radcliffe ou em conluio com ele?

Mas o que realmente faz a história de Broken Promises funcionar é o espertíssimo roteiro de Brent Fletcher (já veterano na série) que brinca com metalinguagem, deixando claro para nós, espectadores, que ele, os showrunners e todos os seus personagens – bem, Mack e Yo-Yo pelo menos! – sabem que “histórias com robôs” só podem acabar com eles se rebelando contra os humanos. As diversas citações a filmes do sub-gênero especialmente dos anos 80 e 90 (com uma alfinetada mais do que merecida em A Salvação, da franquia O Exterminador do Futuro) servem para divertir o espectador e brincar com a premissa mais do que batida do episódio. Sabemos o que esperar, mas o roteirista está quase que o tempo todo olhando para nós e dizendo: “olha, estou homenageando o gênero, galera!”. E o melhor é que ele o faz usando apenas O Exterminador do Futuro como filme “mais óbvio”, pois as demais citações vão fundo no baú de pérolas cinematográficas: O Passageiro do Futuro, Comboio do Terror e o absolutamente obscuro, mas hilário, Chopping Mall.

E foi também muito inteligente a forma como a versão androide de May foi usada. Sem consciência do que ela é, a “nova May” é um peão na mão de Aida e Radcliffe, o que pode gerar conflitos interessantes entre androides, além de levantar questões morais relevantes e que, espero, serão discutidas nos próximos episódios.

Como se tudo isso não bastasse, esse ocupadíssimo episódio – que poderia ter sido brindado com uma duração maior para evitar algumas correrias e atalhos tomados – ainda lida com o recém-acordado Vijay, irmão da cruel senadora anti-inumanos Ellen Nadeer. Aqui, a história derrapa um pouco, pois o roteiro começa de forma cadenciada, mostrando os irmãos se reencontrando depois de sete meses e, de uma hora para outra, sai desabalado. Quando os Cães de Guarda chegam, a cascata de informações é intensa: descobrimos que a mãe de Vijay e Ellen morrera na invasão dos Chitauri em Os Vingadores, a S.H.I.E.L.D. confirma que é ela por trás da milícia, Vijay quase morre duas vezes, desenvolve seus poderes, morre de verdade e entre novamente em um casulo inumano, potencialmente para uma mutação secundária. E, em cima disso tudo, ainda aprendemos – como já fora brevemente mencionado no arco anterior – que há um misterioso vilão de “final de fase” chamado apenas de “O Superior” que ainda não deu as caras. É difícil saber quem ele é, mas não acho que ele demorará a aparecer. Só espero que não seja alguém aleatório, tirado da cartola.

Em mãos menos hábeis, Broken Promises seria uma colcha de retalhos irremediável. Mas Garry A. Brown (que nos brindou com os excelentes Many Heads, One Tale e The Singularity) dirige o episódio com extrema segurança, transitando muito bem entre a ação contida e claustrofóbica na base da S.H.I.E.L.D. e o desenvolvimento mais lento e explosivo na casa de campo dos Nadeer. É particularmente notável como ele traça um paralelo entre Aida e Ellen, colocando-as como dois lados de uma mesma moeda: duas mulheres frias com objetivos muito claros e ambas acreditando fazer o melhor. Fica para o espectador decidir quem é o humano e quem é o androide…

Episódios com Broken Promises fazem de Agents of S.H.I.E.L.D. uma grande série de seu gênero que, agora, abrirá novos caminhos com três arcos em apenas uma temporada. Tem tudo para dar certo. E merece que dê certo.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X09: Broken Promises (EUA, 10 de janeiro de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Garry A. Brown
Roteiro: Brent Fletcher
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.