Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X10: The Patriot

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estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Agents of S.H.I.E.L.D. pode não ter tempo a perder considerando sua estrutura de três pequenos arcos em uma temporada, mas isso não quer dizer que os showrunners precisam sair desabalados para carregar a história principal para frente. Em The Patriot, voltamos a um assunto que havia ficado em segundo plano no primeiro arco: quem exatamente é o diretor Mace?

E é muito interessante ver a série voltar um pouco para trás de forma que possa continuar a andar a passos largos para frente. Afinal, quem, apesar do bom mocismo de Mace, não havia ficado desconfiado dele, não é mesmo? Sua fama por ter salvo uma mulher no incidente de Viena, seus superpoderes, sua natureza inumana, tudo parecia funcionar, mas ao mesmo tempo deixava aquele cheiro podre no ar, aquele incômodo de que havia alguma coisa errada ali. E realmente havia. Mace não é muito mais do que um peão na mão do General Talbot, um meta-humano “fabricado” a partir de uma versão da fórmula que deu os poderes – e a loucura – ao Sr. Hyde, pai de Tremor, uma espécie de sucessor do Capitão América como o próprio Talbot chega a dizer.

Reparem como tudo parece perfeitamente costurado e bem-pensado. Ainda que a reentrada de Talbot como o “mestre manipulador” não seja lá uma grande surpresa, a questão é que tudo que vemos no episódio é extremamente orgânico e faz referências a todo o legado que vem sendo construído pela série e no Universo Cinematográfico Marvel. Novamente somos levados a lembrar do passado de Daisy, da origem do Capitão América (a fórmula de Erkine é citada expressamente), de quem é o “Patriota” do título nos quadrinhos (um efetivo, mas falho, sucessor do Capitão) e até mesmo da época em que Simmons foi uma agente da S.H.I.EL.D. infiltrada na Hidra. E reparem mais ainda como tudo isso é costurado com os inumanos, os Cães de Guarda e, claro, os L.M.D. criados por Radcliffe.

Ainda que a ameaça mencionada no episódio anterior – o tal “Superior” – não ganhe desenvolvimento e a Senadora Nadeer não dê as caras, suas presenças se fazem sentir pelo plano complexo e ousado dos Cães de Guarda para obter a maleta com o soro que dá super-força a Mace. Vê-se um jogo maior em movimento, com muitas peças ainda não encaixadas, apesar do ritmo frenético do segundo arco.

E, claro, é muito interessante como a trama lidando com Radcliffe é trabalhada. Há o constante conflito entre Simmons e Fitz sobre o que fazer com a cabeça de Aida e, mais importante do que isso, as diversas possibilidades da May-androide agora que descobriu que ela não é humana. Não há muitas dúvidas, pelo que vimos no episódio, que as duas Mays provavelmente agirão juntas com Radcliffe e Aida em algum momento, cada uma movida por sua própria razão.

A direção de Kevin Tanchareon, veterano na série, merece especial comenda. As sequências com Coulson, Mack e Mace tendo que se virar sozinhos contra os Cães de Guarda deixam evidente a qualidade da série. Coreografias sólidas que trazem veracidade à ação e uma excelente interação entre os atores, com Jason O’Mara mostrando bem mais camadas do que o recorte de cartolina que vinha vivendo até agora. E o mesmo vale para a intensa relação entre Radcliffe e Aida 2, com John Hannah e Mallory Jansen expandindo suas nuances e criando uma dupla de vilões com enorme potencial.

Ainda há uma boa quantidade de pontas soltas para serem abordadas no arco, ainda que provavelmente nem todas ganhem resolução nele próprio. E isso é ótimo, pois garante fluidez, unicidade e um senso de processo de construção no trabalho dos showrunners, que não nos deixam esquecer que o que estamos vendo faz parte de um universo maior, que bebe não só de seu próprio passado imediato, como também de tudo que o circunda e informa em uma bela e cada vez mais sólida oferta do gênero.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X10: The Patriot (EUA, 17 de janeiro de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Kevin Tancharoen
Roteiro: James C. Oliver, Sharla Oliver
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.